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IRB (IRBR3): Entenda a forte queda das ações

Nossa equipe decidiu fazer um relatório factual com o objetivo de ajudar investidores a se contextualizarem sobre a forte queda nas ações do IRB.

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Conforme evidenciado pela forte volatilidade das ações do IRBR3 desde o dia 3 de fevereiro (-57,5% de queda), uma série de acontecimentos fizeram com que investidores aumentassem a cautela em relação as ações da empresa. Desde 10 de fevereiro, mantemos a cobertura sob revisão, e não alteramos nossa visão, dado o aumento das incertezas nos últimos dias.

O IRB. A resseguradora, que tem como modelo de negócios assumir os prêmios e riscos das seguradoras, apresenta um retorno sob patrimônio líquido contábil (ROE) muito acima dos pares globais (41% do IRB vs 10-15% do setor) e, por consequência, possuía os múltiplos mais caros do setor. Com base no preço de fechamento do final de janeiro, o IRB apresentava um múltiplo de preço por patrimônio líquido de aproximadamente 9x, comparado a uma média global de 1.2x.

A gestora Squadra. O primeiro movimento de instabilidade veio da gestora carioca no dia 2 de fevereiro, que questionou a recorrência dos resultados do IRB. Os argumentos contidos nas 234 páginas de análise relacionavam desde contabilidade agressiva e inconsistências nos números reportados pela resseguradora nos resultados e nos reguladores até discrepâncias entre os prêmios auferidos e floating retido. As ações da companhia caíram 16% na manhã seguinte e mantiveram alta volatilidade desde então.

Resultados do quarto trimestre de 2019 e esclarecimentos. Na divulgação do 4T19, tivemos duas questões importantes: i) o resultado; e ii) os esclarecimentos prestados pela resseguradora em resposta às cartas e ao relatório da Squadra. Sobre os resultados, tivemos um forte crescimento de lucro, mas ajudado por itens não recorrentes, como benefícios fiscais de uma subsidiária londrina. Já nas respostas, tivemos um maior e melhor nível de disclosure, mas ainda assim nos restaram algumas dúvidas, tais como: i) o floating (prêmios retidos e utilizados para investimentos), que realmente apresentava um baixo crescimento em relação ao crescimento de prêmios; ii) as reversões de provisões anteriores a 2014, que não ficaram claras; e iii) a margem financeira, que parecia muito impactada por ganhos não recorrentes da venda de shopping centers.

A saída de Ivan Monteiro. Após as divulgações de resultados, o presidente do conselho de administração da resseguradora Ivan Monteiro renunciou ao posto de presidente do conselho da companhia. Essa atitude foi negativamente recebida pelo mercado, pelos seguintes motivos: i) Ivan é um respeitado veterano, com passagens relevantes como CEO da Petrobras, VP do Banco do Brasil e CFO da BRF, além de ocupava um cargo relevante para a governança corporativa da companhia; ii) O IRB citava saúde como razão para a saída do ex-VP do Banco do Brasil, mas o mesmo foi constatado trabalhando regularmente no Nubank, conforme publicado pelo Valor Econômico no último dia 2 com o título “IRB realiza teleconferência para esclarecer saída de Ivan Monteiro”; iii) Ivan não fez pronunciamento oficial ao mercado, o que seria especialmente importante devido ao momento delicado em que passa a resseguradora; e iv) a impresa já havia noticiado a saída do Ivan desde a semana anterior, tendo a resseguradora negado os boatos de sua saída na quinta-feira via um press-release publicado ao mercado, mas depois confirmou sua saída no dia seguinte, o que poderia ser explicado pelo fato de eles não terem recebido o comunicado antes de sexta.

Buffett e a Berkshire Hathaway. Instigados novamente por notícias da mídia de que o fundo do lendário megainvestidor havia se tornado um acionista, os administradores da resseguradora confirmaram tal posição na teleconferência com analistas realizada no dia 02 de março as 09:30h, na qual estávamos presentes.

Durante a teleconferência com analistas, que tinha como tema principal a saída de Ivan Monteiro, os executivos do IRB confirmaram que a Berkshire havia adquirido uma posição na resseguradora, bem como teria aumentado essa posição recentemente. Os executivos mencionaram que a IRB teria uma relação bastante próxima com a Berkshire, relação essa que já duraria alguns anos. Além disso, mencionaram que a nomeação de Márcia Cicarelli para o conselho do IRB, que seria a representante da Berkshire no Brasil, seria um sinal da aproximação da Berkshire com o IRB. Essa afirmação se tornou duvidosa ontem de noite, quando a Berkshire soltou um comunicado negando o investimento, e dizendo que nunca havia sido acionista da resseguradora e nem tinha intenção de ser. Esta última situação ainda está muito pouco clara devido a: i) comunicação da empresa, datada de ontem, afirmando que não haviam confirmado a Berkshire como acionista; e ii) outra comunicação da empresa, datada de hoje, onde a empresa afirmava estar realizando uma investigação em sua base acionária.

Neste último ponto, acreditamos que o banco escriturador pode ajudar nos esclarecimentos. Assim, acreditamos que os papeis do IRB devem continuar com forte volatilidade, conforme investidores assimilam as novas informações.

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