Impacto do reajuste de preços dos medicamentos para as farmácias – Positivo

Neste relatório, discutimos o potencial impacto do reajuste de preços dos medicamentos para as farmácias, além de atualizar nossas estimativas para o setor.


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O debate do reajuste anual de preços

Aumento médio de 8,15% anunciado pelos reguladores na semana passada

Na última segunda feira (5 de abril), a CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) anunciou um aumento entre 6,79% e 10,08% para os preços dos medicamentos vendidos sob prescrição, dependendo do cenário competitivo dos produtos, com vigência imediata. Embora isso represente um risco positivo para nossas estimativas (de um aumento de preço de ~ 3% em 2021e, em linha com a inflação), de acordo com o Sindusfarma (Sindicato Nacional da Indústria Farmacêutica), o aumento pode não ser suficiente para compensar completamente a pressão de custos enfrentada pela indústria farmacêutica, especialmente durante o ano de pandemia. Leia mais sobre a metodologia de aumento de preço do CMED ao final do relatório.

Entretanto, assim como em 2020, já se discute a postergação do reajuste

Logo após o anúncio da CMED, o Senado Federal divulgou um projeto de regulamentação com o objetivo de vetar o aumento anual do preço dos medicamentos, à medida que o número de casos Covid-19 dispara e o ambiente social se deteriora no país. A minuta se baseia em uma nota técnica da Consultoria do Senado que afirma que a indústria farmacêutica tem condições de postergar o aumento e absorver a pressão de custos em seus resultados. Segundo eles, as farmácias foram um dos segmentos menos impactados durante a pandemia e, portanto, estão em melhores condições para sustentar sua lucratividade. Esperava-se que os senadores discutissem o assunto na semana passada, mas a votação foi adiada para amanhã de manhã. Se a proposta de lei for aprovada no Senado, ainda estará sujeita à aprovação da Câmara. Não é a primeira vez que se discute um adiamento no Brasil. Tradicionalmente, o aumento dos preços dos medicamentos ocorrem a partir de 1º de abril, mas, em 2020, o mesmo foi adiado por 60 dias devido ao cenário pandêmico. No entanto, desta vez é diferente, pois o aumento já foi aprovado (e de fato já está em vigor) enquanto no ano passado o aumento foi adiado antes de ser oficialmente anunciado.

É difícil voltar atrás do que já foi dito; esperamos que o aumento de preços se mantenha

Acreditamos que o aumento de preço será mantido, pois (i) embora o aumento de preços esteja acima do IPCA, ainda não é suficiente para compensar o aumento de custo enfrentado pela indústria com a depreciação do real e desequilíbrios entre oferta e demanda; (ii) o aumento de preço já foi aprovado e, com isso, as empresas já estão repassando-o para os consumidores; e (iii) quanto mais tempo for demorar para essa discussão, menor será a probabilidade de aprovação.

Correlação histórica de 0,8 com as “vendas em mesmas lojas” (SSS) de lojas maduras

As empresas normalmente repassam o reajuste da CMED para os consumidores finais, embora isso possa variar dependendo do cenário competitivo. Analisamos o SSS (lojas maduras) da RADL como uma aproximação para esta questão e o comparamos com os reajustes de preços da CMED – estimamos uma correlação de 0,8 desde 2011.

Estimando o impacto; se confirmado, um upside de pelo menos 10%

Realizamos uma análise de sensibilidade para estimar o impacto nos resultados das empresas em 2021, caso o reajuste de preço seja confirmado. Estimamos um impacto positivo entre 11%-13% na nossa estimativa de EBITDA para 2021 das empresas se o aumento de preço for confirmado, com um impacto adicional entre 2%-7% decorrente de margens brutas mais altas sobre ganhos de estoque.

Raia Drogasil (RADL3) – Análise de sensibilidade aumento EBITDA 2021e

Fonte: XP Investimentos

Pague Menos (PGMN3) – Análise de sensibilidade aumento EBITDA 2021e

Fonte: XP Investimentos

d1000 (DMVF3) – Análise de sensibilidade aumento EBITDA 2021e

Fonte: XP Investimentos

Atualizando nossas estimativas e Preços-Alvo

Estamos atualizando nossas estimativas para o setor farmacêutico para incorporar os resultados do quarto trimestre, bem como as novas premissas macro da nossa Equipe de Economia. Ainda não estamos incorporando o impacto do reajuste de preço de medicamentos em nossos números. Mantemos nossa recomendação de Compra e Preço Alvo para o fim de 2021 de R$ 13,0/ação para Pague Menos, e a reiteramos como nossa Top Pick no setor. Além disso, mantemos nossa recomendação Neutra e Preço Alvo de R$ 27,0/ação para a Raia Drogasil. Finalmente, reduzimos nosso Preço Alvo de d1000 para R$ 13,0/ação (de R$ 16,0/ação), ao refletir um curto prazo mais desafiador em nossas estimativas, porém mantendo a recomendação de Compra.

Raia Drogasil (RADL3) – Estimativas novas vs. Antigas

Fonte: XP Investimentos

Pague Menos (PGMN3) – Estimativas novas vs. Antigas

Fonte: XP Investimentos

d1000 (DMVF3) – Estimativas novas vs. Antigas

Fonte: XP Investimentos

Apêndice: Como os reajustes anuais são calculados?

Desde 2003, os preços de medicamentos sob prescrição estão sujeitos aos aumentos anuais da CMED, como uma maneira de evitar pressões inflacionárias excessivas em uma categoria sensível de produtos. O reajuste anual é calculado para três diferentes grupos de remédios:

  • Nível 1: Medicamentos com intensa competição (penetração de genéricos acima de 20% das vendas totais);
  • Nível 2: Categorias com competição média (penetração de genéricos entre 15% e 20%);
  • Nível 3: Mercados pouco competitivos (penetração de genéricos abaixo de 15%).

Abaixo, detalhamos a metodologia de precificação da CMED:

Onde:

  • IPCA (inflação), calculada com base nos últimos 12 meses até fevereiro;
  • X é um fator de produtividade, calculado pela SEAE/ME, e leva em consideração os ganhos de eficiência da indústria;
  • Y é um fator de ajuste inter-setorial também calculado pela SEAE/ME, considerando variáveis como a valorização/depreciação do real e o custo de energia do país;
  • Z é um fator de ajuste intra-setorial criado para estimular a competição; a variável é calculada com base no valor de X, a depender do cenário competitivo do produto. Por exemplo, o Z de um medicamento com pouca competição (Nível 3) seria 0%, enquanto para categorias com média competição (Nível 2), Z é geralmente aceito como 50% X. Finalmente, em mercados com competição intensa (Nível 1), Z é aceito como 100% X.

Tomando o reajuste da CMED de 2021, X e Y foram divulgados em dias diferentes; O regulador anunciou o fator X de 2021 (3,29%) em novembro/2020, e somente em 12 de março, o fator Y for publicado (4,88%). Em 31 de março, o IPCA dos últimos 12 meses estava estimado em 5,2%.

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