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Estrangeiros aportam R$ 32,5 bilhões na Bolsa em janeiro, mas fundos locais registram recorde de resgates – Fluxo em foco

Quais foram os principais fluxos e participantes da Bolsa brasileira no último mês? Neste relatório, destacamos as principais movimentações do mês.

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No início de 2022, a maior questão dos mercados globais foi a política monetária dos EUA. O Federal Reserve, banco central americano, liberou a ata de sua reunião de dezembro, na qual revelou um tom mais agressivo – hawkish – do que o esperado. Nela, foi sinalizado que o ciclo de alta dos juros americanos poderia vir mais cedo do que os mercados estavam antecipando, e que também foi discutida a redução do seu balanço – o que surpreendeu o mercado e levou a taxa do Tesouro americano de 10 anos a ultrapassar 1,9%, o nível mais alto desde a pandemia começou.

Com esse tom mais duro e as taxas de juros de longo prazo dos EUA em seus maiores níveis dos últimos dois anos, pudemos observar (novamente) uma rotação entre as empresas de crescimento e de valor. Após uma rotação para ações de crescimento, principalmente tecnologia, que começou com a pandemia em 2020, este ano vemos investidores globais interessados ​​novamente em setores de valor – beneficiando diretamente as ações brasileiras.

Além disso, os preço de commodities continuaram a subir nesse início de 2022, em meio à demanda ainda forte e oferta limitada, e tensões geopolíticas entre países produtores.

Dessa forma, vemos as ações brasileiras se beneficiando de uma tríplice combinação de:

1) Rotação global de crescimento para valor;
2) Forte exposição a commodities, trazendo claros riscos de alta para os lucros;
3) Múltiplos de entrada muito baixos (Preço por Lucro projetado ao redor das mínimas dos últimos 10 anos).

Diante disso, o Ibovespa terminou iniciou 2022 como a bolsa com melhor desempenho dentre as principais Bolsas globais: subiu +7,0% em janeiro em Reais, e, com uma moeda mais valorizada, +12,1% em dólares. A título de comparação, no acumulado do ano, o S&P 500 teve queda de -5,3%, a Nasdaq queda de -9,0%, ambos índices com forte presença de empresas de crescimento em sua composição, e o MSCI ACWI em queda de -5,0%.

Quer saber a nossa visão do que esperar da Bolsa brasileira em 2022? Clique pra ver no nosso Raio XP de fevereiro.

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Um forte fluxo de investidores estrangeiros nesse início de ano

Janeiro foi mais um mês positivo para o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira, com uma entrada líquida de +R$ 32,5 bilhões, valor mais alto desde novembro de 2020. E no início de fevereiro, já acumula +R$ 4,9 bilhões de saldo positivo de investidores estrangeiros.

*Saldo não considera a entrada/saída de capital estrangeiro por IPOs e Follow Ons a partir de outubro, pois os dados ainda não foram divulgados pela B3.

Como mencionamos em relatórios anteriores, a continuação do retorno desses investidores para a Bolsa brasileira se dará pelos seguintes fatores: i) melhor resolução sobre a trajetória fiscal e política do país; ii) a continuação da recuperação econômica; iii) cenário positivo para as commodities e os mercados emergentes, e iv) o avanço crescente das iniciativas ESG pelas empresas brasileiras.

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Fundos investimento acumularam R$ 76 bi em resgastes no ano passado

A alocação dos fundos de investimentos em ações teve um fluxo negativo em dezembro, último dado disponível, de -R$ 3,7 bilhões em comparação com o mês de dezembro, chegando a R$ 683 bilhões alocados em ações. Apesar do valor negativo, essa saída mensal foi menor em comparação aos -R$ 20,5 bilhões de novembro e ao recorde em outubro, quando houve um fluxo negativo de R$ -57,1 bilhões. Além disso, a alocação em ações caiu -0,1p.p. M/M no patrimônio líquido das gestoras, representando apenas 12,5% do total.

No ano, os fundos de ações acumularam resgates de R$76 bilhões, um recorde de saída desde o ano de 2008.

Em contraste, os fundos de renda fixa com alta alocação. A indústria têm R$ 4,8 trilhões alocados em renda fixa, correspondente a 87,1% do seu patrimônio total. Em dezembro, houve um fluxo de -R$ 9,6 bilhões (-0,2% M/M) nessa classe de ativos no portfólio dos fundos, primeiro valor negativo desde dezembro de 2020.

Fundos de pensão: Alocação em ações diminuiu juntamente com fundos de renda variável

Quando olhamos apenas para os fundos de pensão, segundo dados mais recentes disponíveis de outubro de 2021 da Abrapp, o fluxo de alocação em ações diretamente foi de R$10,5 bilhões em relação à dezembro de 2020 (+13,9%). Com isso, eles fecharam o mês de outubro com uma alocação de R$86 bilhões em ações.

Já o fluxo para fundos de renda variável foi negativo em outubro quando se compara com o final de 2020 em -R$54,0 bilhões (-41,3%), chegando a R$76,8 bilhões.

Juntos, investimentos em ações e fundos de renda variável representam 16,0% da carteira desses fundos de pensão, valor este que se compara aos 75,4% alocados em renda fixa, um saldo de R$767,1 bilhões em outubro deste ano.

Os dados acima revelam que a participação das instituições no mercado acionário ainda é baixa quando comparado à exposição à renda fixa, ou seja, ainda existe um grande potencial de migração da renda fixa para a variável.

Investidores Pessoas Físicas superaram os 5 milhões em janeiro de 2022

O crescimento de investidores Pessoas Físicas continuou positivo em janeiro, último dado disponível, com uma adição de 36.543 pessoas na Bolsa, +0,7% M/M, atingindo 5.012.688. Quanto ao saldo por investidor, houve um aumento de +2,0% em relação à dezembro, primeiro valor positivo desde maio de 2021. Esse aumento provavelmente reflete a alta na Bolsa, na qual o índice Ibovespa subiu +7,0% no mês passado puxando principalmente por ações de commodities e bancos. No longo prazo, acreditamos que esse crescimento está alinhado com a melhora da educação financeira no país.

Investidores estrangeiros possuem as maiores participações na Bolsa

Os principais investidores da Bolsa brasileira são: 1) investidores estrangeiros (53,2%), 2) instituições (26,2%) e 3) pessoas físicas (15,7%). Juntos, eles representam 95,1% dos participantes do mercado acionário.

Nessa publicação, considera-se apenas o fluxo do mercado à vista.

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