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Estrangeiros aportam mais de R$100 bilhões na Bolsa brasileira em 2021 – Fluxo em foco

Quais foram os principais fluxos e participantes da Bolsa brasileira no último mês? Neste relatório, destacamos as principais movimentações do mês.

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O ano de 2021 foi marcado por grandes mudanças de cenário ao longo dos meses, o que influenciou diretamente no desempenho da Bolsa brasileira.

No início do ano, o rápido progresso da vacinação contra a Covid-19, a retomada das atividades econômicas globais, a alta nos preços das commodities, e a taxa de juros nas mínimas históricas levaram o Ibovespa a registrar suas máximas históricas acima de 130 mil pontos em junho. Porém, na segunda metade do ano as perspectivas se deterioraram significativamente: as reformas não avançaram, a trajetória fiscal piorou com a flexibilização do teto de gastos, a inflação e os juros subiram fortemente, mudando completamente o cenário.

No cenário externo, rupturas nas cadeias de abastecimento, políticas fiscais e monetárias expansionistas, combinadas com a reabertura da economia, aumentaram a pressão inflacionária em todo o mundo, levando os mercados a precificarem taxas de juros mais altas. Nos EUA, apesar do Federal Reserve manter boa parte do ano defendendo a tese que a inflação seria temporária, os títulos de 10 anos subiram de um patamar de menos de 1% e terminaram o ano ao redor de 1,4% – essa subida de juros impactou bastante as empresas de crescimento, principalmente tecnologia. Nos últimos meses, porém, o banco central americano alterou sua postura para um tom mais hawkish, acelerando o tapering e os diretores já indicaram aumentar a taxa de juros em 2022.

Diante disso, o Ibovespa terminou o ano de 2021 com um desempenho negativo de -11,9%, enquanto o dólar subiu +7,3% em relação ao real. Em comparação, o S&P 500, principal índice americano, subiu +26,9% em dólares, e o índice de ações globais, medido pelo MSCI ACWI, também registrou uma alta de +16,8% em dólares.

Quer saber a nossa visão do que esperar da Bolsa brasileira em 2022? Clique pra ver no nosso Raio XP de dezembro.

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Recorde de fluxo de investidores estrangeiros em 2021

Dezembro foi mais um mês positivo para o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira, com uma entrada líquida de +R$ 14,5 bilhões. Com isso, o saldo total de 2021 acumulou +R$102,3 bilhões*, um número bem acima dos R$ 7,4 bilhões em 2020 e um recorde desde 2009, quando o aporte de estrangeiros foi quase metade do valor, em R$ 50,7 bilhões.

*Saldo não considera a entrada/saída de capital estrangeiro por IPOs e Follow Ons a partir de outubro, pois os dados ainda não foram divulgados pela B3.

Como mencionamos em relatórios anteriores, a continuação do retorno desses investidores para a Bolsa brasileira se dará pelos seguintes fatores: i) melhor resolução sobre a trajetória fiscal e política do país; ii) a continuação da recuperação econômica; iii) cenário positivo para as commodities e os mercados emergentes, e iv) o avanço crescente das iniciativas ESG pelas empresas brasileiras.

Fundos investimento: Resgates de fundos ações e migração para renda fixa

A alocação dos fundos de investimentos em ações teve um fluxo negativo em novembro, último dado disponível, de R$ 20,5 bilhões em comparação com o mês anterior, chegando a R$ 687 bilhões alocados em ações. Entretanto, essa não foi a maior saída mensal dessa classe de ativos no ano, que antes havia atingido um recorde em outubro, quando houve um fluxo negativo de R$ -57,1 bilhões. Além disso, a alocação em ações caiu -0,5p.p. M/M no patrimônio líquido das gestoras, representando apenas 12,6% do total.

No ano, os fundos de ações acumularam resgates de R$72 bilhões, um recorde de saída desde o ano de 2008.

Em contraste, os fundos de renda fixa seguiram com captação recorde. A indústria têm R$ 4,8 trilhões alocados em renda fixa, correspondente a 87,2% do seu patrimônio total. Em novembro, houve um fluxo de R$ 79,5 bilhões (+1,7% M/M) nessa classe de ativos no portfólio dos fundos.

Fundos de pensão: Alocação em ações diminuiu juntamente com fundos de renda variável

Quando olhamos apenas para os fundos de pensão, segundo dados mais recentes disponíveis de setembro de 2021 da Abrapp, o fluxo de alocação em ações foi de -R$27,7 bilhões em relação à dezembro do ano passado (-23,3,%). Com isso, eles fecharam o mês de setembro com uma alocação de R$91 bilhões em ações.

Já o fluxo para fundos de renda variável foi levemente negativo em -R$0,8 bilhões (-1,0%), chegando a R$83,9 bilhões.

Juntos, investimentos em ações e fundos de renda variável representam 16,9% da carteira desses fundos de pensão, valor este que se compara aos 74,6% alocados em renda fixa, um saldo de R$769,9 bilhões em setembro deste ano.

Os dados acima revelam que a participação das instituições no mercado acionário ainda é baixa quando comparado à exposição à renda fixa, ou seja, ainda existe um grande potencial de migração da renda fixa para a variável.

Investidores Pessoas Físicas superaram 4 milhões em 2021, mas ritmo de crescimento diminuiu ao final do ano

O crescimento de investidores Pessoas Físicas continuou positivo em novembro, último dado disponível, com uma adição de 72.141 pessoas na Bolsa, +1,8% M/M, atingindo 4.087.798. Comparado a 2020, quando encerramos o ano com 3.229.318 contas ativas na B3, foi registrada uma alta expressiva de +26,6%.

Porém, em novembro, vimos uma queda de -0,7% M/M na posição total dos investidores pessoas físicas de -R$3,5 bilhões, chegando à RS$482,3 bilhões. Ainda assim, quando comparamos esse valor com a posição no final de 2020 (R$452,6 bilhões), houve um aumento de +6,6%, o que reflete a evolução do mercado de ações brasileiro nos últimos anos.

Acreditamos que esse crescimento de longo prazo está alinhado com a melhora da educação financeira no país. A leve queda mensal na posição total de investidores pode ser atribuída à queda na Bolsa no último mês, com o aumento da taxa Selic, bem como a percepção de riscos aumentando, dado as incertezas políticas e fiscais que estamos vivendo.

Investidores estrangeiros possuem as maiores participações na Bolsa

Os principais investidores da Bolsa brasileira são: 1) investidores estrangeiros (50,2%), 2) instituições (25,7%) e 3) pessoas físicas (18,6%). Juntos, eles representam 94,6% dos participantes do mercado acionário.

Nessa publicação, considera-se apenas o fluxo do mercado à vista.

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