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Companhias Aéreas: O que está acontecendo?

O noticiário no setor aéreo tem sido conturbado nas últimas semanas, começando (i) pelo pedido de Recuperação Judicial da Avianca Brasil, e seguido (ii) pela assinatura por Temer da MP que permite a entrada de 100% de capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras, e (iii) por notícia mencionando potencial interesse da Azul pela Avianca Brasil. […]

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O noticiário no setor aéreo tem sido conturbado nas últimas semanas, começando (i) pelo pedido de
Recuperação Judicial da Avianca Brasil, e seguido (ii) pela assinatura por Temer da MP que permite a
entrada de 100% de capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras, e (iii) por notícia
mencionando potencial interesse da Azul pela Avianca Brasil. Desde então GOLL4 acumula alta de mais
de 20% enquanto a AZUL4 ficou estável. Nesse relatório vamos resumir esses tópicos e compartilhar
nossa visão, analisando possíveis impactos para as empresas.


1) Pedido de Recuperação Judicial da Avianca – No dia 13/12, a justiça aceitou o pedido de recuperação judicial da Avianca Brasil, a quarta maior empresa do setor (14% de participação de mercado em termos de RPK¹, ou demanda). De acordo com fontes consultadas pelo Valor, a companhia opera no Brasil com pouco mais de 50 aeronaves, e a intenção com o pedido seria de equacionar uma dívida de ~R$ 494 mi. De acordo com notícias veiculadas na mídia, o juiz responsável pelo processo marcou uma audiência de conciliação entre a aérea e as empresas de leasing² para o dia 14 de janeiro, em que serão discutidas questões relativas à posse dos jatos. Ações de reintegração de posse estão suspensas até a reunião.

  • O que monitorar? A reunião agendada para o dia 14 de Janeiro entre a Avianca e as empresas com as quais tem acordo de leasing deverá definir se essas empresas poderão reaver os jatos. A Convenção de Cape Town, que está em vigor no Brasil desde 2013, é um tratado internacional que visa dar mais segurança a credores em operações internacionais envolvendo bens móveis. De acordo com especialistas sobre a legislação setorial, esse tratado se sobrepõe a pedidos de Recuperação Judicial e Falência, e pelas regras, em um cenário de insolvência da empresa os credores poderiam retomar as aeronaves após o prazo. Importante relembrar que, no acumulado até Outubro de 2018, a Avianca foi responsável por 14% da demanda do mercado (conforme gráfico abaixo). Um cenário em que a empresa reduza a oferta de assentos potencialmente beneficiaria as competidoras. Nesse caso, dado que a Gol possui maior sobreposição de rotas com a Avianca, a empresa poderia ser mais diretamente beneficiada.
  • MP do Capital Estrangeiro – Ainda no dia 13/12, o presidente Michel Temer assinou uma Medida Provisória (MP) que permite até 100% de participação de capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras. Essa MP tem 60 dias de vigência, prorrogáveis por outros 60 dias (ex-recesso), e caberá ao presidente eleito Jair Bolsonaro viabilizar a votação em 2019. Caso a votação não ocorra, a MP expira. Essa medida define que, desde que a empresa seja sediada no Brasil (sob a legislação local), o capital pode ser 100% estrangeiro. Se por um lado essa medida permite que as empresas locais tenham mais acesso a outras fontes de financiamento, por outro lado pode fomentar a competição no setor.
  • Interesse da Azul sobre a Avianca – No dia 14/12 o Presidente do Conselho da Azul disse ao Valor que analisa a possibilidade de “olhar os números da Avianca Brasil”, “caso os controladores tivessem interesse em vender”. Embora a empresa tenha reiterado que não está engajada em negociações para fazer uma oferta pela empresa, a Avianca Brasil possui ativos estratégicos. Esses ativos são: (i) slots em aeroportos de grande fluxo e (ii) frota sinérgica à frota da Azul. De acordo com site da Avianca Brasil, sua frota é composta por jatos da Airbus. Já a Azul tem hoje cerca de 20% da sua frota operacional composta por jatos Airbus, e tem previsão de aumentar esse percentual nos próximos anos com a entrada de novas aeronaves (A320neo e A330, modelos também usados pela Avianca). Quanto aos slots, o termo se refere ao direito de pousar ou decolar em aeroportos saturados. A ANAC é responsável por coordenar os slots às companhias, e a Avianca possui slots estratégicos em alguns dos aeroportos de maior demanda no Brasil, como Guarulhos (1º em termos de RPK no mercado doméstico), Congonhas (3º) e Santos Dumont (13º).

Conforme os gráficos (1), (2) e (3) acima, nos três aeroportos mencionados a Azul tem uma participação relativamente menor em termos de RPK, especialmente em Guarulhos e Congonhas (7% e 3% respectivamente). Por outro lado, a empresa tem se consolidado em outros aeroportos, criando espécie de “hubs” e reforçando a estratégia de conectividade entre rotas regionais. Conforme os gráficos (4), (5) e (6), a empresa possui participação maior em aeroportos como Viracopos, Confins e Recife. Na tabela seguinte, temos a relação dos dez aeroportos que concentram a maior fatia da demanda do mercado doméstico. Guarulhos é o aeroporto com maior RPK, e é um ativo em que a Avianca possui participação maior (~22% em termos de RPK até o outubro).

Mantemos nossa preferência por Azul – Ainda temos visibilidade baixa sobre potenciais resultados do “evento Avianca”, e acreditamos que o descolamento recente da Gol tenha em parte incorporado um cenário de (i) menor competição e (ii) absorção adicional da demanda da empresa concorrente. Vamos monitorar os próximos passos, especialmente em relação às discussões entre empresas de leasing e a Avianca. Um eventual corte de capacidade por parte da companhia poderia ter impacto positivo para as empresas, e potencialmente mais direto para aquelas que têm maior sobreposição de rotas. Mantemos nossa preferência por Azul, que pode apresentar crescimento superior de margem advindo (i) de custos
mais baixos, (ii) aquecimento na demanda e (iii) ganhos de eficiência, e ainda negocia a múltiplos atrativos em nossa visão. Temos preço-alvo de R$ 40,00/ação.

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