Invista melhor com as recomendações
e análises exclusivas dos nossos especialistas.
O Bradesco entregou um trimestre misto, mas amplamente construtivo, com lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bi (+5% T/T; +16% A/A; +3% vs. XPe) e ROAE de 15,8% (+20 bps T/T), reforçando a trajetória de recuperação, ainda que persistam algumas dúvidas em relação à qualidade de crédito e ao consumo de capital. O crescimento da carteira de crédito permaneceu acima do mercado e mais próximo do ponto médio do guidance ao excluir efeitos cambiais (+8,4% A/A reportado; +9,5% ex-FX), sustentando a expansão do NII (+16,4% A/A), apesar da sazonalidade mais fraca nos spreads com clientes. A qualidade dos ativos, no entanto, merece maior monitoramento, uma vez que as provisões aceleraram, com custo de risco em 3,5% (+50 bps A/A; +3% vs. XPe), pressionadas por um caso idiossincrático no Atacado e pela normalização no segmento massificado, ainda que NPLs e cobertura tenham permanecido amplamente sob controle. As receitas de serviços apresentaram crescimento sólido A/A (+6,2%), enquanto os custos vieram bem comportados, com melhora relevante do índice de eficiência para 46,9% (-330 bps T/T). Seguros se destacou como um importante estabilizador dos resultados, vindo 13% acima de XPe. Por fim, o Índice de Basileia encerrou o trimestre em 14,9% (-90 bps T/T), impactado principalmente por ativos intangíveis, o que deve normalizar conforme esses ativos forem amortizados. Destacamos que a Bradsaúde adicionou 250 bps de capital, elevando o Índice de Basileia pro forma para 17,4% e fortalecendo os buffers de capital. No geral, apesar do lucro acima do esperado, a pressão na qualidade de crédito e o NII abaixo do esperado
Confira as análises dos resultados das empresas da Bolsa referentes ao 1º trimestre de 2026
A Carteira de Crédito Ampliada do Bradesco totalizou R$ 1,09 tri (+0,1% T/T; +8,4% A/A), impulsionada principalmente por PF. O crescimento ficou marginalmente abaixo da parte inferior do guidance do management, de 8,5% a 10,5%, refletindo a sazonalidade típica do 1T e efeitos cambiais. Excluindo o câmbio, a carteira teria crescido 9,5% A/A, abaixo dos 11,0% reportados no 4T, mas agora sem a base de comparação que excluía John Deere. Nesse contexto, o crescimento da carteira se aproximou do ponto médio do guidance, implicando expansão acima do mercado em um cenário macro desafiador, mas com foco em produtos colateralizados.
Em PF, a carteira cresceu 1,6% T/T (+9,5% A/A), impulsionada por Auto, Rural e Cartões de Crédito. Em PJ, a carteira recuou 1,1% T/T (+3,3% A/A). Essa tendência foi disseminada, com PMEs caindo 2,3% T/T (+14,4% A/A), enquanto Grandes Empresas recuaram 0,2% T/T (+3,3% A/A). A participação de crédito com garantias aumentou para 60,8%, vs. 59,3% no 4T25.
O NII atingiu R$ 20,1 bi (+4,2% T/T; +16,4% A/A), 1% vs. XPe. O número mais fraco foi explicado pelo menor NII Clientes. O NII Mercado veio em R$ 553 mi, refletindo a volatilidade típica de ALM e o desempenho das mesas de arbitragem. No NII Clientes, que atingiu R$ 19,5 bi no trimestre (+2,0% T/T e +16,3% A/A; -3% vs. XPe), observamos uma leve desaceleração, mesmo em um cenário em que a NIM expandiu 10 bps T/T, para 9,1%. Como resultado, o NII ajustado ao risco permaneceu amplamente estável T/T, em R$ 10,4 bi. No geral, vemos o desempenho trimestral ligeiramente mais fraco como uma consequência natural da sazonalidade negativa, ainda deixando o Bradesco bem posicionado para entregar dentro do guidance de 2026, de R$ 42-48 bi.
As tendências de qualidade de crédito merecem atenção. As provisões para perdas da carteira ampliada aumentaram de forma expressiva, avançando 9,5% T/T (+26,5% A/A), para R$ 9,7 bi, levando o custo de risco para 3,5% no trimestre, alta de 30 bps T/T e 50 bps A/A. Destacamos que uma parcela relevante desse aumento é explicada pelo Atacado (~R$ 500 mi), impactado por um caso específico. Além disso, observamos um aumento de ~R$ 300 mi na carteira massificada, em grande parte relacionado à normalização de programas emergenciais do governo e ao runoff de safras antigas do agronegócio.
Apesar disso, o índice de provisionamento da carteira ampliada permaneceu estável T/T, enquanto o índice de cobertura sobre NPL 90+ caiu 5 p.p. T/T, para 161%. Ao mesmo tempo, os indicadores de NPL 90+ permaneceram amplamente estáveis entre os segmentos, com exceção de PMEs, onde a normalização dos programas de apoio do governo continua pesando. As exposições em Stage 3 como percentual da carteira recuaram 20 bps T/T. Dito isso, as exposições em Stage 2 aumentaram 30 bps como percentual da carteira, movimento que pode refletir parcialmente a sazonalidade, mas ainda assim representa um ponto de atenção. A carteira reestruturada continuou recuando como percentual do crédito total (-20 bps T/T), enquanto a inadimplência dentro dessa carteira seguiu melhorando sequencialmente (-250 bps T/T).
Embora reconheçamos que o aumento das provisões reflita efeitos sazonais, eventos idiossincráticos e dinâmicas de normalização, e que os indicadores de inadimplência acima de 90 dias tenham permanecido amplamente estáveis, vemos riscos decorrentes de um crescimento da carteira acima do mercado, maior exposição a segmentos massificados e crescimento acelerado em cartões de crédito e financiamento de veículos, que normalmente são produtos mais voláteis. Combinados a um cenário macro mais fraco, esses fatores podem pressionar a qualidade dos ativos ao longo do ano. Vale destacar que, durante a teleconferência de resultados do Itaú, o management adotou um tom mais cauteloso em relação tanto à qualidade de crédito quanto ao crescimento da carteira. Assim, a teleconferência de resultados do Bradesco amanhã será importante para avaliar se o ambiente macro pode levar a revisões nas expectativas do setor para o ano.
As receitas de serviços e comissões atingiram R$ 10,4 bi (-6,4% T/T; +6,2% A/A; +2% vs. XPe). O crescimento foi impulsionado por Consórcios (+19,5% A/A), Asset Management (+10,1% A/A) e uma forte recuperação em Mercado de Capitais e Financial Advisory (+63,2% A/A). Do lado negativo, Contas Correntes (-6,9% A/A) e Cobranças & Pagamentos (-7,0% A/A) continuaram refletindo pressão estrutural no banking transacional. Destacamos que a participação de clientes de alta renda segue aumentando, representando ~51% das receitas totais de cartões, o que vemos como positivo para a sustentabilidade do crescimento.
As despesas operacionais totalizaram R$ 16,2 bi (-4,6% T/T; +7,8% A/A; em linha com XPe), com a queda T/T refletindo a sazonalidade típica de fim de ano e a continuidade da disciplina de custos. Na comparação anual, as despesas administrativas aumentaram 6,2% A/A, impulsionadas principalmente por maiores investimentos em infraestrutura de tecnologia e pela expansão dos volumes transacionais, em linha com a estratégia de crescimento e transformação do banco. As despesas de pessoal cresceram 4,7% A/A, refletindo em grande parte maiores despesas com participação nos lucros em meio à maior rentabilidade, enquanto os custos estruturais permaneceram amplamente estáveis apesar do reajuste salarial de 5,68% do acordo coletivo de 2025. Como resultado, o índice de eficiência melhorou sequencialmente, encerrando o trimestre em 46,9% (-330 bps T/T; -280 bps A/A), reforçando sinais de que as iniciativas de racionalização da estrutura e de cost-to-serve do banco estão ganhando tração.
A Bradesco Seguros entregou um 1T26 sólido, com lucro líquido de R$ 2,8 bi (+13% A/A), ROAE de 21,6% e resultado operacional de R$ 6,4 bi (+20,4% A/A), sustentado por um forte resultado industrial (+22%), melhora da sinistralidade (-1,1 p.p.) e resultado financeiro robusto (+17,5% A/A). As receitas cresceram 5% A/A, ex-VGBL, enquanto provisões técnicas e ativos financeiros avançaram ~10-12% A/A, reforçando a solidez do balanço. O crescimento foi disseminado, impulsionado por vida (+13% A/A), previdência privada (PGBL +35%), auto e patrimonial, além da aceleração das vendas digitais (+16% A/A). As iniciativas estratégicas, com destaque para o lançamento da Bradsaúde, fortalecem as perspectivas de crescimento e eficiência de longo prazo da franquia de seguros.
Todos esses fatores resultaram em lucro recorrente de R$ 6,8 bi no 1T26 (+4,5% T/T; +16,1% A/A), 3% acima de XPe, enquanto o ROAE atingiu 15,8%, 20 bps acima do 4T25, ambos sustentando a trajetória positiva observada desde o início de 2024. Os índices de capital encerraram o trimestre em níveis ainda robustos, apesar da queda sequencial. O CET1 recuou 100 bps T/T, para 10,2%. O Índice de Basileia também caiu 90 bps, encerrando o trimestre em 14,9%. O Bradesco trouxe maior visibilidade sobre o capital gerado pela transação da Bradsaúde, que adicionou 250 bps de capital, oferecendo um buffer adicional ao banco. Em bases pro forma, os índices de capital ficariam em 12,7% para CET1, 14,5% para Tier 1 e 17,4% para o Índice de Basileia.
![YA_2026_Banner_Intratexto_-_download[1]](https://conteudos.xpi.com.br/wp-content/uploads/2025/12/YA_Banner_Intratexto_-_download1.jpg)
