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Este é a nossa prévia do 1T26 para os bancos incumbentes do setor financeiro sob nossa cobertura. Como de costume, a sazonalidade do primeiro trimestre deve influenciar os resultados ao longo do grupo, mas a execução deve ser bastante desigual entre os nomes. O Itaú tende a reportar um trimestre mais fraco, porém benigno, com desaceleração do crescimento da carteira de crédito, NII mais pressionado em função do menor número de dias úteis e do efeito ex-dividendos, além de uma leve alta no custo de risco, ainda assim preservando um ROE resiliente. O Bradesco, por sua vez, deve voltar a se destacar, já que spreads melhores com clientes e um NII de mercado mais forte devem mais do que compensar o aumento das provisões e os custos de transformação, sustentando mais um trimestre de crescimento de lucro em dois dígitos e reforçando a narrativa de turnaround. O Banco do Brasil deve apresentar o resultado sequencial mais fraco, à medida que a sazonalidade típica do período se combina ao ciclo de risco do agronegócio, levando a crescimento praticamente estável da carteira, NII menor, provisões mais elevadas e uma queda relevante do lucro T/T, ainda assim amplamente em linha com o guidance e com uma dinâmica mais concentrada no segundo semestre de 2026. O Santander também deve entregar um trimestre mais fraco, em grande parte dentro do esperado, com leve retração da carteira, receitas de tarifas mais fracas e provisões mais altas, parcialmente compensadas por melhor NII de mercado, controle de custos e uma alíquota de imposto ainda favorável. No conjunto, vemos o Bradesco como o claro destaque do trimestre entre os bancos incumbentes.
Confira a análise dos resultados das empresas da Bolsa referentes ao 3º trimestre de 2025
Itaú – Divulgação dos resultados: 05 de Maio
A sazonalidade deve levar a um trimestre mais fraco. No 1T26, esperamos alguma pressão sobre o crescimento da carteira de crédito, com o segmento de Individuals impactado por uma retração sequencial em cartões de crédito e menor utilização de produtos rotativos após os efeitos de liquidez do fim de ano. Esse movimento deve ser parcialmente compensado por um crescimento ainda saudável em crédito imobiliário, consignado privado e PMEs via FGI e Pronampe, enquanto o câmbio segue como um fator negativo para grandes empresas. O consignado INSS deve continuar fraco, embora ainda com opcionalidade positiva para mais adiante no ano.
O NII deve vir pressionado, refletindo o menor número de dias úteis, menor carrego em capital de giro e produtos rotativos, além do efeito do pagamento de dividendos, parcialmente compensados por uma recuperação do NII de mercado para algo próximo de R$850 milhões. Em qualidade de ativos, não vemos grandes surpresas. O custo de risco deve subir levemente, em linha com o guidance, puxado principalmente por maiores provisões no segmento Wholesale, enquanto a inadimplência em varejo e PMEs segue mais resiliente. As receitas com tarifas e comissões devem recuar T/T, refletindo a sazonalidade típica do primeiro trimestre, com menor contribuição de cartões, asset management e uma atividade mais fraca em IB e DCM. As despesas operacionais devem cair nominalmente T/T. A alíquota efetiva de imposto deve ficar ligeiramente mais alta na comparação sequencial, à medida que os efeitos de juros sobre o capital próprio perdem força.
Na última linha, esperamos que o lucro líquido recue T/T, mas ainda apresente crescimento A/A, com o ROE permanecendo resiliente, beneficiado pelo menor patrimônio líquido após o pagamento de dividendos, apesar do resultado trimestral mais fraco. No geral, vemos o 1T26 como um trimestre mais fraco, porém benigno, para o Itaú, sem mudanças na trajetória de lucros no médio prazo.
Bradesco – Divulgação dos resultados: 06 de Maio
O Bradesco deve ser o principal destaque do trimestre. Apesar da sazonalidade tipicamente negativa do primeiro trimestre, esperamos que o banco entregue mais um avanço em seu processo gradual de recuperação de resultados e se diferencie frente aos pares. Projetamos um NII de R$20,3 bilhões no período, com crescimento de 17,6% A/A, sustentado por uma expansão saudável dos spreads com clientes, com a margem financeira bruta próxima de 9,0%, além de uma melhora sequencial do NII de mercado, que deve permanecer menos negativo em um ambiente de maior volatilidade e curva de juros mais inclinada. A originação de crédito segue em bom ritmo, especialmente em segmentos com garantia, como consignado, veículos, crédito rural e PMEs, embora o crescimento reportado da carteira deva ser parcialmente compensado pela valorização cambial, dado o nível de exposição do banco a saldos atrelados ao câmbio. A qualidade dos ativos deve permanecer controlada, com inadimplência relativamente estável em torno de 4,2%, um aumento de 10 bps T/T, embora as provisões devam crescer sequencialmente, com o custo de risco ligeiramente acima do run rate anual, em torno de 3,3%, refletindo efeitos sazonais, alguma pressão macroeconômica e alguns casos pontuais, todos dentro do esperado pela administração. Do lado de custos, os investimentos ligados à transformação, especialmente em tecnologia, devem continuar pressionando as despesas operacionais, com alta de 8,2% A/A, enquanto o OpEx subjacente segue bem controlado.
Como resultado, esperamos que o Bradesco reporte um lucro líquido de R$6,6 bilhões no trimestre, com crescimento de 12,4% A/A, marcando o nono trimestre consecutivo de melhora gradual do resultado final e reforçando a visão de que o banco segue em uma trajetória disciplinada de recuperação passo a passo.+
Banco do Brasil – Divulgação dos resultados: 13 de Maio
Quando a sazonalidade encontra o ciclo de risco. O crescimento da carteira de crédito deve ser modesto e concentrado no varejo, com o consignado privado ainda em expansão, embora em um ritmo mais calibrado, enquanto o consignado do setor público segue resiliente a partir de uma base mais forte. Cartões de crédito devem apresentar um crescimento sazonal mais fraco e alguma pressão adicional marginal na inadimplência. As carteiras corporativa e de agronegócio devem permanecer praticamente estáveis, refletindo uma postura mais cautelosa na assunção de risco, a migração para linhas com garantia, como FGI e PEAC, e uma inadimplência mais elevada nos livros renegociados.
O NII deve recuar T/T em função da sazonalidade típica do primeiro trimestre, de menor liquidez e de um resultado mais fraco de tesouraria. Em qualidade de ativos, esperamos que o custo de risco e as provisões fiquem ligeiramente acima dos níveis do 4T, puxados pela exposição ao agronegócio, por maiores perdas esperadas na carteira prorrogada e renegociada e por alguns casos relevantes no segmento corporativo, ainda em linha com o guidance para 2026. A expectativa é que a pressão sobre as provisões diminua ao longo do 2S26, à medida que as novas safras avancem. As receitas com tarifas e as despesas operacionais também devem refletir a habitual fraqueza sazonal do período.
Como resultado, o EBT e o lucro líquido devem cair na comparação T/T, com o lucro reportado provavelmente em torno de R$3,5 bilhões. A alíquota efetiva de imposto deve permanecer positiva, embora abaixo do 4T, convergindo para algo próximo de 10% no ano. Em capital, os índices seguem confortáveis, com impactos regulatórios parcialmente compensados pelos efeitos residuais da MP, sustentando um payout estável de 30%.
Santander – Divulgação dos resultados: 29 de Abril
Um trimestre mais fraco, mas amplamente dentro do esperado. Esperamos que os resultados do Santander no 1T reflitam, em linhas gerais, a sazonalidade típica do início do ano, com a carteira expandida levemente menor na comparação sequencial, queda de 1,0% T/T, embora ainda 2,6% acima do nível do 1T25. Para 2026, no entanto, seguimos acreditando que o banco tem capacidade de melhorar a originação e entregar um crescimento na faixa de um dígito médio. O trimestre mais fraco deve refletir uma postura mais seletiva, especialmente em cartões de crédito de menor renda, no agronegócio e em PMEs. Além disso, a valorização cambial deve pesar sobre a comparação reportada.
Apesar dos menores saldos de crédito, esperamos que o NII alcance R$15,9 bilhões, com crescimento sequencial impulsionado por um NII de mercado menos negativo. As receitas com tarifas devem cair 6,3% T/T, embora avancem 5,0% A/A, refletindo a sazonalidade normal do primeiro trimestre. Em qualidade de ativos, o trimestre deve mostrar alguma deterioração, puxada pelos efeitos sazonais e por mudanças na política de write-off, com as provisões trimestrais atingindo R$6,3 bilhões, alta de 3,9% T/T. Como resultado, o custo de risco deve encerrar o trimestre em 3,6%. As despesas operacionais devem compensar parcialmente a queda das tarifas, em linha com o comportamento típico do primeiro trimestre, resultando em um índice de eficiência de 37,9%.
Embora acima dos 2,5% reportados no trimestre anterior, a alíquota efetiva de imposto deve permanecer baixa, em torno de 12%, beneficiada pelos efeitos de juros sobre o capital próprio. Assim, esperamos um lucro líquido de R$4,0 bilhões, com alta de 3,6% A/A e 2,1% T/T, e um ROAE de 16,9% ao fim do trimestre, queda de 70 bps na comparação trimestral.
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