O 1T26 do BBAS foi fraco, embora em linha, com a principal preocupação migrando do resultado em si para a piora do cenário. As receitas permaneceram como o principal ponto positivo, com NII +4% vs. XPe e revisão para cima do guidance de NII, mas isso foi mais do que compensado por uma deterioração mais ampla da qualidade de crédito, levando o guidance de custo de crédito a subir para R$65–70bn (vs. R$53–58bn anteriormente) e o guidance de lucro líquido ajustado a cair para R$18–22bn (ponto médio ~-10% vs. consenso). Destacamos que a pressão de crédito não está mais restrita ao Agro, já que os NPLs iniciais de PF aumentaram quase +90bps T/T (+200bps A/A), sugerindo pressão adicional à frente. No Agro, a preocupação vai além dos números fracos atuais, com indicadores antecedentes piorando: as RJs estão reacelerando (~R$650mn apenas em abril) e a safra 26/27 aponta para uma assimetria de risco negativa, mantendo não desprezível o risco de deterioração adicional. Esse cenário é agravado por recuperações fracas no trimestre. Dado o ainda baixo nível de visibilidade e a assimetria de riscos negativa, com espaço para novas revisões para baixo e o papel negociando a ~6x P/E 26 no novo ponto médio do guidance, reforçamos nossa recomendação Neutra.
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No portfólio de Agronegócio, os sinais parecem mais preocupantes do que o próprio dado negativo de qualidade de crédito — um movimento que, vale notar, já era em grande parte esperado. Como destacado no vídeo pós-resultados do banco, o ritmo dos pedidos de recuperação judicial (RJs) continua se intensificando, mesmo após as medidas educativas implementadas no setor e em um período ainda marcado pelo recesso do Judiciário. Após uma estabilização temporária em trimestres com menor volume de vencimentos, o número de RJs voltou a ganhar tração. Somente em abril, que marca o início da temporada anual de vencimentos, o volume financeiro de RJs atingiu cerca de R$650 milhões, quase metade do observado em todo o 2T25, sinalizando uma dinâmica de crédito mais desafiadora à frente.
Olhando para a safra 2026/27, vemos uma clara deterioração na assimetria de risco. Por um lado, o cenário geopolítico tende a pressionar os preços de fertilizantes para cima, movimento que pode ser agravado por uma janela de importação mais curta. Por outro, a valorização cambial combinada com a expectativa de uma safra forte no Brasil deve continuar pressionando os preços agrícolas. Em conjunto, esses fatores comprimem as margens dos produtores, com impactos diretos e indiretos sobre o Banco do Brasil, especialmente via originação mais fraca e potencial deterioração da qualidade de crédito. Nesse contexto, vemos espaço limitado para uma redução relevante de provisões ao longo do ano, mesmo considerando que as safras mais recentes possuem maior participação de colaterais reais e que a originação recente parece ter sido mais seletiva. Ainda que esse cenário já esteja refletido no novo guidance, entendemos que o risco de deterioração adicional não é desprezível.
Por outro lado, o trimestre também parece ter confirmado a deterioração de outra frente relevante de preocupação para a qualidade de crédito do banco: o portfólio de Pessoa Física. Além de o NPL 90+ seguir em trajetória de piora (+26bps T/T; +170bps A/A), observamos um aumento significativo da inadimplência em estágio inicial, de aproximadamente +90bps T/T (+200bps A/A), o que deverá pressionar ainda mais o NPL 90+ nos próximos trimestres. Ao analisar a composição da inadimplência por produto, fica claro que os empréstimos consignados têm sido a principal fonte de pressão, provavelmente refletindo a maturação das carteiras mais recentes, especialmente no consignado privado. Essa dinâmica é preocupante, já que esse era o único portfólio em que o banco vinha crescendo sem comprometer muito a qualidade de crédito. Agora, esse segmento também apresenta sinais de deterioração, possivelmente impulsionados por efeitos de mix, um ambiente macro mais desafiador e até algum contágio vindo do agro.
Outro ponto que chamou atenção foi o fraco desempenho na recuperação de crédito. A expectativa do management era de cerca de R$2,0–2,5 bilhões no trimestre, mas as recuperações ficaram em apenas R$1,2 bilhão. Os movimentos nas despesas de risco de crédito e descontos concedidos — que compõem o custo de crédito — parecem ter sido impactados por uma cessão de crédito envolvendo um cliente específico do segmento Atacado. Como resultado, o NPL consolidado caiu levemente 12bps T/T, enquanto a inadimplência de curto prazo recuou 33bps T/T. Por outro lado, a cobertura do Estágio 3 caiu 80bps T/T, mesmo em um contexto de piora da qualidade dos ativos. Além disso, o índice de reestruturação continuou em alta, atingindo 55,1% (+112bps T/T).
Por fim, esse conjunto de fatores levou o banco a revisar significativamente suas expectativas de custo de crédito para o ano. Enquanto o guidance divulgado em fev/26 apontava para um intervalo de R$53–58 bilhões, a nova estimativa foi elevada para R$65–70 bilhões, refletindo uma deterioração mais acentuada no cenário de inadimplência. Vale destacar que quase metade das provisões do trimestre veio de PF (49%, ~R$8 bilhões), em linha com o forte aumento da inadimplência inicial. Nesse contexto, a cobertura dos novos NPLs de Pessoa Física subiu de 73% para 143% QoQ, indicando uma postura mais conservadora frente à deterioração recente. No agro, chama atenção que as provisões do Estágio 3 (~R$25 bilhões) estejam praticamente em linha com os NPLs 90+ (~R$26 bilhões), sugerindo uma relação próxima de 1:1, o que indica que, em um cenário de piora adicional, novas provisões podem ser necessárias. Por outro lado, a melhora na inadimplência corporativa (PMEs e atacado) surge como um fator parcialmente compensatório nesse ambiente mais desafiador.
A carteira de crédito ampliada atingiu R$1,31 trilhão (0,7% T/T, 2,2% A/A), dentro do guidance de 2026 (0,5%–4,5%), com mix de 28% Pessoa Física, 34% Empresas e 38% Agro. O crescimento seguiu concentrado em PF (+1,4% T/T; +7,8% A/A), puxado principalmente por consignado (+1,2% T/T; +7,2% A/A), especialmente no segmento privado, e cartões (+1,3% T/T; +22,2% A/A). O agro atingiu R$418,4 bilhões em mar/26 (+3,0% T/T e A/A), sendo R$37,9 bilhões relacionados ao programa BB Regulariza Agro, enquanto empresas recuaram (-1,3% T/T; -2,4% A/A), pressionadas por PMEs e exposições com grandes empresas. No geral, vemos a desaceleração do crescimento de crédito como positiva, dado que a qualidade dos ativos ainda não se estabilizou.
Em mar/26, a carteira de agro totalizava R$418 bilhões, dos quais R$62,8 bilhões estavam classificados como reestruturados (~15% da carteira vs. 15,9% no 4T25). Apesar da leve queda na participação, a qualidade segue piorando, com NPL >90 subindo para 13,2% (vs. 11,1% no 4T25), indicando que ainda é cedo para afirmar que o pior já passou.
Em termos de NII, principal destaque positivo do trimestre, a margem financeira bruta somou R$27,4 bilhões (+4% vs. XPe; +14,8% A/A), impulsionada por receitas de crédito (especialmente PF, +19,1%) e treasury (+27,2%). Isso levou à revisão do guidance para +7–11% em 2026. O NII de clientes foi de R$23 bilhões (-6,1% T/T), impactado por menor TMS (-18bps) e efeito calendário, enquanto o NII de mercado foi de R$4,5 bilhões, beneficiado por melhor gestão de funding. Na comparação anual, ambos cresceram (clientes +12,8%; mercado +26,4%).
Receitas de serviços ficaram em R$8,8 bilhões (flat T/T; +5,5% A/A). Despesas administrativas somaram R$10,0 bilhões (+1,3% T/T; +5,5% A/A), com pressão de pessoal, parcialmente compensada por outras despesas menores. O índice de eficiência piorou para 28,0%.
O lucro líquido ajustado foi de R$3,4 bilhões (-40,2% T/T; -53,5% A/A), com ROE de 7,3%, impactado principalmente pelo aumento do custo de risco. O capital permaneceu adequado, com CET1 de 11,6%.
Por fim, o banco revisou seu guidance de 2026, mantendo crescimento da carteira (+0,5% a +4,5%) e elevando NII, mas com forte aumento do custo de risco e corte no lucro:
- Crescimento da carteira: +0,5% a +4,5% (mantido)
- NII: +7% a +11% (vs. +4% a +8%)
- Custo de crédito: R$65–70bn (vs. R$53–58bn)
- Lucro líquido ajustado: R$18–22bn (vs. R$22–26bn)
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