XP Expert

Banco do Brasil (BBAS3): Revisão de guidance por deterioração de crédito; visibilidade limitada à frente

Confira nossa revisão do resultado do 1T26 do Banco do Brasil

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no X
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail
YA_2026_Banner_Intratexto_-_download[1]Onde Investir 2026 mobile

O 1T26 do BBAS foi fraco, embora em linha, com a principal preocupação migrando do resultado em si para a piora do cenário. As receitas permaneceram como o principal ponto positivo, com NII +4% vs. XPe e revisão para cima do guidance de NII, mas isso foi mais do que compensado por uma deterioração mais ampla da qualidade de crédito, levando o guidance de custo de crédito a subir para R$65–70bn (vs. R$53–58bn anteriormente) e o guidance de lucro líquido ajustado a cair para R$18–22bn (ponto médio ~-10% vs. consenso). Destacamos que a pressão de crédito não está mais restrita ao Agro, já que os NPLs iniciais de PF aumentaram quase +90bps T/T (+200bps A/A), sugerindo pressão adicional à frente. No Agro, a preocupação vai além dos números fracos atuais, com indicadores antecedentes piorando: as RJs estão reacelerando (~R$650mn apenas em abril) e a safra 26/27 aponta para uma assimetria de risco negativa, mantendo não desprezível o risco de deterioração adicional. Esse cenário é agravado por recuperações fracas no trimestre. Dado o ainda baixo nível de visibilidade e a assimetria de riscos negativa, com espaço para novas revisões para baixo e o papel negociando a ~6x P/E 26 no novo ponto médio do guidance, reforçamos nossa recomendação Neutra.

Conteúdo exclusivo para clientes XP
A conta XP é gratuita. Abra a sua agora!

Cadastrar

Já é cliente XP? Faça seu login

 

Assessor ou parceiro? Clique no botão abaixo

 

Invista melhor com as recomendações
e análises exclusivas dos nossos especialistas.

No portfólio de Agronegócio, os sinais parecem mais preocupantes do que o próprio dado negativo de qualidade de crédito — um movimento que, vale notar, já era em grande parte esperado. Como destacado no vídeo pós-resultados do banco, o ritmo dos pedidos de recuperação judicial (RJs) continua se intensificando, mesmo após as medidas educativas implementadas no setor e em um período ainda marcado pelo recesso do Judiciário. Após uma estabilização temporária em trimestres com menor volume de vencimentos, o número de RJs voltou a ganhar tração. Somente em abril, que marca o início da temporada anual de vencimentos, o volume financeiro de RJs atingiu cerca de R$650 milhões, quase metade do observado em todo o 2T25, sinalizando uma dinâmica de crédito mais desafiadora à frente.

Olhando para a safra 2026/27, vemos uma clara deterioração na assimetria de risco. Por um lado, o cenário geopolítico tende a pressionar os preços de fertilizantes para cima, movimento que pode ser agravado por uma janela de importação mais curta. Por outro, a valorização cambial combinada com a expectativa de uma safra forte no Brasil deve continuar pressionando os preços agrícolas. Em conjunto, esses fatores comprimem as margens dos produtores, com impactos diretos e indiretos sobre o Banco do Brasil, especialmente via originação mais fraca e potencial deterioração da qualidade de crédito. Nesse contexto, vemos espaço limitado para uma redução relevante de provisões ao longo do ano, mesmo considerando que as safras mais recentes possuem maior participação de colaterais reais e que a originação recente parece ter sido mais seletiva. Ainda que esse cenário já esteja refletido no novo guidance, entendemos que o risco de deterioração adicional não é desprezível.

Por outro lado, o trimestre também parece ter confirmado a deterioração de outra frente relevante de preocupação para a qualidade de crédito do banco: o portfólio de Pessoa Física. Além de o NPL 90+ seguir em trajetória de piora (+26bps T/T; +170bps A/A), observamos um aumento significativo da inadimplência em estágio inicial, de aproximadamente +90bps T/T (+200bps A/A), o que deverá pressionar ainda mais o NPL 90+ nos próximos trimestres. Ao analisar a composição da inadimplência por produto, fica claro que os empréstimos consignados têm sido a principal fonte de pressão, provavelmente refletindo a maturação das carteiras mais recentes, especialmente no consignado privado. Essa dinâmica é preocupante, já que esse era o único portfólio em que o banco vinha crescendo sem comprometer muito a qualidade de crédito. Agora, esse segmento também apresenta sinais de deterioração, possivelmente impulsionados por efeitos de mix, um ambiente macro mais desafiador e até algum contágio vindo do agro.

Outro ponto que chamou atenção foi o fraco desempenho na recuperação de crédito. A expectativa do management era de cerca de R$2,0–2,5 bilhões no trimestre, mas as recuperações ficaram em apenas R$1,2 bilhão. Os movimentos nas despesas de risco de crédito e descontos concedidos — que compõem o custo de crédito — parecem ter sido impactados por uma cessão de crédito envolvendo um cliente específico do segmento Atacado. Como resultado, o NPL consolidado caiu levemente 12bps T/T, enquanto a inadimplência de curto prazo recuou 33bps T/T. Por outro lado, a cobertura do Estágio 3 caiu 80bps T/T, mesmo em um contexto de piora da qualidade dos ativos. Além disso, o índice de reestruturação continuou em alta, atingindo 55,1% (+112bps T/T).

Por fim, esse conjunto de fatores levou o banco a revisar significativamente suas expectativas de custo de crédito para o ano. Enquanto o guidance divulgado em fev/26 apontava para um intervalo de R$53–58 bilhões, a nova estimativa foi elevada para R$65–70 bilhões, refletindo uma deterioração mais acentuada no cenário de inadimplência. Vale destacar que quase metade das provisões do trimestre veio de PF (49%, ~R$8 bilhões), em linha com o forte aumento da inadimplência inicial. Nesse contexto, a cobertura dos novos NPLs de Pessoa Física subiu de 73% para 143% QoQ, indicando uma postura mais conservadora frente à deterioração recente. No agro, chama atenção que as provisões do Estágio 3 (~R$25 bilhões) estejam praticamente em linha com os NPLs 90+ (~R$26 bilhões), sugerindo uma relação próxima de 1:1, o que indica que, em um cenário de piora adicional, novas provisões podem ser necessárias. Por outro lado, a melhora na inadimplência corporativa (PMEs e atacado) surge como um fator parcialmente compensatório nesse ambiente mais desafiador.

A carteira de crédito ampliada atingiu R$1,31 trilhão (0,7% T/T, 2,2% A/A), dentro do guidance de 2026 (0,5%–4,5%), com mix de 28% Pessoa Física, 34% Empresas e 38% Agro. O crescimento seguiu concentrado em PF (+1,4% T/T; +7,8% A/A), puxado principalmente por consignado (+1,2% T/T; +7,2% A/A), especialmente no segmento privado, e cartões (+1,3% T/T; +22,2% A/A). O agro atingiu R$418,4 bilhões em mar/26 (+3,0% T/T e A/A), sendo R$37,9 bilhões relacionados ao programa BB Regulariza Agro, enquanto empresas recuaram (-1,3% T/T; -2,4% A/A), pressionadas por PMEs e exposições com grandes empresas. No geral, vemos a desaceleração do crescimento de crédito como positiva, dado que a qualidade dos ativos ainda não se estabilizou.

Em mar/26, a carteira de agro totalizava R$418 bilhões, dos quais R$62,8 bilhões estavam classificados como reestruturados (~15% da carteira vs. 15,9% no 4T25). Apesar da leve queda na participação, a qualidade segue piorando, com NPL >90 subindo para 13,2% (vs. 11,1% no 4T25), indicando que ainda é cedo para afirmar que o pior já passou.

Em termos de NII, principal destaque positivo do trimestre, a margem financeira bruta somou R$27,4 bilhões (+4% vs. XPe; +14,8% A/A), impulsionada por receitas de crédito (especialmente PF, +19,1%) e treasury (+27,2%). Isso levou à revisão do guidance para +7–11% em 2026. O NII de clientes foi de R$23 bilhões (-6,1% T/T), impactado por menor TMS (-18bps) e efeito calendário, enquanto o NII de mercado foi de R$4,5 bilhões, beneficiado por melhor gestão de funding. Na comparação anual, ambos cresceram (clientes +12,8%; mercado +26,4%).

Receitas de serviços ficaram em R$8,8 bilhões (flat T/T; +5,5% A/A). Despesas administrativas somaram R$10,0 bilhões (+1,3% T/T; +5,5% A/A), com pressão de pessoal, parcialmente compensada por outras despesas menores. O índice de eficiência piorou para 28,0%.

O lucro líquido ajustado foi de R$3,4 bilhões (-40,2% T/T; -53,5% A/A), com ROE de 7,3%, impactado principalmente pelo aumento do custo de risco. O capital permaneceu adequado, com CET1 de 11,6%.

Por fim, o banco revisou seu guidance de 2026, mantendo crescimento da carteira (+0,5% a +4,5%) e elevando NII, mas com forte aumento do custo de risco e corte no lucro:

  • Crescimento da carteira: +0,5% a +4,5% (mantido)
  • NII: +7% a +11% (vs. +4% a +8%)
  • Custo de crédito: R$65–70bn (vs. R$53–58bn)
  • Lucro líquido ajustado: R$18–22bn (vs. R$22–26bn)
XP Expert
Disclaimer:

  • Este relatório de análise foi elaborado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos ou XP”) de acordo com todas as exigências previstas na Resolução CVM 20/2021, tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar sua própria decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta ou solicitação de compra e/ou venda de qualquer produto. As informações contidas neste relatório são consideradas válidas na data de sua divulgação e foram obtidas de fontes públicas. A XP Investimentos não se responsabiliza por qualquer decisão tomada pelo cliente com base no presente relatório.
  • Este relatório foi elaborado considerando a classificação de risco dos produtos de modo a gerar resultados de alocação para cada perfil de investidor.
  • O(s) signatário(s) deste relatório declara(m) que as recomendações refletem única e exclusivamente suas análises e opiniões pessoais, que foram produzidas de forma independente, inclusive em relação à XP Investimentos e que estão sujeitas a modificações sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado, e que sua(s) remuneração(es) é(são) indiretamente influenciada por receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela XP Investimentos.
  • O analista responsável pelo conteúdo deste relatório e pelo cumprimento da Resolução CVM nº 20/2021 está indicado acima, sendo que, caso constem a indicação de mais um analista no relatório, o responsável será o primeiro analista credenciado a ser mencionado no relatório.
  • Os analistas da XP Investimentos estão obrigados ao cumprimento de todas as regras previstas no Código de Conduta da APIMEC Brasil para o Analista de Valores Mobiliários e na Política de Conduta dos Analistas de Valores Mobiliários da XP Investimentos.
  • O atendimento de nossos clientes é realizado por empregados da XP Investimentos ou por assessores de investimento que desempenham suas atividades por meio da XP, em conformidade com a Resolução CVM nº 178/2023, os quais encontram-se registrados na Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários – ANCORD. O assessor de investimento não pode realizar consultoria, administração ou gestão de patrimônio de clientes, devendo atuar como intermediário e solicitar autorização prévia do cliente para a realização de qualquer operação no mercado de capitais.
  • Para fins de verificação da adequação do perfil do investidor aos serviços e produtos de investimento oferecidos pela XP Investimentos, utilizamos a metodologia de adequação dos produtos por portfólio, nos termos das Regras e Procedimentos ANBIMA de Suitability nº 01 e do Código ANBIMA de Distribuição de Produtos de Investimento. Essa metodologia consiste em atribuir uma pontuação máxima de risco para cada perfil de investidor (conservador, moderado e agressivo), bem como uma pontuação de risco para cada um dos produtos oferecidos pela XP Investimentos, de modo que todos os clientes possam ter acesso a todos os produtos, desde que dentro das quantidades e limites da pontuação de risco definidas para o seu perfil. Antes de aplicar nos produtos e/ou contratar os serviços objeto deste material, é importante que você verifique se a sua pontuação de risco atual comporta a aplicação nos produtos e/ou a contratação dos serviços em questão, bem como se há limitações de volume, concentração e/ou quantidade para a aplicação desejada. Você pode consultar essas informações diretamente no momento da transmissão da sua ordem ou, ainda, consultando o risco geral da sua carteira na tela de carteira (Visão Risco). Caso a sua pontuação de risco atual não comporte a aplicação/contratação pretendida, ou caso existam limitações em relação à quantidade e/ou volume financeiro para a referida aplicação/contratação, isto significa que, com base na composição atual da sua carteira, esta aplicação/contratação não está adequada ao seu perfil. Em caso de dúvidas sobre o processo de adequação dos produtos oferecidos pela XP Investimentos ao seu perfil de investidor, consulte o FAQ. As condições de mercado, mudanças climáticas e o cenário macroeconômico podem afetar o desempenho do investimento.
  • A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço ou valor pode aumentar ou diminuir num curto espaço de tempo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. As informações presentes neste material são baseadas em simulações e os resultados reais poderão ser significativamente diferentes.
  • Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo assessores de investimentos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos.
  • 0800 77 20202. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710.
  • O custo da operação e a política de cobrança estão definidos nas tabelas de custos operacionais disponibilizadas no site da XP Investimentos: www.xpi.com.br.
  • A XP Investimentos se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste relatório ou seu conteúdo.
  • A Avaliação Técnica e a Avaliação de Fundamentos seguem diferentes metodologias de análise. A Análise Técnica é executada seguindo conceitos como tendência, suporte, resistência, candles, volumes, médias móveis entre outros. Já a Análise Fundamentalista utiliza como informação os resultados divulgados pelas companhias emissoras e suas projeções. Desta forma, as opiniões dos Analistas Fundamentalistas, que buscam os melhores retornos dadas as condições de mercado, o cenário macroeconômico e os eventos específicos da empresa e do setor, podem divergir das opiniões dos Analistas Técnicos, que visam identificar os movimentos mais prováveis dos preços dos ativos, com utilização de “stops” para limitar as possíveis perdas.
  • Ação é uma fração do capital de uma empresa que é negociada no mercado. É um título de renda variável, ou seja, um investimento no qual a rentabilidade não é preestabelecida, varia conforme as cotações de mercado. O investimento em ações é um investimento de alto risco e os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros e nenhuma declaração ou garantia, de forma expressa ou implícita, é feita neste material em relação a desempenhos. As condições de mercado, o cenário macroeconômico, os eventos específicos da empresa e do setor podem afetar o desempenho do investimento, podendo resultar até mesmo em significativas perdas patrimoniais. A duração recomendada para o investimento é de médio-longo prazo. Não há quaisquer garantias sobre o patrimônio do cliente neste tipo de produto.
  • O investimento em opções é preferencialmente indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. No mercado de opções, são negociados direitos de compra ou venda de um bem por preço fixado em data futura, devendo o adquirente do direito negociado pagar um prêmio ao vendedor tal como num acordo seguro. As operações com esses derivativos são consideradas de risco muito alto por apresentarem altas relações de risco e retorno e algumas posições apresentarem a possibilidade de perdas superiores ao capital investido. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto.
  • O investimento em termos são contratos para compra ou a venda de uma determinada quantidade de ações, a um preço fixado, para liquidação em prazo determinado. O prazo do contrato a Termo é livremente escolhido pelos investidores, obedecendo o prazo mínimo de 16 dias e máximo de 999 dias corridos. O preço será o valor da ação adicionado de uma parcela correspondente aos juros – que são fixados livremente em mercado, em função do prazo do contrato. Toda transação a termo requer um depósito de garantia. Essas garantias são prestadas em duas formas: cobertura ou margem.
  • O investimento em Mercados Futuros embute riscos de perdas patrimoniais significativos. Commodity é um objeto ou determinante de preço de um contrato futuro ou outro instrumento derivativo, podendo consubstanciar um índice, uma taxa, um valor mobiliário ou produto físico. É um investimento de risco muito alto, que contempla a possibilidade de oscilação de preço devido à utilização de alavancagem financeira. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto. As condições de mercado, mudanças climáticas e o cenário macroeconômico podem afetar o desempenho do investimento.
  • ESTA INSTITUIÇÃO É ADERENTE AO CÓDIGO ANBIMA DE DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS DE INVESTIMENTO.
  • A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


    Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies e a nossa Política de Privacidade.