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Novo governo, cenários e desafios econômicos | 25º Congresso Apimec Brasil

No 25º Congresso Apimec Brasil, economistas discutiram o cenário para o Brasil nos próximos anos

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Caio Megale, economista-chefe da XP, participou do painel de encerramento do 25º Congresso Apimec Brasil

Nova dinâmica global e ambiente doméstico: qual o cenário esperado para o Brasil nos próximos anos? No 25º Congresso Apimec Brasil, Caio Megale, economista-chefe da XP, dividiu um painel com outros economistas, Dalton Gardimam, da Ágora Investimentos e membro da comissão de economia da Apimec Brasil, e Ana Paula Vescovi. Mediado por Álvaro Bandeira, coordenador macro da comissão de economia da Apimec Brasil, o debate propôs traçar perspectivas para a economia brasileira e os mercados, considerando um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, disputa eleitoral e desafios macroeconômicos.

Endereçando as teses globais

Gardimam abriu a discussão analisando o contexto global atual. Segundo o economista, estamos vivendo um período “pouco usual”, com inúmeras alterações estruturais acontecendo ao mesmo tempo.

Conflito no Oriente Médio, dúvidas sobre o modelo econômico de países europeus e questionamentos em relação ao dólar americano como moeda de reserva, crescimento da inteligência artificial… segundo Gardimam, o mundo passa por uma mudança de padrão.

Sobre a IA, o economista levantou as incertezas de grande parte do mercado: será que bilhões de dólares investidos todo ano pelas companhias de tecnologia vão gerar os resultados esperados?

Quanto a isso, Gardimam possui uma visão mais positiva em relação à corrida da IA e afirmou que é preciso ter uma “muleta técnica”: olhar a taxa de crescimento de produtividade. Hoje, as empresas geram níveis de caixa robustos para investir em projetos massivos de tecnologia, bem diferente do cenário da bolha da internet, em que as companhias estavam muito endividadas.

Gardimam também endereçou o tema de IA às expectativas para a condução da política monetária americana: se as projeções do Federal Reserve, o banco central dos EUA, estiverem certas, tudo indica que as autoridades monetárias devem subir “um pouco” a taxa de referência.

“Os juros estão relativamente em paz, não estamos num cenário de grandes correções”, disse, referindo aos riscos potenciais com investimentos em inteligência artificial.

Brasil: o “ajuste educado” e “deseducado”

Para falar de Brasil, Vescovi reforçou a complexidade em que se encontra a economia doméstica: as incertezas em relação aos juros são grandes e a configuração do mercado financeiro mudou, com mais riscos no crédito privado do que no mercado bancário ultrarregulado.

Além disso, a economia segue desacelerando e a taxa de juros estrutural está em torno de 6%.

Para Vescovi, isso dá dois caminhos possíveis para o próximo ciclo econômico brasileiro: o “ajuste educado” (via ajuste fiscal) ou o “ajuste deseducado” (via mercado).

No primeiro cenário, um ajuste fiscal, com uma ampla revisão das regulações, contribuiria para baixar os juros reais do país, levando possivelmente a um crescimento mais substancial e gerando uma convergência maior, além de aumento na confiança dos mercados.

No caso do que a economista chama de “ajuste deseducado”, o cenário mais provável seria caracterizado por uma pressão inflacionária e por juros mais elevados, além de um PIB potencialmente menor, visto que as empresas não conseguiriam arcar com a carga tributária. O ajuste viria então pelos mercados.

Segundo Vescovi, um importante ponto a observar em 2027 é a qualidade das coalisões políticas que serão formadas após o período eleitoral.

A economista destacou o potencial do mercado brasileiro no contexto global: o Brasil tem alguns dos ativos mais demandados pelo mundo, seja pela necessidade de terras para o agronegócio, sejam minerais para alimentar a cadeia de IA ou até a oferta abundante de energias renováveis.

“Se dermos um sinal positivo de que somos capazes de […] reduzir o custo de capital e facilitar entrada de investimento, a gente vai gerar maior interesse pelos investidores”, reforçou.

Juros, inflação e câmbio: para onde caminhamos?

Megale trouxe ao painel a visão para os mercados. Sobre a direção do câmbio, ele destacou que existem diferenças dentro do ciclo atual, tanto no exterior quanto no Brasil.

“Não é direto dizer que o dólar vai se valorizar no cenário atual, mesmo com o Fed subindo juros”, afirmou, citando logo em seguida os riscos institucionais que crescem nos EUA.

Segundo Megale, para o Brasil e outros países exportadores de commodity, os termos de troca estão melhores do que nunca. Além da demanda cada vez maior por energia, da qual o Brasil é abundante, o petróleo virou um “amortecedor”, e desta vez, diferentemente dos últimos anos, estamos vendo preços de grãos subindo também.

“Só pensando em fatores externos, o Fed teria que subir muito (algo em torno de 2-2,5 p.p.) para mexer com nossa taxa de câmbio”, disse.

O desafio doméstico fica para o pós-período eleitoral, quando pautas sobre reformas governamentais e ajustes fiscais ganham maior atenção.

Para qualquer um dos cenários pensados (avanço nas reformas ou gastos governamentais ainda elevados), a visão do time de economia da XP é de que a atividade econômica vai ser fraca ano que vem.

A política fiscal deve se mostrar menos expansionista, na esteira da redução dos programas governamentais, o que deve dar mais espaço para o Banco Central continuar reduzindo a taxa Selic , desde que haja sinalizações de reformas.

As projeções macroeconômicas da XP consideram uma taxa Selic terminal de 13,25% em 2026 e 11,50% em 2027.

A inflação deve atingir 5% ao fim de 2026, caindo para 4,2% no final de 2027. O câmbio (R$/US$) esperado para o final de 2026 é de R$ 5,00, valor que deve subir para R$ 5,30 no final do próximo ano. Confira a tabela de projeções da XP para os principais indicadores econômicos neste link.

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