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Raízen é rebaixada e perde grau de investimento pela Fitch e S&P

Confira o rebaixamento do rating da Raízen pela Fitch Ratings e S&P Global.

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Em 09 de fevereiro de 2026, a Raízen teve suas notas de crédito rebaixadas pelas agências Fitch e S&P Global, conforme a seguir:

– Fitch: Raízen S.A. e a Raízen Energia S.A. (em conjunto “Raízen” ou “Companhia”) – downgrade de ‘BBB-‘ para ‘B’ na escala global e de ‘AAA(bra)’ para ‘BBB-(bra)’ na escala local, mantendo todas as classificações em ‘Observação Negativa‘.
S&P Global: Raízen S.A. (“Raízen”) – downgrade de ‘BBB-‘ para ‘CCC+’ na escala global e de ‘brAA+’ para ‘brCCC+’ na escala local. Ambos também foram colocados em ‘CreditWatch Negativo’.

As agências destacaram a frustração do aporte de capital esperado, em um contexto de premissas operacionais menos favoráveis para o açúcar e o etanol, com liquidez pressionada pelo consumo recorrente de caixa e por amortizações de dívida relevantes no curto prazo. Adicionalmente, a S&P ressalta a elevação do risco de reestruturação de dívida após a contratação de assessores financeiros e legais.

Visão da Fitch Ratings

A Fitch Ratings reforça que sua tese anterior, quando colocou os ratings em ‘Observação Negativa’ em outubro de 2025, considerava uma injeção relevante de capital no curto prazo, condicionante para a manutenção do rating em grau de investimento – o que não aconteceu. Sem esse suporte, a estrutura de capital permanece pressionada, com alavancagem incompatível com níveis superiores e deterioração dos indicadores de crédito.

A agência projeta alavancagem bruta próxima a 5,4x e líquida em torno de 5,0x pelos próximos dois anos, métricas consideradas elevadas para o setor e aderentes à categoria ‘B’. Ao mesmo tempo, o grande volume de dívida a vencer nos próximos 18 meses (R$ 10,5 bi) amplia o risco de refinanciamento, principalmente em um ambiente de custos mais altos.

Na frente operacional, a revisão incorpora menor moagem e preços mais baixos de açúcar, reduzindo receita e EBITDA. A geração de caixa permanece fraca, com fluxo de caixa negativo até 2027, dado o nível de capex (R$ 9,5 bi em 2026) e despesas financeiras elevadas.

A ‘Observação Negativa’ reflete a incerteza sobre o suporte dos controladores (Cosan e Shell), o que representa hoje um ponto crítico. Para a Fitch, a falta de visibilidade sobre aportes – mesmo que potencialmente capazes de reverter parte da deterioração – impede qualquer melhora na classificação no curto prazo.

Direcionadores de novo rebaixamento

Segundo a própria Fitch, fatores que podem levar a novo rebaixamento incluem:

  • Alavancagem bruta acima de 5,5x de forma recorrente;
  • Incapacidade de pré-pagar dívida com recursos provenientes de venda de ativos ou eventual capitalização; e
  • Deterioração adicional da flexibilidade financeira, especialmente se pressões de liquidez se intensificarem na ausência de novos financiamentos ou suporte dos acionistas.

A agência destaca ainda que uma elevação de rating é improvável no curto prazo, dependendo de melhora consistente da alavancagem e da estrutura de capital.

Visão da S&P Global

A S&P destaca que a probabilidade de reestruturação de dívida aumentou de forma relevante, à medida que a Companhia contratou assessores financeiros e legais em um contexto de frustração dos planos de capitalização e desinvestimentos, alavancagem persistentemente elevada e consumo recorrente de caixa.

O cenário operacional também permanece desafiador, com desempenho mais fraco em açúcar e etanol, mesmo diante da melhora gradual na distribuição de combustíveis. Com isso, a S&P projeta EBITDA ~R$ 11 bilhões em FY26 e alavancagem de 5,0x–5,5x, e, para FY27, volumes menores, preços de açúcar pressionados e EBITDA em torno de R$ 11,5 bilhões.

Embora a Raízen ainda disponha de um colchão de liquidez no curto prazo, a agência ressalta que a trajetória de queima de caixa, combinada a despesas financeiras substanciais e capex de manutenção na faixa de R$ 6–7 bilhões, compromete a sustentabilidade da posição de liquidez no horizonte relevante, podendo levar ao esgotamento do caixa na ausência de entradas significativas.

Direcionadores de novo rebaixamento

Há possibilidade de novo downgrade caso a Companhia avance para uma reestruturação de dívida (que pode ser tratada como default).

Fatores adicionais que podem precipitar ação negativa incluem a persistência da queima de caixa, elevação da alavancagem e a ausência de progresso em capitalização e venda de ativos que reequilibrem a estrutura de capital e a flexibilidade de liquidez.

Adicionalmente, a S&P aponta deterioração na avaliação de administração e governança, reforçando o viés negativo associado ao CreditWatch.

Análise XP Research 2T25/26 (data-base set/25)

Nota: Os resultados de dezembro de 2025 (3T25/26) serão divulgados no dia 12 de fevereiro de 2026, segundo site de RI da Raízen

(Com contribuição de XP Equity Research)

Sob uma perspectiva de crédito, o resultado da Raízen nesse último trimestre foi fraco, com piora relevante no prejuízo líquido, além de forte aumento no endividamento e alavancagem.

O EBITDA Ajustado (R$ 3,3 bilhões; -13% A/A) foi fraco, refletindo os desafios nos negócios de S&E e Mobilidade Argentina, que contrastaram com resultados fortes em Mobilidade Brasil.

Do ponto de vista de FCF, a Companhia apresentou um aumento significativo na dívida líquida (+49%) e na alavancagem (+2,5x), já que praticamente concluiu a substituição do risco-sacado por dívida de longo prazo — movimento que vemos de forma positiva em termos de perfil da dívida e legibilidade das demonstrações financeiras. Ressalta-se a redução A/A na parcela de curto prazo da dívida bruta, de 23% para 11%.

Por outro lado, vimos o FCF com melhores olhos. A Companhia reportou uma redução bem-vinda no Capex, juntamente com entradas de caixa provenientes da venda de ativos. Dos ~R$ 5 bilhões vendidos, ~R$ 1 bilhão já está na posição de caixa da Companhia e a administração mencionou durante a teleconferência de resultados que espera receber o valor restante até o final da safra 2025/26. Esses recursos serão usados exclusivamente para a redução de alavancagem.

Durante call de resultados, os executivos também destacaram que a safra atual permanece pressionada pela produtividade mais baixa, devido às queimadas do ciclo anterior, além da alavancagem elevada, de 5,1x Dívida Líquida/EBITDA.

Alta alavancagem, FCF limitado e margens fracas em S&E permanecem como pontos negativos, embora acreditemos ser importante destacar alguns pontos positivos: (i) redução significativa de 26% A/A em G&A (-23% vs. 6M25); (ii) margens fortes no negócio de distribuição de combustíveis, acima dos pares listados; (iii) redução relevante de Capex, ajudando a preservar caixa; e (iv) quase 95% do açúcar disponível (~50% do total) já protegido (hedge) a preços atrativos para 2026/27.

Como evento subsequente, a Companhia concluiu, no dia 13 de novembro, a contratação de uma linha de crédito rotativo (”RCF”), no montante de US$ 1 bilhão, com vencimento em cinco anos, em substituição às linhas que estavam vigentes.

Em suma, nossa visão de crédito é de que a Companhia ainda precisa reforçar seu caixa e geração de fluxo de caixa para equacionar a questão do endividamento e alavancagem. As iniciativas de venda de ativos e renovação de RCF são positivas nesse sentido, mas acreditamos que ainda haveria a necessidade de um aporte de capital.

Fontes

Fitch Ratings

S&P Global

S&P Global – National Ratings

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