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IPCA de dezembro: Inflação encerra 2025 em 4,26%, com sinais mistos

Inflação recuou para 4,26% em dezembro, dentro do intervalo de tolerância da meta.

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O IPCA subiu 0,33% em dezembro, segundo o IBGE, praticamente em linha com as nossas projeções e do mercado (0,32%). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,46% para 4,26%, encerrando 2025 abaixo do teto da meta (4,50%). A leitura confirmou o cenário antecipado pelo IPCA-15: serviços aceleraram, enquanto alimentos e bens industrializados seguiram em patamares benignos.

O regime de metas de inflação é parte do que chamamos de política monetária – a política responsável pelo controle da quantidade de moeda em determinada economia, que fica sob a responsabilidade do Banco Central. 

Esse regime determina uma meta de inflação explícita e numérica (% ao ano), a ser perseguida pelo Banco Central. No caso brasileiro, a meta de inflação atual é de 3,0%. Isso significa que o Banco Central tem a responsabilidade de controlar a alta de preços de maneira contínua, de modo que se mantenha no ritmo de 3,00%. 

O modelo brasileiro também inclui uma banda de tolerância de 1,50 pontos percentuais para cima e para baixo. Essa “banda” serve para acomodar eventuais choques, como por exemplo uma seca que afete a produção de alimentos e eleve a inflação além do controle do Banco Central, ou uma pandemia que derrube os preços. 

Caso o IPCA se mantenha acima do limite de 4,5% por seis meses consecutivos, o presidente do Banco Central deve enviar uma carta ao Presidente da República indicando: i) os motivos do não atingimento da meta; ii) medidas planejadas para que a inflação retome à meta; e iii) o tempo projetado para que isso se concretize.

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Serviços voltam a acelerar

Os serviços subjacentes avançaram 0,56%, ligeiramente acima da projeção (0,54%), e sua média anualizada em três meses (3M SAAR) saltou de 4,0% para 5,1%. Já os serviços intensivos em mão de obra subiram 0,77%, acima da expectativa (0,71%), com 3M SAAR acelerando de 6,8% para 7,9%, maior nível desde março.

No acumulado em 12 meses, serviços encerraram o ano em 5,95%, enquanto os intensivos em trabalho chegaram a 6,83%, refletindo um mercado de trabalho aquecido, com desemprego na mínima histórica e métricas salariais em ascensão. Esse comportamento reforça que a inflação de serviços deve desacelerar apenas gradualmente em 2026 – projetamos 5,3%.

Vale lembrar que o comportamento dos preços de serviços é essencial para análise do cenário de inflação prospectiva no país. Em outras palavras, o que apontam preços como de cabelereiros, médicos e cinemas pode sinalizar mais sobre o comportamento futuro da inflação do que se imagina.

Isso porque a inflação do grupo é menos impactada pelos chamados movimentos de “oferta” (como o clima e a redução ou aumento da oferta de determinada commodity); refletindo mais a dinâmica dos salários e do nível de demanda na economia.

Afinal, quanto mais aquecida a economia, maior tende a ser o nível de emprego e, consequentemente, a pressão sobre salários. Esse movimento se torna ainda mais relevante em economias nas quais serviços tem maior peso, como a do Brasil, onde o setor responde por cerca de 70% do PIB e a maioria dos empregos do país.

Assim, como destacado, a inflação de serviços deve seguir como um dos principais motivos de cautela adiante.

Bens industrializados: alta pontual, mas tendência segue moderada

Os preços de bens industrializados subiram 0,48% em dezembro, levemente acima da expectativa (0,44%). Essa alta foi influenciada principalmente pelo aumento nos preços de aparelhos telefônicos, que tiveram reajustes relevantes no mês, e pela inflação de vestuário, que também contribuiu para pressionar o grupo. Por outro lado, a deflação observada em meses anteriores nos bens duráveis se reverteu, com uma alta de 0,35%, após cinco quedas consecutivas. Bens duráveis são, por exemplo, automóveis, eletroeletrônicos, eletrodomésticos e móveis.

Apesar dessa aceleração pontual, a tendência geral continua moderada. A média anualizada em três meses recuou para 1,2%, e no acumulado em 12 meses o grupo fechou em 2,39%. Para 2026, nossa projeção é de 2,2%, sustentada pela dinâmica ainda benigna dos preços ao produtor (IPA-FGV) e por queda relevante no preço do etanol.

Alimentos têm leva alta após seis meses de deflação

Os preços de alimentação no domicílio subiram 0,14%, em linha com a projeção (0,12%), encerrando 2025 com alta acumulada de 1,4%. Essa reversão ocorre após seis meses consecutivos de queda e reflete condições climáticas menos favoráveis, como chuvas intensas e ondas de calor, que pressionam hortifrutis sobretudo. Para 2026, projetamos alta de 4,5%, acima da média histórica, exigindo atenção à sazonalidade e ao clima.

As coletas para dezembro indicavam uma leitura ainda benigna, mas já em terreno inflacionário (positivo). No fim do ano, a demanda aumenta com festas e férias, o que eleva os preços. Para janeiro, dada a quantidade de chuvas e calor intenso, é esperada aceleração significativa.

Selic deve seguir alta por mais um tempo

O resultado reforça que a desinflação no Brasil tem sido concentrada mais em itens de alimentação e de bens industrializados, enquanto os serviços permanecem pressionados. Nossa visão é de que os dados não alteram a estratégia do Copom substancialmente, embora espaço para cortes já comece a aparecer. Em nosso cenário base, esperamos que o Banco Central inicie corte de juros em março, reduzindo a Selic até 12,50% em cinco cortes de 50 p.p..

Por fim, projetamos IPCA em 4,0% em 2026 e 2027.

Como se proteger da alta de preços? 

Como vimos, a inflação segue como um dos principais motivos de cautela e atenção para a economia brasileira.  Assim, proteger seu patrimônio contra a alta de preços se torna ainda mais essencial.   

Títulos indexados à inflação (como o título público NTN-B 2030), emissões bancárias de instituições sólidas e com boa classificação de risco, debêntures incentivadas (sem cobrança de Imposto de Renda ao investidor) e fundos de investimento com gestão ativa em renda fixa são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.

Outra classe de ativos que pode ajudar o investidor a se proteger da inflação são os fundos imobiliários.  Apesar de estarem sofrendo diante de expectativas de juros mais altos adiante, os  FIIs  podem ser aliados do investidor em um cenário cauteloso de alta de preços, por serem muitas vezes atrelados a índices de inflação. Aqui te indicamos nossa carteira recomendada de Fundos Imobiliários. 

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, confira o detalhe das nossas recomendações de investimento atualizadas de acordo com o seu perfil de investidor no “Onde Investir”

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