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Grupo José Alves (GJA) é rebaixado pela S&P para ‘brBB-/Negativo’

Entenda o rebaixamento do rating para o Grupo José Alves (GJA) pela S&P.

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Em 24 de setembro de 2026, a S&P National Ratings rebaixou o rating de crédito de emissor da GJA Indústrias S.A. para brBB-, ante brBBB+, mantendo a perspectiva negativa. A agência também reduziu para brBB- (sf) os ratings das operações estruturadas com risco de crédito do Grupo. A ação refletiu principalmente a revisão para baixo das projeções de resultado, a manutenção da alavancagem em patamar elevado, a deterioração da liquidez e a possibilidade de necessidade de novo waiver para os covenants ao final de 2026. O movimento ocorre poucos dias após a Moody’s Local Brasil também rebaixar a classificação da GJA para BB-.br, de BBB+.br, com perspectiva negativa.

Visão da S&P National Ratings

A S&P National Ratings revisou significativamente suas projeções para a GJA Indústrias, refletindo a recuperação mais lenta da Vitamedic, operação farmacêutica do Grupo, o atraso no ramp-up da N&L, empresa do segmento de higiene e limpeza, e a expectativa de crescimento mais moderado da Refrescos Bandeirantes, diante da desaceleração do consumo em um ambiente macroeconômico mais desafiador. Com isso, a agência reduziu sua estimativa de EBITDA para 2026 e passou a projetar dívida líquida ajustada sobre EBITDA ajustado de 6,6x ao final do ano, ante expectativa anterior de 4,0x, além de fluxo de caixa operacional livre ainda negativo.

A pressão sobre os covenants também foi determinante para o rebaixamento. Apesar das alterações negociadas em 2025, a S&P considera provável a necessidade de um novo waiver ao final de 2026 para alavancagem e cobertura de juros, diante da menor geração de caixa e das despesas financeiras elevadas. A agência também revisou sua avaliação de liquidez de suficiente para insuficiente, considerando a reduzida cobertura entre fontes e usos de caixa e a pressão para o cumprimento das cláusulas financeiras.

Na avaliação da agência, a operação de bebidas permanece como o principal suporte dos resultados e da geração de caixa do Grupo, mas já não é suficiente para compensar integralmente o desempenho deficitário das operações farmacêutica e de higiene e limpeza.

A S&P National Ratings também avalia o fator administração e governança como negativo, com impacto de um nível sobre o perfil de crédito individual da companhia. Embora o relatório não detalhe os elementos específicos dessa avaliação, a agência associa as sucessivas frustrações de desempenho à estratégia da administração, marcada por investimentos em negócios que ainda não apresentaram o retorno esperado e continuam pressionando as métricas consolidadas.

A perspectiva negativa indica a possibilidade de novo rebaixamento nos próximos seis a 12 meses caso não haja recuperação dos segmentos deficitários, redução da alavancagem e melhora da liquidez. A agência também alerta que a não obtenção de um eventual waiver poderá resultar em um rebaixamento de múltiplos níveis, diante do risco de aceleração das dívidas.

Nossa visão

O novo rebaixamento reforça a deterioração do perfil de crédito do Grupo e indica que os riscos apontados em nossa análise anterior se materializaram em um intervalo relativamente curto. Em nosso relatório com data-base de dezembro de 2025, publicado em julho, avaliávamos que a solidez da Refrescos Bandeirantes ainda conferia ao Grupo capacidade para administrar sua estrutura de capital, desde que houvesse redução do suporte financeiro aos negócios em maturação e contenção de novos investimentos. O capex acima do previsto no 1S26, entretanto, aumentou a pressão sobre a liquidez e reduziu a margem de segurança proporcionada pela operação de bebidas.

Embora a Refrescos Bandeirantes continue apresentando fundamentos operacionais sólidos, sua geração de caixa permanece direcionada não apenas ao serviço da dívida, mas também ao financiamento de operações que ainda não demonstraram capacidade de se sustentar financeiramente. A qualidade do principal ativo do Grupo continua, portanto, sendo um mitigante relevante, mas já não compensa integralmente os efeitos da alocação de capital nos segmentos farmacêutico e de higiene e limpeza. A manutenção dessa dinâmica tende a restringir progressivamente a flexibilidade financeira do conglomerado, mesmo que o desempenho da operação de bebidas permaneça resiliente.

A estabilização do perfil de crédito dependerá de maior disciplina na alocação de capital, da preservação dos recursos gerados pela Refrescos Bandeirantes e, principalmente, da redução do suporte financeiro aos negócios ainda em maturação. A companhia informou que vem implementando iniciativas de redução de custos nessas operações e espera avanço do ramp-up ao longo de 2027. Os dados preliminares e não auditados de junho de 2026 já apontam uma melhora moderada dos indicadores de rentabilidade, especialmente na Vitamedic, que reduziu seus prejuízos, embora ainda permaneça deficitária e dependente de recursos do Grupo.

Apesar dos sinais iniciais de evolução, entendemos que a preservação da liquidez exige uma redução célere e relevante dos recursos direcionados pela Refrescos Bandeirantes às operações ainda deficitárias, ainda que essa medida implique uma trajetória mais gradual de ramp-up desses negócios. Nesse cenário, a destinação de recursos aos acionistas também deve observar a necessidade de preservação da liquidez e de fortalecimento da estrutura de capital consolidada. O reperfilamento do passivo pode contribuir para administrar a concentração dos vencimentos, mas não substitui a adoção de medidas efetivas para preservar a geração de caixa do principal ativo do Grupo e conter a deterioração financeira. Até que haja evidências concretas dessa mudança na alocação de recursos, os riscos de refinanciamento e de novos waivers devem permanecer elevados, em linha com a perspectiva negativa atribuída pela agência.

Fontes

S&P e XP Research.

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