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Credit Research da XP estreia na CEO Conference e promove Site Visit na Águas do Rio

Confira os principais insights do site visit à Águas do Rio, desde os desafios da expansão do saneamento em áreas densamente povoadas até as discussões sobre capex, estrutura de capital e perspectivas de crescimento da operação.

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A CEO Conference deste ano reuniu 106 companhias, mais de 200 executivos e mais de 450 investidores, e foi a primeira edição com participação do time de Credit Research da XP e com ampliação da presença das Assets de Crédito. A leitura de crédito passou a sentar na mesma sala dos analistas de equity, que ouviram muito mais sobre alavancagem, covenant, estrutura de funding e alocação de capex. Para nós, é a confirmação de que os fundos de crédito vêm ganhando espaço dentro das Assets e na agenda das companhias.

Aproveitamos o evento para organizar um site visit na Águas do Rio, nome que cobrimos no Credit Research da XP, com 15 investidores institucionais. Tiramos o grupo do Copacabana Palace e levamos para a Comunidade da Maré, acompanhar de perto a evolução do capex que todos estão ajudando a financiar.

Confira a seguir alguns destaques da visita!

1. Maré: uma comunidade de 200 mil pessoas e um capex de mais de R$ 120 milhões

Passamos a manhã na comunidade da Maré, e o que mais impressionou o grupo foi a complexidade física do investimento. Vimos obras sendo executadas em becos de menos de 70 centímetros de largura para viabilizar a ligação domiciliar de esgoto no last mile, onde não passa nem um carrinho de mão, porque ele não cabe no beco. Uma equipe que faria 20 metros de expansão em um dia entrega 2 metros ali.

Desta forma, conseguimos entender que essa complexidade explica por que o custo por ligação em área densa de comunidade não se compara ao de uma expansão convencional de rede, e é ela também que transforma a tecnologia não destrutiva em condição de viabilidade: sem ela, boa parte da intervenção não acontece. Para conseguir operar na Maré todos os dias, eles usam uma tecnologia parecida com as do tatuzão, do metro de São Paulo, que minimiza os impactos no dia a dia da população local.

O segundo aprendizado foi comercial. Acompanhamos a atuação do programa Vem com a Gente, braço de relacionamento e conversão da companhia dentro das comunidades. O programa parte de uma lógica de integração: dos 8 mil funcionários da Águas do Rio, cerca de metade vem de comunidades, o que ajuda em todo o ciclo, da medição e da cobrança até a execução das obras. Além disso, ouvimos muito o termo Licença Social para Operar (LSO), um conceito vindo do setor de exploração de recursos naturais, mas adaptado às atividades feitas pela Aegea, que representa a permissão tácita e cultural concedida pelas pessoas diretamente afetadas pelo negócio da empresa, baseada na credibilidade, no diálogo e na confiança. Exploramos esse conceito em nosso IoC Report.

À tarde fomos ao Centro de Operações Integrado (COI), onde a companhia gerencia uma área de atuação enorme a partir de painéis distintos de controle. Vimos acompanhamento de vazão em tempo real, visões segmentadas por bloco e município, e o uso de tecnologia israelense de monitoramento de solo para detecção de vazamentos. O ponto se conecta diretamente à tese de crédito: a redução de perdas na Águas do Rio saiu de quase 63% no 1T22 para 43,7% no 2T26, e o trabalho segue em direção à meta contratual de 25%.

Almoço com Anselmo e Radamés: as mensagens que importam

Encerramos o dia em um almoço com Anselmo Leal, CEO da Águas do Rio, e Radamés Casseb, CEO da Aegea, em formato aberto de perguntas e respostas. Destacamos abaixo o que consideramos mais relevante para crédito.

Tarifa e inadimplência. Exploramos a lógica de expansão da Tarifa Social, que ajuda no controle das perdas de água ao mesmo tempo em que sustenta o reajuste tarifário dos clientes de maior poder aquisitivo, que estão na tarifa cheia. Ao incluir um cliente na tarifa social e instalar um hidrômetro na casa dele, o consumo tende a cair para menos da metade, o que contribui diretamente para o EBITDA pela redução da compra de água. Mesmo que esse cliente não pague a Tarifa Social, que hoje é de 30 reais para água e 30 reais para esgoto, a inclusão dele contribui para o aumento médio de tarifa praticado nos demais clientes. A tarifa média não sobe na mesma magnitude do reajuste anunciado porque o reajuste incide sobre a base que já paga efetivamente, grandes comércios e clientes de alta renda, enquanto os novos clientes incorporados entram majoritariamente em tarifa social, diluindo o efeito médio.

Desalavancagem, capex e IPO. A consolidação da estrutura da Águas do Rio dentro do balanço da Aegea, inicialmente planejada para 2027, deve ficar para 2028, diante da pressão no covenant e do cenário macro. A resposta será realocar capex em direção a ligações de esgoto e água, de retorno mais curto, reduzindo projetos de maturação longa. O EBITDA segue em trajetória forte, com expectativa de R$ 2,9 bilhões neste ano e CAGR de aproximadamente 16,1% entre 2026 e 2030, segundo nosso modelo.

O que vem pela frente

Este site visit é parte de uma agenda maior. Estamos expandindo a atuação do Credit Research da XP para além do relatório, com mais acesso a management, mais agendas de campo e mais canais diretos entre o investidor institucional de crédito e as companhias que cobrimos.

Agradecemos à Aegea e à Águas do Rio pela abertura, e aos investidores que toparam trocar a sala de reunião por um dia de caminhada no sol na Comunidade da Maré.

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