Vacinação do grupo de risco será completada no primeiro semestre; de todos os brasileiros, até o fim do ano

Grupo de risco deve ser vacinado até 22 de junho. População adulta, até 27 de dezembro


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Nesse segundo estudo sobre o ritmo de vacinação, atualizamos o calendário de vacinação, adicionamos mais brasileiros aos grupos prioritários para entender quando podemos esperar uma queda no número de casos graves e óbitos e estimamos quando a população adulta completará a vacinação, de modo que o número de novos casos também caia significativamente mesmo com reabertura da economia.

A depender da disponibilidade de oferta e capacidade de aplicação de doses, para os grupos de risco, a vacinação pode ser completada entre maio e junho. Para a população acima de 18 anos, entre o final de agosto e dezembro.

Pensando no número de pessoas e doses, trouxemos dois grupos-alvo:

O primeiro, focado no declínio da taxa de mortalidade, é composto por idosos acima de 60 anos, indígenas, povos tradicionais, trabalhadores de saúde e por pessoas de 18 a 59 anos com comorbidades. Segundo o ‘Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19’, a soma desses grupos é de 56,6 milhões. No entanto, retiramos 9% desse número, pois a nossa última pesquisa XP/Ipespe apontou que essa é a fração da sociedade que não deseja ser vacinada. Com isso, restam 51,55 milhões nessa condição de grupo de risco, o qual necessitará de 103,1 milhões de doses.

O segundo grupo-alvo, é a população adulta em si, estimada pelo IBGE para ano em pouco mais de 160 milhões de brasileiros. Ainda no contexto de duas doses, seriam necessárias cerca de 320 milhões. Ao aplicarmos o desconto de 9%, seriam então 291,3 milhões de doses. O número é conservador, pois a aplicação de doses por faixas etárias, que supostamente completaram a vacinação, tem ficado abaixo disso.

Para ambos, desconsideramos o fato de a vacina da Janssen necessitar de apenas uma dose, uma vez que o calendário prevê entregas apenas no último trimestre quando, em tese, já haverá doses suficientes para vacinar todos os brasileiros adultos. Mas com atrasos e possíveis cancelamentos, não há dúvida que é desejável ter mais doses disponíveis a ter menos.

A série histórica de vacinação foi extraída do projeto Coronavírus Brasil, que coleta dados diretamente das secretariais estaduais de saúde.

Calendário de recebimento de doses: Utilizamos o cronograma de vacinação do Ministério da Saúde, mas retiramos a indiana Covaxin após a Anvisa negar o pedido de certificação do laboratório da vacina, o que retira 20 milhões de doses entre os meses de março e maio.

Para aquelas vacinas cuja previsão de entrega está em um trimestre e sem data confirmada, como a da Janssen, dividimos igualmente a quantia para cada mês. Por fim, teremos 185,8 milhões de doses até final de junho e 542,9 milhões até o final do ano.

Cenários

Criamos também dois cenários. O primeiro, mais conservador, segue a premissa do Ministro da Saúde de que atingiremos a média de 1 milhão de vacinados por dia em meados de abril, mas, depois, determinamos que não haverá aceleração adicional, seja por problemas no recebimento de doses e/ou na capacidade de aplicação.

O outro cenário, que podemos chamar de otimista, considera que o cronograma será respeitado à risca, com todas as doses aplicadas no mês previsto para seu recebimento.

Resultados

Para os grupos de risco, o cenário com limitações prevê vacinação completa no dia 22 de junho, enquanto no otimista a marca seria alcançada no dia 23 de maio. Já para a população em geral (acima de 18 anos), no cenário com restrições, a vacinação poderia acabar em 27 de dezembro. No cenário otimista, em 20 de agosto.

Vale ressaltar que a vacinação de grupos de risco pode ser afetada pela inclusão de categorias como forças de segurança, professores e outros, que buscam lugar à frente na fila, o que pode atrasar a vacinação completa dos grupos mais vulneráveis.

Comparação com estudo anterior

Apontamos 3 mudanças principais em relação ao nosso primeiro relatório sobre o tema.

(i) Ritmo de vacinação: estimamos curvas que poderiam dar alguma sinalização do ritmo de vacinação no Brasil. Utilizamos dados até o dia 14/03, quando a média móvel semanal de aplicações estava em 334 mil ao dia e não havia muita clareza da capacidade do nosso sistema de saúde dar vazão às doses. Em apenas 15 dias, a média móvel aumentou para 655,3 mil ao dia, sendo que apenas no dia 29 de março foram vacinados quase 940 mil brasileiros.

A aceleração de ritmo está possivelmente associada à recomendação do Ministério da Saúde, para que todas as vacinas fossem aplicadas, sem o zelo de resguardar a segunda dose de reforço. De qualquer forma, sabemos hoje que nosso sistema de saúde, dada quantidade suficiente de vacina ofertada, é capaz de superar em muito a marca de 1 milhão apontada pelo novo Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

(ii) Elevamos os brasileiros nos grupos de risco de 33 milhões para 56,6 milhões ao incluir além de brasileiros acima de 60 anos e profissionais da saúde, também pessoas entre 18-59 anos com comorbidades, indígenas e povos tradicionais.

(iii) Calendário de vacinação: como detalhado acima, atualizamos o calendário de vacinação conforme alterações do MS e decisões da Anvisa.

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