Eleição americana pode surpreender e afetar os mercados

A disputa pela presidência dos Estados Unidos está a todo vapor, confira abaixo as últimas novidades sobre o evento que deve impactar mercados nos próximos meses.


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* O time de análise política faz agradecimento especial ao estrategista chefe global da XP, Alberto Bernal, por sua colaboração.

A eleição americana está no radar dos investidores como evento que pode trazer volatilidade até o final ano e, para colocar números em discussão, destacamos um estudo realizado pelos times de Análise Política e Estratégia Macro da XP sobre o impacto dos principais cenários eleitorais nos mercados por lá e por aqui.

Cenário 1: Eleição de Joe Biden (Democrata) com Congresso dividido

O cenário-base do time de análise política da XP é uma vitória democrata na Casa Branca e na Câmara dos Representantes, mas com os republicanos mantendo o controle do Senado. Consideramos que seria um cenário positivo para os investimentos, já que as propostas mais arrojadas de Joe Biden teriam que ser negociadas e moderadas para ser aprovadas. Além disso, um resultado eleitoral acirrado daria pouco espaço para que a ala mais progressista, que defende propostas como quebrar o monopólio de empresas de tecnologia ou a proibição de seguros de saúde privados, ganhe maior influência nas decisões da Casa Branca. 

Cenário 2: Eleição de Donald Trump (Republicano) com Congresso dividido

O segundo cenário com maior probabilidade de se materializar é uma continuação do atual quadro político, ou seja, Donald Trump na presidência, republicanos retendo maioria no Senado, e democratas na Câmara dos Representantes o que seria também positivo para os mercados. A vitória de Trump significaria que não haveria novos aumentos de impostos ou mudanças relevantes no sistema de saúde, como defendido pelos democratas. Do mesmo modo, o controle democrata da Câmara dos Democratas implicaria a moderação de propostas republicanas mais arrojadas, o que fomentaria estabilidade política. 

Nos dois cenários, apesar de uma composição setorial potencialmente diferente, esperamos reação semelhante dos mercados, com o S&P em 3.550 pontos e o Ibovespa em 115 mil ao fim de 2020.Estimamos que haveria também pouco impacto para taxa de câmbio, mantendo a expectativa de R$ 5,20 por dólar no fim do ano.

Cenário 3: Eleição de Joe Biden (Democrata) por larga margem e com Senado democrata 

Esse cenário tem probabilidade menor que os outros dois, mas é o mais adverso para mercados. Vale ressaltar que uma vitória democrata no Senado deve acontecer apenas se Joe Biden vencer a presidência por ampla margem, já que existe uma forte correlação entre a votação presidencial e parlamentar num cenário de polarização. Não acreditamos que este cenário deve se materializar dado a tendência positiva, ou ao menos de estabilidade, nas variáveis de maior peso na definição da eleição, como o Covid-19 e a economia, que devem favorecer Trump e diminuir a vantagem do democrata. 

De toda forma, neste quadro Biden encontraria pouca resistência a suas propostas, inclusive às mais arrojadas como aumentos de tributos, regulação antitruste mais agressiva e controles de preços de medicamentos. Nessa conjuntura, a maior parte dos setores sofreria com aumento de impostos, mas o farmacêutico e de energias não renováveis sofreriam mais devido a reorientação da Casa Branca.

Para esse cenário, segundo o nosso Estrategista Global, Alberto Bernal, o S&P poderia cair até 2.900 pontos no final do ano, 18% abaixo do cenário base atual. Caso o S&P500 tenha uma forte realização, dificilmente o Ibovespa passaria ileso, segundo o Estrategista-Chefe Fernando Ferreira. Usando como base a relação histórica entre os índices, o Ibovespa ficaria entre 90-93 mil pontos, cerca de 10% abaixo do nível atual e 19% abaixo do cenário base.

No lado do câmbio, a projeção é que o dólar alcançaria R$ 5,36 no final de 2020. Pensando em riscos para essas projeções, pelo choque no mercado americano ter uma configuração mais local e que deve ser contrabalanceado de alguma forma pelo Fed, os efeitos no Brasil tendem a ser limitados e podem ser menores do que estimamos, não maiores.

Para efeitos de comparação, um levantamento feito pela XP com 48 investidores institucionais nos dias 8 e 9 de setembro mostrou que expectativa é que o Ibovespa feche o ano em 109 mil pontos e o câmbio a R$ 5,20 antes de se considerar o cenário eleitoral americano. Para esses gestores e economistas que responderam à sondagem, o efeito praticamente nulo nos cenários em que o Senado continua com o os republicanos e no cenário em que Biden vence e seu partido controla ambas as Casas legislativas, a expectativa de queda no Ibov é de apenas 3.7%, bastante abaixo da expectativa que colocamos em nosso exercício (até -19%). O efeito esperado para o câmbio, no entanto, é nulo.

Comércio global

No lado do comércio global, a abordagem da política externa num governo Biden deve ser mais institucional que a do atual presidente e coordenada com países aliados, o que deve reduzir incertezas. No entanto, não esperamos que o democrata reverta tarifas impostas sobre produtos chineses, já que o eleitorado americano tem uma visão cada vez mais negativa da segunda maior economia do mundo.

Quanto às relações comerciais e diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos, uma vitória Biden seria acompanhada de uma nova tendência nas relações presidenciais entre os países dado o alinhamento entre o presidente Jair Bolsonaro e Donald Trump. Aumenta a possibilidade de episódios de tensão em torno do tema ambiental, dado que o tópico tem peso na agenda democrata e o governo brasileiro tem tido dificuldade em projetar uma imagem positiva sobre sua política nessa área na comunidade internacional. No entanto, as relações comerciais e diplomáticas entre os países são sólidas e de longa data e, portanto, não devem ser afetadas de forma significativa.

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