Tira-teima: como vão os Fundos de Crédito?

Quase dois meses após termos feito um “chute educado” sobre quais eram nossas perspectivas para os fundos de Crédito Privado da indústria local, voltamos ao tema para fazer uma atualização de como nossas previsões têm se saído até agora.

access_time 28/01/2020 - 13:47
format_align_left 6 minutos de leitura

Quase dois meses após termos feito um “chute educado” sobre quais eram nossas perspectivas para os fundos de Crédito Privado da indústria local (confira aqui), voltamos ao tema para fazer uma atualização de como nossas previsões têm se saído até agora.

O segundo semestre de 2019 foi traumático (e elucidador) para muitos investidores de fundos de Crédito Privado. A decepção ocorreu não tanto pela intensidade dos retornos em si que, embora tenham ficado aquém do esperado, passaram ao largo de ser uma catástrofe como a observada nos fundos de Crédito nos Estados Unidos em 2008, por exemplo. Enquanto na terra do Tio Sam centenas de fundos de crédito amargaram perdas que superaram a casa dos 20% durante a crise, por aqui o que vivenciamos foi apenas uma leve correção nos preços dos ativos, com os piores fundos amargando perdas entre 1% e 2% entre julho e dezembro e grande parte dos outros fundos com retornos positivos entre 1,5% e 2,5% (contra um CDI de 2,80% na mesma janela temporal).

Looooooooooonge de um desastre.

Ainda assim, traumatizou muita gente por um outro motivo: quebra de expectativas. Podem não parecer retornos muito ruins, de fato, mas a grande maioria dos investidores não sabia que tais fundos podiam oscilar tanto e, muito menos, que podiam apresentar retornos negativos. Agora sabemos!

Tentando ajudar no gerenciamento das expectativas futuras, pensamos em fazer essa atualização após quase dois meses de publicarmos nossas impressões sobre o que poderia acontecer com os fundos de crédito no curto prazo.

A seguir, um “tira-teima” entre o que esperávamos que poderia acontecer e o que de fato aconteceu.

Fonte: JGP Investimentos

Dezembro/2019

I) Nossas expectativas

II) O que de fato aconteceu

Os resultados foram um pouco melhores do que esperávamos, com o mercado se recuperando de maneira importante ainda em dezembro. Cerca de 2/3 da amostra de fundos de Crédito “High Grade” que acompanhamos (fundos de riscos baixo a médio) encerrou o mês com ganhos acima do CDI (entre 120% e 130% do CDI).

Nessa categoria, encontram-se também os fundos de Previdência com exposição a Crédito, que estão sujeitos à mesma dinâmica de mercado que afeta os outros fundos, mas renderam um pouco menos, pelo fato de terem as carteiras um pouco mais restritas por conta de legislação específica.

Aqueles que não conseguiram retornos acima do índice, no entanto, não ficaram muito para trás e, em nenhum caso presente na amostra observamos retornos negativos (retornos ficaram entre 70% e 90% do CDI).

Fomos surpreendidos (positivamente) com os fundos de Debêntures Incentivadas, que, em sua grande maioria, fecharam o mês com retornos bastante acima do CDI (entre 150% e 170% do CDI).

Olhando um índice mais amplo do mercado de Crédito (Idex-JGP), que procura mensurar o desempenho agregado das principais debêntures negociadas no dia a dia, vemos que a magnitude da recuperação foi grande: o índice encerrou o período com desempenho surpreendente de 160% do CDI.

Idex-JGP: debêntures apresentaram retornos fortes em dezembro/2019

Em termos de captação nos fundos, nossas expectativas foram confirmadas: os resgates nos fundos continuaram, mas numa magnitude menor. Dentro da nossa lista de acompanhamento de fundos, o total de resgates foi cerca de 20% inferior ao valor observado em novembro.

Janeiro/2020

I) Nossas expectativas

II) O que de fato aconteceu

Novamente, fomos surpreendidos com relação aos retornos: os desempenhos observados ao longo do mês têm sido bem mais fortes do que esperávamos e ainda melhores do que os de dezembro.

Os fundos High Grade têm rodado entre 125% e 135% do CDI (com base em dados de 24/01/2020) e os fundos de Debêntures Incentivadas continuam se recuperando, com desempenhos mais voláteis, mas bem positivos (oscilando entre 130% e 170% do CDI). Fundos de Previdência com exposição a Crédito têm rodado entre 105% e 115% do CDI, na média, mas com um pouco mais de dispersão de retornos (alguns fundos ainda abaixo do CDI).

Em termos de captação, os resgates diminuíram de maneira generalizada, conforme prevíamos: resgates somados dentro da nossa amostra estão cerca de 50% inferiores aos de dezembro.

Próximos meses

Revisando nossas estimativas, acreditamos que o caminho de recuperação à frente acontecerá, grosso modo, em linha com o que havíamos descrito em dezembro:

  1. Resgates cada vez menores nas próximas semanas, com probabilidade de se reverterem em novas captações positivas ainda antes do Carnaval.
  2. Fundos High Grade com desempenhos mais fortes no curto prazo (120% a 130% do CDI), mas normalizando para patamares um pouco mais baixos ao longo do semestre (110% a 120% do CDI)
  3. Fundos de Debêntures Incentivadas com retornos muito bons ao longo do ano (talvez 130% a 150% do CDI), mas com oscilações maiores do que os fundos High Grade, dado que, em geral, carregam ativos mais arriscados.  

Apesar de o mercado de ter melhorado mais rápido do que esperávamos, acreditamos que, daqui para frente, será sempre importante que os investidores tenham em mente que os fundos que se expõem a Crédito continuarão oscilando no mês a mês e que é preciso investir com a cabeça de manter as aplicações por no mínimo, 12 a 24 meses. Para os recursos destinados àquela reserva de emergência, uma opção boa são fundos com baixa exposição a Crédito ou sem nenhuma exposição (aqui vai uma opção: Trend Pós-Fixado).

Para os recursos que podem “aguentar desaforo”, há dezenas de opções de fundos na indústria. Procure aquele que tenha boas referências de especialistas do mercado, que seja gerido por uma equipe experiente e que possua bons controles de risco. Se quiser uma ajuda, nosso Guia de Fundos chamado “Top 50” (acesse aqui) contém várias opções de produtos que possuem recomendação de nossa equipe.

Possuímos também um guia especial para Fundos de Previdência, o Top 25 (disponível nesse link).

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