As gestoras Morgan Stanley e GEO Capital trazem suas perspectivas para o mercado internacional de ações

Victor Arakaki (Morgan Stanely) e Gustavo Aranha (GEO Capital) participaram de transmissão realizada pela XP


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Na terça-feira dia 7 de abril, a XP conversou com Victor Arakaki (Morgan Stanley) e Gustavo Aranha (GEO Capital) sobre as oportunidades de investimento no mercado internacional de ações. Confira a seguir a live realizada no canal da XP e um resumo dos principais pontos abordados.

O modelo de investimentos da GEO Capital prioriza uma análise feita “de baixo para cima, partindo de uma análise micro, em que é estudada uma cesta restrita de papéis, cujo tema central é a qualidade dos modelos de negócio e, só depois, fazendo uma abordagem macroeconômica. Segundo Gustavo Aranha, a qualidade das empresas foi comprometida pela crise, que veio num curto período de tempo, combinando os impactos do coronavirus e crise do petróleo causada pelos conflitos recentes. A recuperação dos preços dos ativos deve estar ligada diretamente à capacidade de as empresas conseguirem operar nesse novo ambiente. A gestora acredita que as ações globais provavelmente serão uma das primeiras classes de ativos a se recuperar. Como só analisa companhias bem capitalizadas, de vários setores, com bons times de gestão, estas devem ter mais facilidade para atravessar o período de crise, a depender do setor e mercado que as companhias atuem. Empresas menos capitalizadas, no entanto, devem ter dificuldade para se recuperar.

A gestora Morgan Stanley carrega visão de ser sócio das empresas. No curto prazo, estas são muito influenciados pela macroeconomia. No longo prazo, entretanto, a tese individual de cada papel tende a prevalecer. Para Arakaki, para quem tem visão de curto prazo, o macro provavelmente importa mais, se o investidor tem uma visão de longo prazo (3 a 5 anos), entretanto, a análise micro deve se sobressair. A gestora continua olhando individualmente as ações de cada carteira, independente do país ou setor da empresa.

Algumas pessoas, ao analisar indicadores fundamentalistas como Preço/Lucro, Preço/LAJIDA, entre outros, enxergam o S&P 500 (índice que acompanha uma cesta de ações da bolsa americana) como caro e entendem que os EUA já tiveram um ciclo grande de quase 11 anos de expansão e, até semana passada, não houve diminuições nas folhas de pagamento americanas. Somado a isso, a tese de investimento do brasileiro ficou, depois da eleição de 2018, cada vez mais potente, haja visto que o governo passou a tomar mais ações pró-mercado. Então por que investir lá fora hoje? Em 2008 tivemos a principal crise financeira nos últimos 70 anos, o que causou uma contração econômica global, este ano o mesmo acontecerá. Por mais caro ou velho que pareça ser o mercado internacional, o gestor faz questão de destacar a importância da diversificação. Se a história é referência, mercados emergentes são mais sensíveis a movimentos econômicos, e países “grau especulativo” (que não são grau de investimento) como o Brasil, tendem a ter uma volatilidade maior ainda. Investimentos no exterior são, portanto, uma proteção do capital em momentos de estresse.

Segundo Fabiano Cintra (XP), a bolsa global apresenta melhores retornos e menores volatilidades em relação ao mercado brasileiro de ações.

O S&P voltou a subir nos últimos dias, voltamos ao mercado de alta?

Para Victor Arakaki, o momento não parece ser ainda o retorno do mercado de alta. A valorização nos ativos americanos nos últimos dias parece ser mais técnica do que fundamental, o estresse financeiro demonstrado pela perda patrimonial de várias empresas americanas ainda não foi normalizado. A valorização do dólar é um fator que pode agravar o problema, pois as empresas no exterior, que possuem dívidas em dólar, têm maior dificuldade em pagá-las. O Morgan Stanley não investe em empresas altamente alavancadas, pois não se sentem confortáveis com a capacidade destas de “respirar” durante a crise. Segundo Arakaki, preço é o que você paga, então quem olha só múltiplos pode achar os ativos baratos, se você olha, por exemplo o Preço sobre o Lucro, mas o lucro não é sustentável, o múltiplo vai ser, na verdade mais caro. Eles não investem apenas em valor, investem numa combinação de valor, crescimento e qualidade, “disruptura”, o que significa que, apesar de determinados setores serem mais resilientes, alguns não apresentam crescimento e, portanto, não estão na tese de investimento da gestora. Querem ser sócios de 25 a 40 empresas ao redor do mundo, independentemente do cenário, em empresas globais que, apesar de poderem estar domiciliadas em um país, têm suas receitas provenientes de vários países.

A GEO, por sua vez, possui uma curta lista de 60 companhias que eles acompanham profundamente, e investem nas que estão mais baratas, do ponto de vista da empresa. Testam um cenário de stress em cada empresa, e analisam como estas se comportam no mercado e pós mercado. Entre as empresas analisadas pelo grupo, estão Ice (companhia de bolsa de valores internacional), Conquest (leva cabo de internet até as casas das pessoas), Disney (apesar de se prejudicar com o fechamento dos parques, é muito resiliente, devido a seus outros segmentos), Constellation Brands (fabricante da cerveja Corona, está aumentando seu setor de vendas online). Já empresas como a rede de hotéis Marriot, continuam na lista, mas saem da carteira, o mesmo vale para Alphabet (holding da Google), Ab-Inbev, entre outras. No fim das contas, uma análise fundamental para a gestora é: dentro de um determinado setor, qual é a companhia que vai deter os lucros? É isso o que importa, no final das contas.

Devo fazer algum tipo de proteção na minha carteira contra eventuais quedas no cenário macroeconômico?

Para o Morgan Stanley, não é necessário fazer nenhuma proteção, eles olham apenas as empresas. Costumam passar de 2 a 5 anos com uma empresa, e as únicas razões que os fazem vender um papel é o preço. Por exemplo, uma empresa que foi disruptada (blockbuster, por exemplo, que alugava DVDs, e perdeu espaço para serviços de streaming), ou o preço instrínseco atingiu o preço de mercado. Preço é o que você paga, valor é o que você obtém. Você não deve comprar uma empresa cujo preço de mercado é igual ou superior ao valor intrínseco. O terceiro caso em que a empresa retira um ativo de sua carteira é o surgimento de alguma outra empresa no setor, que deva ser melhor que a empresa que já está na carteira.


Para conferir mais informações sobre os fundos das gestoras, acesse:

MS Global Opportunities Advisory FIC FIA IE
GEO Empresas Globais

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