Não há outra alternativa


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Um outro dia estava conversando com um grupo de clientes, e várias perguntas vieram na linha do porquê o mercado de ações continua próximo das máximas, apesar de todos os riscos que existem no horizonte?

Riscos adiante não faltam, como 1) a aceleração de casos da variante Delta, que coloca em cheque a reabertura econômica em curso, 2) risco da alta inflação que vemos no Brasil, nos Estados Unidos e em vários outros países, 3) risco da alta de juros e retirada dos estímulos monetários e fiscais, por conta da uma inflação mais alta e persistente que o esperado, 4) risco de super aquecimento dos mercados e da economia, e vários outros.

Em primeiro lugar, é importante lembrar que nunca teremos um cenário de investimento 100% livre de riscos. Mesmo quando compramos um título do governo, ainda sim corremos vários riscos, como risco de mercado (das taxas de juros se alterarem, da inflação aumentar) e risco de crédito (caso o governo tenha problemas em suas contas). Com um título privado, como um CDB ou uma debênture, também estamos correndo risco daquele emissor do título não conseguir honrar suas dívidas. Deixar o dinheiro em caixa também é correr riscos, pois a inflação pode corroer o poder de compra desse caixa.

Sentimento segue cauteloso

Além disso, também vale lembrar que quando o cenário está muito favorável e a lista de riscos é pequena e os investidores se encontram em um estado eufórico, em geral esses são os momentos onde o risco é na verdade maior. Isso porque os preços provavelmente estarão muito altos nesse momento.

Não acredito que estejamos em um cenário de euforia no momento, e os indicadores de sentimento mostram isso, que o mercado ainda se encontra em um sentimento de “Medo”. Na última semana, esse mesmo indicador (“Fear and Greed Index”), chegou a cair a níveis de “Medo Extremo”, com o aumento de casos da variante Delta no mundo.

Fonte: CNN Business

TINA – Não há outra alternativa

Mas voltando ao tópico principal, por que o mercado global continua próximo das máximas, mesmo com todos esses riscos? Pois não há outra alternativa no momento. Em inglês, esse movimento é conhecido como TINA – “There is No Alternative”.

O cenário de juros zero ao redor do mundo, impulsionado por compras de títulos por parte dos Bancos Centrais, continua fazendo com que quase todos os outros ativos sigam atrativos, quando comparados à Renda Fixa.

Os preços de ativos reais continuam fazendo novas máximas, como commodities, imóveis e também ações.

Começando pelo mercado de ações americano, apesar do mercado parecer caro quando comparado ao seu próprio histórico, em relação à renda fixa esse não é o caso. Os juros reais americanos (pós inflação), medidos pelos títulos TIPS (Treasury Inflation-Protected Securities) de 10 anos, se encontram atualmente em -1,0% aa. Isso se compara com o rendimento dos lucros das empresas americanas – medido pelo Lucro/Preço do S&P500 – em 4,9%aa.

Essa diferença (spread) de 5,9% em favor das ações, se compara com a média histórica de 5,8%, como vemos no gráfico abaixo. Esse spread também é conhecido como “Equity Risk Premium – ERP” (Prêmio de Risco de Ações).

Ou seja, em relação à renda fixa, o mercado de ações americano não está caro no momento. Por isso que as quedas têm durado pouco tempo, pois o grande excesso de liquidez existente acaba voltando rapidamente para o mercado.

Fonte: Bloomberg, XP Investimentos

TINA também no Brasil?

Mas será que isso também é verdadeiro no Brasil, onde o Banco Central já está subindo os juros, e é esperado que suba ainda mais nas próximas reuniões? Essa é uma dúvida muito comum atualmente, se o mercado de ações no Brasil ainda é um bom investimento, frente às taxas de juros mais altas.

Em resumo, sim, essa comparação também é bastante válida para o Brasil. Os juros reais no Brasil, medidos pela NTN-B, se encontram em 4,0%aa no momento. Já o “Earnings Yield” (Lucro/Preço) do Ibovespa está em 9,7%, um spread de +5,7%.

Fonte: Bloomberg, XP Investimentos

Isso se compara favoravelmente a uma média histórica de 4,52%. Ou seja, as ações brasileiras hoje oferecem um rendimento 5,7% superior ao rendimento de um título de renda fixa do governo.

Para voltar à média histórica de 4,5% de “Equity Risk Premium”, a Bolsa brasileira ainda teria que subir 12,5% dos níveis atuais, e chegar em 140,000 pontos, próximo do nosso preço alvo de 145,000 para o final do ano.

Fonte: Bloomberg, XP Investimentos

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