Vale a pena investir nas ações da USIM5?
Em agosto de 2026, atualizamos nossas estimativas para a Usiminas e reiteramos nossa recomendação Neutra, introduzindo um preço-alvo para 2027 de R$ 8,50/ação (+13% vs. preços atuais). Após a forte valorização das ações no início de 2026, impulsionada pelas medidas antidumping e por revisões positivas de resultados, vemos um ambiente menos construtivo à frente. Embora a redução das importações tenha sustentado a recuperação dos preços domésticos e das margens da siderurgia, acreditamos que (i) a desaceleração da demanda deve limitar novos reajustes, (ii) eventuais medidas antidumping para bobina quente devem trazer benefícios incrementais limitados e (iii) as maiores pressões de custos podem voltar a pesar sobre a rentabilidade a partir do 3T26E. Assim, apesar da melhora operacional já observada, vemos uma assimetria negativa caso novos aumentos de preços não se concretizem. Com as ações negociando a 6,9x P/L 2027E, próximas ao múltiplo de 7,0-7,5x que consideramos justo, seguimos vendo suporte limitado de valuation para um upside mais expressivo.
Medidas antidumping já refletidas, com menor espaço para novos reajustes. As medidas implementadas desde Fev’26 contribuíram para reduzir a penetração das importações de cerca de 33% da demanda aparente em Mai’25 para aproximadamente 20% em Jun’26, permitindo às siderúrgicas domésticas recuperar participação de mercado e implementar aumentos de preços. No entanto, nossos channel checks apontam uma desaceleração da demanda na distribuição e em alguns segmentos industriais, refletindo os efeitos das taxas de juros mais elevadas, embora veículos leves permaneçam relativamente resilientes. Além disso, não esperamos que uma eventual medida antidumping para bobina quente altere materialmente a dinâmica do mercado, uma vez que essas importações já retornaram aos níveis históricos. Dessa forma, após os reajustes recentes, novos aumentos devem depender cada vez mais de uma melhora da demanda doméstica.
A melhora de preços deve ser parcialmente compensada por custos mais altos. Nosso cenário-base ainda incorpora preços domésticos mais elevados, levando a margem EBITDA da divisão de siderurgia para cerca de 12% em 2027E. Entretanto, o outlook da companhia para o 3T26E aponta para novas pressões de rentabilidade, principalmente devido ao aumento dos custos de placas, enquanto os preços mais altos do coque desde Abr’26 também podem pesar sobre os resultados no 4T26E. Incorporando essas tendências, estimamos que a margem da siderurgia recue de 12,8% no 2T26 para aproximadamente 10-11% no 2S26E, com baixa visibilidade para uma recuperação mais relevante no curto prazo. Portanto, embora preços mais altos possam mitigar parte das pressões, a recuperação dos resultados permanece sensível à implementação de novos reajustes e à evolução dos custos.
Mudanças nas estimativas. Incorporamos os resultados do 1T26, preços domésticos de aço mais altos e premissas mais conservadoras para preços e volumes de mineração. Apesar de reduzirmos a receita de 2026E em 5%, elevamos nossas estimativas de EBITDA em 22%, 25% e 19% para 2026E, 2027E e 2028E, respectivamente, refletindo principalmente a melhora esperada na rentabilidade da Siderurgia. Projetamos EBITDA de R$2,9 bilhões em 2026E e R$3,8 bilhões em 2027E, 7% e 14% acima do consenso, com margens consolidadas de 11,1% e 13,3%. Nossas estimativas de lucro líquido também aumentaram para R$1,7 bilhão em 2026E e R$1,7 bilhão em 2027E, ficando 46% e 13% acima do consenso, respectivamente. Por outro lado, reduzimos os volumes de mineração em 7% para 2026E e 9% para 2027E, além de incorporarmos preços de minério de ferro mais baixos.
Mudanças nas estimativas. Incorporamos os resultados do 2T26, premissas mais conservadoras para preços e volumes de aço e uma estrutura de custos mais pressionada. Reduzimos nossas estimativas de receita líquida em 4%, 7% e 8% e de EBITDA em 4%, 16% e 16% para 2026-28E, respectivamente. Projetamos EBITDA de R$ 2,7 bilhões em 2026E e R$ 3,2 bilhões em 2027E, ficando 1% e 5% abaixo do consenso, com margens consolidadas de 11,1% e 12,2%. Nossas estimativas de lucro líquido agora totalizam R$ 1,6 bilhão em 2026E e R$ 1,3 bilhão em 2027E, 15% acima e 13% abaixo do consenso, respectivamente.
Assimetria negativa caso os reajustes não se concretizem. A Usiminas negocia a 3,1x EV/EBITDA e 5,6x P/L em 2026E, passando para 2,7x e 6,9x em 2027E. Embora os múltiplos pareçam comprimidos, nosso cenário-base já incorpora aumento de aproximadamente 10% nos preços do aço em 2027 frente aos níveis do 1T26 e margem EBITDA de cerca de 12% para a siderurgia. Caso os preços não avancem e a margem permaneça próxima de 10-11%, vemos potencial de queda de aproximadamente 10-20% para as ações. Além disso, o ciclo de investimentos superior a R$ 3,5 bilhões deve limitar a conversão da melhora do EBITDA em FCF, com FCF yields de cerca de 7% em 2026-27E. Assim, apesar da recuperação operacional, entendemos que o preço atual já incorpora parte relevante dessa melhora, justificando a manutenção da recomendação Neutra.
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Análise ESG
Uma análise comparativa do setor. Apesar dos desafios enfrentados por esses setores, olhando por uma perspectiva por empresa, vemos a GGBR4 liderando o setor, com destaque para uma estratégia de redução de emissões e um plano de descarbonização de alta qualidade, enquanto vemos melhoras na governança nos últimos anos. Com uma atuação multisetorial, a CSNA3 enfrenta desafios intrínsecos à essa condição, embora reconhecemos como positiva a presença de metas de redução de emissões em todos as suas unidades de negócios, além de boas práticas de saúde e segurança, ao mesmo tempo em que não podemos negligenciar os riscos relacionados ao pilar (G) como o principal desafio, que se estende para a CMIN3, apesar de ser pioneira no processo de filtragem de rejeitos e empilhamento a seco. Para a USIM5, esperamos que a mudança na composição acionária (Ternium 14%) aprimore práticas de governança da companhia, embora vejamos espaço para melhorias em iniciativas no pilar ambiental (E). Por fim, a VALE3 conta com uma detalhada e completa divulgação ESG, com esforços e ações concretas visando melhorar o desempenho ESG, embora os riscos permaneçam após a tragédia de Brumadinho.
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Quem é a Usiminas?
A Usiminas atua no mercado brasileiro de aços planos e está presente em toda a cadeia de atividades do setor, da extração do minério, passando pela produção de aço, até sua transformação em produtos e bens de capital customizados para o mercado.
A Companhia fabrica aço laminado plano, bobinas de aço laminado a quente e a frio, aço bruto, ferro gusa, chapas grossas, chapas galvanizadas e placas. A Usiminas atende as indústrias automobilística, line pipe, construção civil e equipamentos elétricos. A Usiminas possui operações que cobrem 6 estados brasileiros, atuando nos mercados de siderurgia e mineração, além dos segmentos de transformação do aço e de bens de capital.
A Usiminas Siderurgia é a maior fornecedora de aços planos para os principais segmentos consumidores do país. A maior parte dos negócios da Usiminas Siderurgia se destina ao mercado interno, que concentrou, em 2019, 89,6% das vendas totais da empresa, o correspondente a 3,6 milhões de toneladas das 4,1 milhões de toneladas de produtos fabricados. O mercado externo, no entanto, também é importante, em especial quando as vendas domésticas se encontram enfraquecidas. No mercado interno, a Usiminas Siderurgia comercializa produtos principalmente para os segmentos industrial, de linha branca, da construção civil e automotivo.
A Mineração Usiminas (MUSA) produz pellet feed, sinter feed e granulados em quatro minas na região de Serra Azul (MG). A empresa possui capacidade logística com modais integrados, além de um terreno estratégico na Baía de Sepetiba, em Itaguaí (RJ), no centro de um dos mais importantes complexos portuários do país. Em 2019, 25,4% do total comercializado pela MUSA foram vendidos para a Usina de Ipatinga, da Usiminas Siderurgia, enquanto o remanescente se destinou a clientes do mercado interno e externo.
A Soluções Usiminas atua nos mercados de processamento de aço e distribuição para clientes parceiros e clientes distribuidores. O segmento atende clientes em diversos setores, como automobilístico, autopeças, construção civil, eletroeletrônico, máquinas e equipamentos, utilidades domésticas, entre outros.
A Usiminas Mecânica se consolidou como referência em equipamentos e montagens para diversos setores da economia. O segmento foca na produção e desenvolvimento de projetos de estruturas metálicas e pontes, montagem industrial, energia, entre outros.
Para mais detalhes sobre a companhia, acesse o site de relação com investidores da empresa aqui.
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