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Via Varejo (VVAR3): Sob Nova Direção

Neste relatório retomamos a cobertura de Via Varejo (VVAR3), mantendo a recomendação de Neutro com novo preço-alvo para final de 2019 de R$ 5,7/ação (contra R$ 6,0/ação anteriormente), ao incorporar resultados mais fracos do 1T. A conclusão da venda da participação do Grupo Pão de Açúcar (GPA) é positiva para a Via Varejo, uma vez […]

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Neste relatório retomamos a cobertura de Via Varejo (VVAR3), mantendo a recomendação de Neutro com novo preço-alvo para final de 2019 de R$ 5,7/ação (contra R$ 6,0/ação anteriormente), ao incorporar resultados mais fracos do 1T.

A conclusão da venda da participação do Grupo Pão de Açúcar (GPA) é positiva para a Via Varejo, uma vez que mitiga incertezas relacionadas a potenciais compradores e eventual oferta a mercado. No entanto, é preciso ter mais visibilidade sobre a estratégia e o impacto nos resultados sob a nova gestão para ter maior convicção em relação à tese de investimento positiva.

As ações da Via Varejo acumulam queda de 39% desde agosto de 2018 com a deterioração dos resultados em função de problemas internos (relacionados à sistema) e desaceleração econômica. Vemos espaço significativo para melhora na operação da Via Varejo e, se a estratégia for bem executada, a empresa pode estar bem posicionada para o ciclo de recuperação econômica no Brasil em 2020. Os gráficos abaixo, comparando Via Varejo e Magazine Luiza, são uma evidência disso. O primeiro passo é recuperar os 2 p.p de margem EBITDA perdidos em 2018 e retornar a um nível de rentabilidade de 6-7% visto em 2017. Posteriormente, a discussão migra para qual é a margem de longo prazo potencial para a empresa. As vendas da Via Varejo são 75% superiores a do Magazine Luiza (o que teoricamente significa maior poder de barganha com os fornecedores), entretanto a margem bruta de mercadorias é 4-6 p.p abaixo do concorrente. Inclusive, uma das iniciativas para 2019 é melhorar o relacionamento com os fornecedores, com foco no planejamento de vendas para otimizar o ciclo de produção e o mix de categorias. A melhora de rentabilidade será um fator importante para o desempenho das ações e, com a estratégia correta, acreditamos que a Via Varejo poderia reduzir a atual diferença de margem EBITDA de 3 p.p em relação ao Magazine Luiza.

Abaixo discutimos três principais temas que, na nossa visão, devem ser monitorados para termos mais convicção sobre a recuperação da Via Varejo:

(1) Quem serão os responsáveis por liderar e executar a estratégia de recuperação. Foi anunciado um novo time de gestão com Roberto Fulcherberguer (membro do Conselho e na empresa desde 2003) como Presidente; Abel Ornelas Vieira (que trabalhou no Magazine Luiza, na Pernambucanas e no GPA) como Diretor Comercial e de Operações; e Orivaldo Padilha (já trabalhou na empresa e também passou pelo Carrefour, GPA, St Marche e Walmart) como Diretor Financeiro e de Relações com Investidores. Por fim, o Michael Klein assume a presidência do Conselho. Além das mudanças nos executivos de alto escalão, acreditamos que contratações adicionais no nível intermediário da gestão também podem ser necessárias. Em 2018, conforme tabela na página 2, a Via Varejo reduziu sua base de colaboradores em -3% A/A e vemos a iniciativa de corte despesas em um cenário de desaceleração de vendas como positiva. No entanto, essa redução foi concentrada em áreas relacionadas à análise / jurídico / engenharia (-44% A/A) e operação (-8% A/A), o que nos faz questionar se a iniciativa de ajuste da base de funcionários não tenha sido exagerada.

(2) Ecommerce, o negócio com as dificuldades estratégicas mais desafiadoras. Houve uma instabilidade do sistema na operação online, que vem impactando negativamente as vendas desde o 4T18. No entanto, segundo a empresa, a operação tem apresentado uma melhora sequencial e no 2T19 a maioria dos ajustes necessários deve ser concluída. O foco agora muda para a integração das operações online com as lojas físicas, que deve ser concluída antes do segundo semestre. Este é um passo importante para as iniciativas de multicanalidade, mas na nossa opinião evidências de que a inovação está cada vez mais enraizada na cultura da empresa são necessárias para os investidores se tornarem mais otimistas sobre o papel da Via Varejo na transformação digital do setor. Nesse sentido, achamos que o anúncio de quem liderará a operação de ecommerce, bem como a estratégia para o negócio, devem atrair a atenção do mercado. Vale ressaltar que, apesar da demora na integração, a Via Varejo investiu quase R$ 380 milhões em tecnologia em 2018 (57% do capex total) e lançou recentemente seu banco digital (banQi) voltado para clientes de baixa renda, que devem ser importantes para o crescimento online daqui para frente.

(3) Iniciativas para retomar o crescimento das lojas físicas. Esta operação também foi negativamente impactada pela instabilidade do sistema no 4T18, mas os problemas foram resolvidos no início do ano. Por isso, achamos que o foco deve ser nas iniciativas já em curso para melhorar o desempenho, com destaque para a remuneração da equipe de vendas. O objetivo é realinhar os incentivos com foco na conversão, mix de produtos e penetração de serviços, o que na nossa visão deve contribuir para a recuperação das vendas.

Relembrando que em 14 de junho, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) concluiu a venda de sua participação de 36% na Via Varejo por R$ 4,90/ação (levantando montante de R$ 2,3 bilhões) para um grupo de investidores. Como resultado, a família Klein (fundador das Casas Bahia) se torna o maior acionista da empresa (com participação de 27,5% contra 25,4% anteriormente)

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