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Temas-chave de setembro | 3. Commodities

Resumimos para você os principais temas que marcaram setembro e que devem ser monitorados em outubro.

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As incertezas no cenário internacional, com destaque para a guerra comercial entre EUA e China e preocupações com o crescimento global, também impactaram a performance das commodities no mês de setembro. Do lado positivo, acontecimentos específicos acabaram impulsionando algumas delas, com destaque para o petróleo.

Petróleo: O petróleo foi tema de destaque em setembro em virtude da elevada volatilidade de preços observada após ataques coordenados reivindicados pelos rebeldes Houti do Iêmen nas instalações de petróleo da Arábia Saudita em 14 de setembro. Os ataques ao centro de processamento de Abqaiq e ao campo de petróleo Khuaris acarretaram a paralização de mais de 50% da capacidade de produção de petróleo saudita, levando a uma alta de 14.6% dos preços de petróleo Brent em virtude de uma expectativa de menor oferta da commodity. Entretanto, tamanha alta durou pouco, com preços de petróleo recuando -12% desde o pico em 16 de setembro e fechando em alta de apenas +0,58% no mês. O motivo para tal arrefecimento foi a rápida retomada de produção na Arábia após o ataque, além do uso de estoques de petróleo pelo país para assegurar a continuidade de suas exportações. Sobre uma perspectiva de médio e longo prazo, não acreditamos em uma alta dos preços de petróleo devido à desaceleração das economias globais: em seu último relatório mensal, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) reduziu as expectativas de crescimento de demanda de petróleo para 2019 e 2020, e a sustentação do mercado dependerá do cumprimento dos cortes de produção de 1.2 milhão de barris / dia pelo bloco daqui para frente. Nossa estimativa de preços para o petróleo Brent é de US$60/barril, baseada no custo de produção do xisto dos EUA, produtor marginal global que fácil e rapidamente retorna produção em momentos de alta de preços.

Minério de ferro: Depois que os preços subiram para níveis de quase US$130/t em julho, após redução da oferta com a tragédia de Brumadinho, entre outros eventos pontuais na Austrália, houve forte correção, para o patamar dos US$85/t em agosto. O retorno da oferta da commodity explica tal movimento, combinado à desaceleração econômica global e aos impasses nas negociações comerciais EUA-China. Por outro lado, as declarações do Conselho de Estado chinês reforçando estímulos econômicos e destacando o foco do governo no desenvolvimento de projetos de infraestrutura deu impulso aos preços. No fim do dia, os preços fecharam o mês de setembro com ganhos de 6,5% – no ano, acumulam alta de 26%. Olhando para frente, esperamos sim uma retomada da oferta de minério de ferro, o que poderia pressionar os preços no curto prazo, assim como ruídos em relação ao avanço das negociações comerciais e preocupações com o crescimento global. Contudo, esperamos volta gradual da oferta, o que pode sustentar o minério no patamar de ~US$85/t no 2S19 (vs. spot de US$91,5/t).

Celulose: 2019 tem sido um ano desafiador para os preços de celulose, com a celulose de fibra curta (representativa na América Latina e derivada do eucalipto) na China acumulando queda de quase 30% no ano. Em setembro, os preços pareceram ensaiar uma retomada, tendo a primeira semana de estabilidade após 25 semanas consecutivas de queda. Embora uma recuperação dos preços não tenha ocorrido, dado que o cenário ainda está desafiador, vimos uma queda mais sútil (-2%) do que nos meses anteriores, para US$470/t. Conforme temos mencionado, na nossa visão, os preços parecem estar próximos de um piso, mas a visibilidade permanece baixa. Olhando para frente, embora estejamos realmente mais perto do piso, o processo de recuperação de preços deve ser gradual, devido aos estoques ainda elevados. No médio-longo prazo, mantemos nossa visão positiva para a dinâmica de oferta/demanda, frente à normalização dos estoques até o final do ano, potenciais novos cortes de produção e nenhuma capacidade adicional de celulose prevista até 2021, que podem até ser adiadas caso o cenário desafiador para os preços se mantenha. Assumimos em nossos modelos, de maneira conservadora, preços da celulose de fibra curta de US$600/t em 2020 e no longo prazo (estável em relação à média de 2019 até o momento).


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