Itaú (ITUB4): Aceitando desafios | Live com executivos e Itaú Day 2021

O Itaú trouxe à discussão sua percepção sobre o cenário atual do mercado bancário e suas expectativas para o futuro.


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O Itaú sediou o Itaú Day deste ano em 2 de junho. Após o evento, realizamos uma live com executivos do Itaú para entender melhor a visão do banco sobre o setor (veja aqui). A mensagem da administração foi clara, o cenário aparenta desafiador, mas o forte histórico do Itaú em sempre performar acima da média do setor pode ajudar o banco a navegar a desestruturação que o mercado está enfrentando. Os principais pontos foram: i) o Itaú se mostrou atento aos desafios competitivos que se apresentam e mostrou suas ferramentas para enfrentá-los; e ii) o banco vê novos entrantes sendo ajudados pelo regulador e isso deve mudar no longo prazo.

Varejo: iVarejo 2030, uma estratégia de omnichannel. André Rodrigues, diretor de varejo, apresentou a nova estratégia omnichannel do Itaú que permitirá aos clientes interagir com o banco por meio de suas operações físicas e digitais integradas. Isso apresenta ao banco a chance de: i) finalizar por meio de seu aplicativo uma transação iniciada por um cliente em uma agência; e ii) com melhor análise de dados, analisar as interações físicas do cliente e oferecer produtos digitalmente. Nossa opinião é positiva, com o discurso dando sinais de que o Itaú será capaz de ter um custo-para-servir (CTS) mais baixo, um life time value (LTV) de clientes mais alto e seu Net Promoter Score (NPS) alto de 78 para o aplicativo sugere que o banco pode ser capaz de realmente engajar os clientes.

Crédito. Alexandre Zancani, diretor de crédito, apresentou a estratégia do Itaú de crescer em empréstimos de varejo como por exemplo o crédito imobiliário, onde o banco atingiu R$ 10,3 bilhões em concessões de crédito em 2020, um salto de market share de 11 pps para 30%, e financiamento de veículos com R$ 6,6 bilhões em concessões de crédito no mesmo período, aumentando a participação do banco no mercado de concessões de 11% para 15%. No geral, as concessões cresceram 80% em 2020 em áreas onde o custo do risco é baixo e isso pode ajudar a engajar clientes por um longo período, o que pode ajudar o Itaú a reter seus clientes premium.

As empresas associadas da LatAm podem desbloquear valor. Olhando para a expansão internacional do Itaú para a América Latina, o conselho classificou a iniciativa de ter um banco regional forte como menos relevante do que na época em que a empreitada foi criada.

Visão do Research XP: pelo preço certo, venda. Embora o conselho tenha afirmado que ainda faz sentido ter um banco regional, nossa opinião é que, dependendo do preço, a venda dessas empresas associadas desbloquearia valor para o Itaú, já que o ROE do banco no Brasil é superior ao do banco no agregado, sugerindo a criação de valor em outras áreas é menor do que no Brasil. No entanto, os empreendimentos do banco em outras geografias podem ser oportunidades para diversificar seus negócios e estar menos exposto a riscos específicos para o mercado brasileiro (pix e open banking).

Expansão de tecnologia. O Itaú contratou mais de 4 mil funcionários na área de tecnologia. A ideia da gestão é que os novos colaboradores apoiem a empresa na melhoria da experiência do usuário (atualmente o banco possui mais de 24 milhões de clientes online), melhorando assim a capacidade da empresa de captar e manter novos clientes. A Iti tem sido um dos passos do Itaú nessa direção. Começando como uma carteira, o Iti passou a oferecer uma gama de produtos bancários para sua conta e novos serviços rodando em computação na nuvem, o que ajudou no crescimento de sua base de usuários alcançando 7 milhões de clientes, além disso o banco espera um crescimento de 1 milhão/mês na carteira digital.

As barreiras de entrada são menores e o phygital é uma aposta para sustentar vantagens comparativas. Os co-presidentes do conselho, Roberto Setubal e João Moreira Salles, concordam que as barreiras para entrar diminuíram, com vantagens comparativas anteriores, como a capilaridade das agências, perdendo a vantagem diante das soluções digitais. No entanto, o conselho mostrou otimismo na capacidade do banco de agregar valor, oferecendo uma experiência de omnichannel para clientes com agências físicas e aplicativos digitais (também conhecido como phygital).

Visão da gestão: pronta para contra-ataque. Setubal e Moreira Salles lembraram aos investidores que: i) em seus quase 100 anos de existência, o Itaú superou antigos desafios e crises; ii) sua base de clientes é premium; iii) a reputação ainda pode ser uma vantagem; e iv) o banco está se tornando mais centrado no cliente, com a introdução da computação em nuvem, medidas de avaliação de NPS e outras. Por fim, as mudanças iniciadas pelo mandato de Candido Bracher serão a base para um novo ciclo de crescimento na gestão de Milton Maluhy no Itaú;

Visão do Research XP: a perspectiva pode ser mais desafiadora do que o esperado. Acreditamos que o Itaú se beneficiou de um ambiente regulatório que incentivou a consolidação e, consequentemente, a escala em um ambiente competitivo com altas barreiras para que novos entrantes ganhem escala. Por outro lado, o Banco Central está agora estimulando agressivamente a concorrência por meio de uma série de micro reformas, como PIX, Open Banking e o mercado de recebíveis, enquanto novos participantes estão alcançando milhões de clientes por meio digital e sem os bilhões em OPEX e CAPEX incorridos por um incumbente. O Itaú também pode precisar adaptar suas habilidades a um ambiente onde agilidade, experiência do cliente e eficiência são as chaves para o crescimento. Dito isso, os investidores podem esperar mais execução na agenda antes de uma reclassificação do múltiplo que o banco é transacionado.

Se dados são o novo petróleo, o Itaú está sentado em uma enorme reserva que apresenta oportunidades e riscos. Os quase 100 anos de relacionamento do Itaú com clientes permitiram ao banco armazenar 70 petabytes de dados. A tamanho do Itaú também ajuda, pois o banco movimenta cerca de 25% dos pagamentos e transferências no Brasil. Esses dados podem permitir ao banco monetizar melhor sua base de clientes, no entanto, acreditamos que também podem dar oportunidades para que as fintechs naveguem pelos dados do Itaú com a implementação da iniciativa de open-banking do Banco Central.

  • Visão da gestão: o armazenamento em nuvem criará novas oportunidades. O Itaú prevê que 50% do banco estará na nuvem até 2022 YE. Isso poderia permitir ao banco analisar melhor seus 70 petabytes de dados, o que dará espaço para o banco monetizar seus clientes de diferentes maneiras;
  • Visão do Research XP: open finance é um risco. A acessibilidade desse imenso banco de dados nos trimestres seguintes por fintechs e concorrentes representa um risco para liderança do Itaú no setor bancário. A capacidade de aproveitar melhor esse “campo de petróleo” será uma obrigação para o banco manter uma posição forte no mercado de crédito e não um diferencial.

Na cultura. O banco reformulou sua gestão para abordar uma estrutura mais linear, o objetivo é simplificar para que as ideias flutuem com mais facilidade e horizontalidade, permitindo que o Itaú se adapte mais rapidamente a novos cenários.

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