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Banco do Brasil (BBAS3): Aguardando maior convicção

Principais destaques do BB Day

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Ontem, participamos do BB Day em São Paulo, evento que reuniu os principais executivos do banco. No curto prazo, a qualidade dos ativos no agro ainda reflete um legado de safras passadas, que responde por cerca de 80% do total, com um comportamento de pagamento mais fraco em operações originadas antes do aperto nos padrões de garantias, apesar da melhora clara na originação, com o crédito com garantia chegando a cerca de 70% e alienação fiduciária acima de 60%. Na nossa visão, embora a normalização da adimplência, um perfil de vencimentos mais equilibrado, as renegociações da MP 1.314 e um ambiente potencialmente menos favorável para RJ sejam fatores construtivos, esses avanços seguem sendo compensados por riscos macro e setoriais persistentes, pressão sobre margens diante da alta dos preços de fertilizantes em meio à incerteza geopolítica, câmbio depreciado em termos de atratividade para o produtor, menor volume de garantias remanescentes e o risco de nova deterioração em RJ à medida que os vencimentos se aproximam. No geral, vemos uma relação risco-retorno assimétrica para o lado negativo e acreditamos que ainda é cedo para adotar uma visão mais construtiva sobre a tese, o que nos mantém cautelosos com a perspectiva para o agro e sustenta nossa recomendação Neutra.

Principais mensagens:

O comportamento de pagamento ainda fraco observado até aqui continua refletindo safras legadas, originadas antes do aperto nos critérios de exigência de garantias. Vale destacar que mais de 80% das entradas de abril em capital de giro rural (custeio) estão relacionadas a operações contratadas entre abril e junho do ano anterior, ou seja, antes da mudança nos padrões de originação. Como resultado, os indicadores de qualidade de ativos no início de 2026 ainda carregam um relevante legado do framework anterior, mais frouxo. Nesse contexto, o principal fator mitigador discutido no evento foi a mudança estrutural no mix de garantias. A participação do crédito com garantia subiu de 31% da carteira na safra 24/25 para 69% nas safras mais recentes, enquanto a alienação fiduciária avançou de 3% para 63%. Trata-se de uma mudança clara em relação ao modelo anterior, com baixa exigência de garantias e sustentado por NPLs próximos de 1%, para uma estrutura mais protegida, com maior capacidade de execução e menor risco de comportamento oportunista. Embora os dados de abril ainda reflitam essa dinâmica legada, as safras mais novas, originadas sob critérios mais rígidos de garantias, já vêm apresentando desempenho melhor.

Outro ponto importante foi a meta de normalização dos pagamentos em dia. Historicamente em torno de 98%–99%, a pontualidade caiu no último ciclo de safra, mas agora a expectativa é de recuperação para cerca de 95% na safra 25/26 ao longo de 2026. Isso é particularmente relevante pela relação direta com menores entradas em cobrança e menor pressão de provisão sob a Resolução 4.966. Em linha com isso, o perfil de vencimentos entre 2025 e 2026 parece mais equilibrado e com menor saldo em aberto associado, refletindo práticas de originação mais saudáveis.

No front geopolítico, a mensagem foi relativamente cautelosa. O impacto da guerra e da pressão sobre os preços dos fertilizantes não deve afetar de forma relevante o ciclo de safra atual, com os riscos mais concentrados na temporada 26/27. Os preços de fosfato e ureia subiram cerca de 80% após o conflito, mas ainda existe uma janela antes do pico das compras de insumos, que normalmente ocorre entre junho e julho. Destacamos a linha de crédito pré-colheita lançada em janeiro, com taxas atrativas, permitindo que clientes adimplentes antecipem a compra de insumos e façam um hedge parcial contra a inflação de custos.

Em relação à MP 1.314, 92% dos créditos renegociados contam com garantia imobiliária, sendo que mais de 70% estão lastreados por alienação fiduciária. Isso reforça a visão de que o processo de reestruturação foi usado para aumentar a proteção da carteira, e não apenas para postergar o reconhecimento de perdas.

A dinâmica de recuperação judicial (RJ) também parece estar evoluindo. Já há sinais iniciais de moderação nos novos pedidos, ainda que longe de níveis normalizados. Vale destacar que alguns produtores estariam buscando sair dos processos de RJ diante da restrição de acesso a novo crédito, especialmente às vésperas do próximo ciclo de safra. Isso sugere que a atratividade da RJ pode estar diminuindo, o que tende a reduzir pedidos oportunistas e a fortalecer, ao longo do tempo, a posição de negociação do banco.

Por fim, o crédito consignado privado vem surgindo como uma importante avenida de crescimento. O banco informou que a originação já superou R$ 17 bilhões (cerca de 13% de market share, com meta de 20%), com ticket médio de R$ 7,9 mil e prazo médio de 52 meses. Cerca de 53% dos tomadores já recebem salário pelo banco, enquanto 86% dos empregadores já são clientes da instituição. Aproximadamente 88% do volume corresponde a crédito novo, alcançando 1,2 milhão de clientes, com 300 mil novas contas abertas, 2,2 milhões de operações realizadas e relacionamento estabelecido com 197 mil empresas. Mais relevante do que o crescimento em si é o modelo de originação: as decisões de crédito combinam métricas de risco do tomador e do empregador, incorporando fatores como rotatividade, qualidade da empresa e vínculo com a folha de pagamento, com concessão restrita a clientes correntistas. Na nossa visão, isso sustenta uma expansão escalável do crédito urbano, com disciplina na gestão de risco.

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