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Ações da JBS: 150% de alta em 8 meses. E agora?

BRF e Marfrig seguem o movimento do setor. Saiba se ainda vale a pena ou não investir nelas e veja os 10 temas mais quentes do setor.

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A JBS tem sido a estrela do Ibovespa neste ano, acumulando alta de 149% desde janeiro, enquanto a BRF também acumula um aumento de 75%. Temos destacado o momento positivo dos frigoríficos há um tempo, mantendo a nossa preferência pela JBS devido a uma operação sólida, apesar de não termos, até o presente momento, incorporado qualquer valor significativo proveniente da peste suína africana.

Reiteramos a JBS como nosso nome preferido dentre os frigoríficos, frente à entrega de fortes resultados, a incorporação do impacto da peste suína e o crescimento adiante (novo preço-alvo de R$37/ação vs. R$27/ação anteriormente). Além disso, em um contexto semelhante e com mais visibilidade sobre a geração de caixa para frente, mudamos nossa recomendação para a BRF de Neutro para Compra (novo preço-alvo de R$47/ação vs. R$33/ação anteriormente). Há quem argumente que as ações dos frigoríficos nos patamares atuais já refletem o cenário positivo, mas, em nossa visão, há mais por vir – Veja abaixo os 10 temas mais quentes do setor. Mantemos Compra na Marfrig (preço-alvo de R$10/ação), mas reconhecemos que, após os resultados do 2T19, atingir a estimativa da empresa de R$1-1,5bi em fluxo de caixa livre em 2019 pode ser mais desafiador do que o esperado, o que pode pressionar as ações.

1. Peste suína africana

Na nossa visão, o potencial impacto da peste suína africana ainda não está totalmente refletido no preço das ações dos frigoríficos. Um aumento nos volumes e preços das exportações brasileiras para a China já está sendo visto, contudo, as empresas acreditam que o impacto nos resultados ainda foi tímido. Especialistas do setor acreditam que os estoques de suínos na China devem durar até setembro, o que sugere que há espaço para um aumento de demanda depois disso. Reconhecemos que o real impacto na redução do rebanho suíno da China ainda não está claro, com análises apontando para um impacto de 30% a 50% em 2019 e mais 15-20% em 2020, o que levaria a um desequilíbrio significativo de oferta e demanda. Além disso, novos casos da peste suína estão sendo continuamente relatados. A doença está se espalhando rapidamente pelo Vietnã (estima-se que 3 milhões de porcos já foram perdidos, o que representa ~11% do rebanho total), Laos e Camboja, enquanto novos casos foram detectados recentemente na Coréia do Norte, com os países vizinhos também em estado de alerta.

2. Recuperação econômica do Brasil 

Nossos economistas estimam um crescimento de 0,9% no PIB nesse ano e 2,1% em 2020. Em nossa visão, um melhor ambiente de consumo doméstico poderia ajudar a sustentar preços mais altos no Brasil adiante, além de melhorar o portfólio das empresas, com maior participação dos produtos processados, que possuem maior margem. Além disso, as empresas acreditam que os custos mais elevados das matérias-primas ainda não foram totalmente repassados – via aumento de preços – o que sugere que há espaço para isso nos próximos meses. Além disso, os participantes não integrados, ou seja, aqueles que compram o animal vivo para produzir a carne, devem continuar vendo uma compressão de suas margens frente aos maiores custos com os animais devido à peste suína, o que sugere que eles também precisarão aumentar preços, em uma dimensão ainda maior.

3. Novas plantas habilitadas para a China

O Ministério da Agricultura do Brasil previa que mais plantas brasileiras fossem habilitadas a exportar para a China em agosto, mas a visita da ministra brasileira ao país asiático foi adiada pela China e poderá ser remarcada para setembro. O Ministério ainda aguarda os resultados da primeira rodada de inspeções, que envolveu plantas de frango e suínos. Na nossa visão, a combinação de preços e volumes ainda mais elevados deve manter a dinâmica positiva dos resultados. Segundo a BRF, o volume de aves para China poderia aumentar em 40%, enquanto a JBS vê potencial para aumentar em 15-20%.

4. Incêndio na planta da Tyson Foods

Em 9 de agosto um incêndio destruiu parcialmente uma planta de fabricação de carne bovina da empresa Tyson Foods, no oeste do Kansas (EUA). A planta foi paralisada por tempo indefinido e a empresa planeja reconstruí-la, mas ainda é cedo para definir um cronograma. A operação é uma das seis unidades que a Tyson possui no Estado, cuja capacidade de processamento é de 6 mil bovinos por dia, representando ~15-20% da capacidade da empresa e 5% da capacidade total de processamento de carne bovina dos EUA. A Tyson afirmou que a produção da unidade está sendo transferida para plantas alternativas, mas vemos o evento como outro fator positivo para os frigoríficos brasileiros no curto prazo, especialmente para a JBS e Marfrig que possuem operações relevantes no país.

5. Carne vegetal

A carne à base de vegetais tem sido o centro das atenções, especialmente após o bem sucedido IPO (oferta pública inicial de ações) da Beyond Meat nos EUA. A JBS e a Marfrig também têm produtos nesse segmento e, de fato, a Marfrig concluiu recentemente uma parceria com o Burger King, lançando um Whopper vegetariano – o Rebel Whopper. Não assumimos em nossos modelos qualquer ganho potencial advindo dessa frente, mas vemos as iniciativas com bons olhos, dadas as margens mais altas dos produtos de carne vegetal, embora a representatividade nas vendas no curto prazo ainda seja pequena.

6. Alavancagem da BRF

A alavancagem da BRF (dívida líquida/EBITDA) caiu de 5,6x no 1T19 para 3,7x no 2T19, com uma geração de caixa operacional de R$1,2bi no segundo trimestre. A empresa revisou sua meta de dívida para 3,15x no fim de 2019 (vs. 3,65x anteriormente) e 2,65x em 2020. De fato, com a nossa nova estimativa de R$6bi para o EBITDA da BRF no ano que vem, acreditamos que a empresa pode encerrar 2020 com uma dívida líquida/EBITDA abaixo de 2x.

7. Potencial parceria da BRF na Arábia Saudita

A BRF tem procurado parceiros na Arábia Saudita, já que o país pretende ser autossuficiente na produção de aves. Se a empresa vender uma participação minoritária de seus negócios Halal (30% do EBITDA), isso pode ajudar em sua desalavancagem e também manter a BRF como uma importante empresa nesse mercado.

8. Listagem da JBS nos Estados Unidos

Embora o prazo ainda seja incerto, a empresa tem sido vocal em relação à listagem de suas ações nos EUA, o que poderia destravar valor para a empresa e, na nossa visão, impulsionar uma reclassificação de seus múltiplos. À título de referência, a Pilgrim’s Pride e a Tyson Foods negociam a 6,5x e 7,5x EV/EBITDA, respectivamente, contra 5,5x da JBS.

9. Desinvestimento do BNDES

Apesar de não haver uma indicação sobre quais ativos devem ser vendidos primeiro, esperamos que o BNDES priorize uma combinação de liquidez dos ativos e potencial de maiores ganhos com base na performance recente. De fato, a JBS se destaca após valorização de 149% no ano. O BNDES possui 21,3% da JBS e 33,8% da Marfrig, equivalente a 90-100 dias de negociação. De fato, a venda por parte do BNDES poderia pesar na performance das ações, mas tendo em vista o tamanho das participações, esperamos que o processo de venda possa ser realizado de forma organizada e gradual, a fim de evitar um impacto negativo no preço dos ativos.

10. Gestão de passivos da JBS

A JBS já avançou significativamente na gestão de dívida, mas há potencial adicional frente (1) à cortes contínuos na taxa de juros e (2) ao fato de que 30% da dívida da empresa é no Brasil, enquanto menos de 20% geração de fluxo de caixa livre está no país – nós conservadoramente não assumimos uma redução adicional no custo de dívida da JBS. Vale destacar que com todos os esforços de gerenciamento de passivos, a JBS acredita que a empresa está em uma posição muito confortável para analisar potenciais oportunidades de crescimento orgânico, via ativos que tenham sinergia, sem deixar de lado a disciplina financeira, o que seria muito positivo.

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