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C&A (CEAB3): Resultados do 2T em linha

Dinâmica de capital de giro a ser monitorada

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A C&A reportou resultados do 2T em linha, com vestuário permanecendo resiliente, entregando crescimento das vendas nas mesmas lojas (SSS) de +4,1% sobre uma base de comparação difícil, mesmo em meio a um fluxo de clientes mais fraco durante a Copa do Mundo e às reformas de lojas em curso, enquanto a receita consolidada foi novamente mascarada pelos negócios descontinuados, que também comprimiram a base de receita para alavancagem operacional. Vale destacar que a administração ressaltou que, excluindo esses efeitos, as despesas com vendas, gerais e administrativas teriam diluído, e a margem EBITDA ajustada teria apresentado uma leve expansão, em vez da retração reportada. Nesse contexto, acreditamos que a atenção dos investidores pode se voltar para a dinâmica negativa de capital de giro, com piora do ciclo de caixa devido aos maiores dias de estoque (+18 a/a), embora a alavancagem tenha permanecido em níveis saudáveis mesmo após a execução da recompra. Olhando à frente, vemos as iniciativas por trás do desempenho de vestuário persistindo (Test & Learn, precificação dinâmica por meio do Hub de Inteligência Comercial e agenda de reformas Energia), enquanto as bases de comparação devem ficar mecanicamente mais fáceis, tanto em vestuário quanto nas operações descontinuadas: a Bradescard sairá da base a partir do 3T e Eletrônicos tem apenas mais um trimestre de impacto negativo. Mantemos nossa recomendação de Compra.

Uma receita resiliente, ainda mascarada pelos ventos contrários fora de vestuário. As vendas líquidas consolidadas cresceram apenas 1% a/a, impulsionadas por um vestuário resiliente e em linha com o Xpe. A receita foi limitada por (i) queda de 37% em Eletrônicos & Beleza, devido à desmobilização de eletrônicos, à mudança no tratamento tributário de Beleza em São Paulo (ICMS-ST) e ao menor número de lançamentos na categoria; e (ii) o encerramento da Bradescard. Em vestuário, o SSS foi de +4,1% sobre uma base de comparação difícil do 2T25 (+17%), com vendas líquidas crescendo 5,6% (24% no acumulado de dois anos, +1,2 p.p. t/t), sustentadas pelo desempenho sólido da coleção de inverno, construída por meio do Test & Learn e de uma leitura mais precisa da demanda, compensando o fluxo de clientes mais fraco durante a Copa do Mundo. As vendas online também aceleraram (para +33% a/a, vs. +30% no 1T), levando a uma maior penetração (7,7% das vendas de mercadorias, +1,8 p.p. a/a). No C&A Pay, a carteira de crédito de 360 dias cresceu 10% a/a, enquanto as vendas líquidas avançaram 9% com maior mix de parcelado com juros (PCJ), com a qualidade dos ativos evoluindo positivamente (NPL90 recuando 3,7 p.p. a/a, para 13%).

Margem bruta compensada pelas despesas com vendas, gerais e administrativas. A margem bruta consolidada aumentou 1,4 p.p. a/a, sustentada pela alta de 6,3 p.p. a/a em fashiontronics, devido à maior penetração de Beleza, enquanto a margem de vestuário foi novamente uma surpresa positiva, avançando 0,6 p.p. (vs. estabilidade no Xpe). Em relação a esta última, a companhia observou que foi sustentada por (i) Test & Learn aplicado às categorias de inverno; (ii) algoritmos de precificação dinâmica no Hub de Inteligência Comercial; e (iii) um vento favorável de câmbio (FX). No entanto, o mix de receita impediu a alavancagem operacional, com a margem EBITDA ajustada (ex-IFRS) recuando 0,6 p.p., apesar de as despesas com vendas, gerais e administrativas terem crescido abaixo da inflação devido às menores provisões de ILP. Ainda assim, o lucro líquido ajustado (ex-IFRS) atingiu R$134 milhões, um recorde para um 2T, sustentado pelos resultados positivos do C&A Pay e por menores despesas financeiras devido à redução da dívida bruta. Por fim, o FCF foi positivo em R$64 milhões, embora tenha recuado 66% a/a devido à pressão sobre o capital de giro, principalmente por níveis de estoque mais altos e alguma pressão sobre recebíveis relacionada ao PCJ. Em relação aos estoques, a administração destacou quatro principais fatores: (i) encerramento de eletrônicos; (ii) base de comparação difícil do 2T25; (iii) fluxo de clientes mais fraco em junho; e (iv) aceleração da expansão de lojas. Ainda assim, a CEAB encerrou o trimestre com Dívida Líquida/EBITDA de 0,2x, mesmo após R$64 milhões em recompras.

Pontos interessantes a destacar: i) O ticket médio consolidado recuou 2,6%, o primeiro trimestre negativo desde o 2T21, embora a base de comparação difícil e a Copa do Mundo possam explicar esse desempenho, uma vez que o ticket do Pay cresceu 1,6%; ii) a companhia inaugurou duas lojas Energia, além de sua primeira loja ACE no Shopping Ibirapuera; iii) houve 2 reformas de lojas no trimestre, com outras 20 em andamento ao final do 2T; iv) a companhia reconheceu uma reversão de provisão de créditos tributários de PIS/Cofins de R$81 milhões no trimestre, excluída dos números ajustados; v) o self-checkout agora está presente em 45% da base de lojas; vi) iniciativas de IA (Comércio Conversacional e Personal Shopper com IA) impulsionaram um aumento de 36% na conversão e de 41% no consumo de conteúdo de moda a/a; vii) o C&A Pay atingiu 28,2% dos pagamentos totais (+0,3 p.p. a/a); e viii) a receita líquida de vestuário/m² atingiu R$3,0 mil, alta de 3% a/a.

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