As lições da crise de 2008: o que aprendemos?

Saiba quais foram os aprendizados que tivemos com a crise de 2008 para tentar minimizar os impactos do coronavírus no cenário econômico atual

access_time 25/03/2020 - 13:18
format_align_left 5 minutos de leitura

Apesar de o choque socioeconômico causado pelo coronavírus ser único na história por sua peculiaridade, o fato de ser algo “sem precedentes” não o torna a maior crise de todos os tempos. Afinal, toda crise é sem precedentes, já percebeu?

Se já soubéssemos o que nos levaria à próxima crise ela não aconteceria, pois já estaríamos preparados. Mas o que podemos afirmar é que em cada calamidade, tiramos proveito e aprendemos para nos resguardar em alguns pontos para as próximas.

A memória que fica das crises são as lições e os ensinamentos. Tanto o governo como as empresas já ficam mais calejados para enfrentar o que vier pela frente.

Ou seja, de certa forma estamos protegidos sobre o que sabemos do passado e, incertos, sobre os fatos sem precedentes. Por isso, a importância de saber claramente o que tiramos de lição do passado.

No cenário atual, o que de fato conseguimos extrair, especificamente da crise de 2008, para minimizar os impactos do coronavírus?

As lições da crise de 2008

O estrategista-chefe e head do Research da XP, Fernando Ferreira, com quase 20 anos de experiência no mercado financeiro, nos deu um depoimento esclarecedor, em vídeo, sobre os aprendizados que tanto o Brasil como o mundo tiveram com a crise de 2008, considerada a maior desde o crash de 1929.

De acordo com Ferreira, esta é a lição mais emblemática tirada após a crise de 2008. “Vivi muito de perto a crise de 2008 e acho que existem alguns paralelos entre a crise atual e várias diferenças. A primeira diferença que eu noto é que os bancos centrais e os governos estão muito mais atuantes hoje do que foram em 2008. Em 2008 os bancos centrais e governos esperaram demais para agir”, diz Ferreira.

Em linha com o que o especialista diz, o Brasil já anunciou diversas medidas na economia e os Estados Unidos soltaram o maior pacote de estímulos econômicos da História para tentar conter os impactos do coronavírus. E isso é uma lição importantíssima, segundo Ferreira, por causa da agilidade das medidas, que tocam na ferida dos problemas deixados pela crise.

Sobre 2008, o erro foi justamente essa falta de agilidade por parte do governo dos Estados Unidos. “Eles esperaram demais para anunciar medidas necessárias naquele momento para estabilizar a economia. Existia uma discussão muito grande se os governos poderiam salvar empresas privadas ou tinham que deixá-las quebrar. E isso acabou levando à quebra de grandes bancos nos Estados Unidos que exacerbou demais a crise”, afirma o especialista da XP.

Por que a crise do coronavírus é mais séria?

O choque financeiro de 2008, conhecida como a crise do subprime, surgiu em um setor, dentro de um país, apenas no mercado financeiro e isso acabou se alastrando para o mundo todo.

Então, foi uma crise gerada pelo setor imobiliário nos Estados Unidos que passou pelos bancos e o mercado financeiro e as consequências tomaram escala global.

Ferreira explica porque a crise do coronavírus é maior em termos de impacto em diversas esferas: “A crise atual vem da economia real, do mundo real e ela é, primeiramente, uma crise de saúde. Temos que ficar em casa, temos que nos proteger e parar a economia completamente”, diz o Head de Research da XP.

A grande diferença é a magnitude de impacto na economia. Enquanto na crise de 2008, as indústrias e fábricas funcionaram, na situação de agora as máquinas pararam por completo em vários países e regiões por causa do risco de contágio alarmante do coronavírus.

Para Ferreira, a recessão econômica já é certa mesmo não tendo como saber os reais impactos, que ainda estão se desenrolando. Isso porque a atividade econômica praticamente parou no mundo. E só pelo esfriamento dos motores já é possível prever que o barco não vai andar no curto prazo.

Grandes empresas (2008) x Pequenas e médias empresas (coronavírus)

“É mais importante a gente prestar atenção agora se as empresas vão sobreviver, se os empregados vão manter seus trabalhos e se o número de desemprego não vai explodir. Se isso acontecer, a recuperação tende a ser muito mais lenta num cenário como esse”, diz o estrategista-chefe.

Na crise de 2008, vimos grandes empresas e bancos de extrema relevância quebrarem. Salvar grandes companhias é um aprendizado que já temos para essa crise, mas a diferença crucial da crise do coronavírus é que os impactos estão sendo muito maiores para as pequenas e médias empresas.

Os pequenos varejistas, lojistas, donos de bares e restaurantes, administradores de hotéis e todo o setor de turismo são os verdadeiros impactados pela quarentena global causada pelo vírus.

“Só o setor de Turismo e Transportes representa mais de 15% da economia global. Portanto, temos que garantir que essas empresas sobrevivam porque isso vai fazer com que a recuperação seja mais rápida”, diz Ferreira.

Recomendações finais para investir na crise do coronavírus

A nossa mensagem de curto prazo ainda é de cautela para o investidor que quer começar a fazer compras e olhar esse mercado como uma oportunidade de longo prazo.

Nós acreditamos que os preços na Bolsa já estão mais atrativos e a visão otimista de médio prazo continua. Porém, é importante fazer essas compras de forma espaçada ao longo do tempo para minimizar as quedas e encontrar um preço médio.

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