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Bens de Capital: Demanda resiliente por veículos leves, sem uma inflexão clara ainda para veículos pesados no mercado doméstico

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Os veículos leves continuam sendo o destaque positivo no mercado doméstico, com os emplacamentos aumentando +23% A/A, sustentados por incentivos, promoções das OEMs e forte concorrência. Contudo, entendemos que as vendas mais fortes não estão se traduzindo integralmente em atividade ao longo da cadeia de suprimentos local, com as importações de veículos aumentando ~30% em Jan-Ago’26 e os modelos CKD/SKD respondendo por dois terços do aumento da produção doméstica no acumulado do ano. Além disso, a produção de ônibus de agosto reforçou a visão mais cautelosa por trás do nosso recente downgrade de POMO4 para Neutra. Enquanto a produção de carrocerias de ônibus da indústria aumentou +2% A/A em Ago’26, a produção da Marcopolo recuou -13% e a produção de chassis de ônibus caiu -29%. Com a produção do 3T26 ainda abaixo dos níveis do ano passado, vemos poucas evidências da aceleração sazonal anteriormente esperada para o 2S26E, mantendo os lucros de curto prazo sob pressão. Enquanto isso, os emplacamentos de caminhões e implementos rodoviários melhoraram +9% e +16% A/A em Ago’26, respectivamente, embora ambos tenham recuado sequencialmente (após um Jul’26 atípico) – Fenabrave defende que o Move Brasil ajudou a reduzir a queda nas vendas de caminhões e a conter a fraqueza entre os veículos pesados. Embora a melhora dos números A/A possa ser encorajadora, particularmente para implementos rodoviários, a contínua dependência do programa e os elevados custos de financiamento nos deixam cautelosos em considerar isso uma recuperação sustentada. No exterior, os pedidos de caminhões Classe 8 nos EUA aumentaram +42% A/A, com a ACT destacando as restrições do mercado pelo lado da oferta, os fretes mais altos e a maior visibilidade em relação à EPA 2027 como ventos favoráveis para a demanda à frente, juntamente com uma sazonalidade melhor.

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Marcopolo. A produção de carrocerias de ônibus perdeu momentum em Ago’26, com a Marcopolo produzindo 961 unidades (-13% A/A; -7% M/M), apresentando desempenho inferior ao da indústria (+2% A/A). A produção doméstica recuou -16% A/A, enquanto as exportações permaneceram amplamente estáveis (-1% A/A). As tendências por segmento foram mistas, com a produção de micro-ônibus recuando -60% A/A em meio a um hiato entre as entregas do Caminho da Escola, enquanto os ônibus rodoviários aumentaram +15% A/A, mas recuaram -18% M/M, sugerindo uma contribuição mais lenta do que o esperado do Move Brasil 2. Em nosso update recente, rebaixamos a recomendação de POMO4 para Neutra, uma vez que a produção do 3T26, ficando ~15% abaixo dos níveis do 3T25 até o momento, oferece poucas evidências de que a aceleração sazonal que esperávamos anteriormente para o 2S26 esteja tomando forma. Mesmo com um mix sazonalmente melhor, esperamos que volumes mais fracos e menor alavancagem operacional mantenham a lucratividade de curto prazo sob pressão.

Randoncorp & Frasle Mobility. Os emplacamentos de caminhões e implementos rodoviários melhoraram em Ago’26 (+9% e +16% A/A, respectivamente), apesar de recuarem sequencialmente (-14% e -17% M/M), com os implementos rodoviários relacionados ao agronegócio aumentando +21% A/A. Apesar dos números melhores, permanecemos cautelosos em considerar isso uma recuperação, uma vez que a demanda ainda parece parcialmente sustentada pelo Move Brasil, enquanto os elevados custos de financiamento continuam pesando sobre o mercado. As receitas da Randoncorp excluindo a Frasle cresceram +8% A/A em agosto, em linha com os dados mais favoráveis da indústria. Enquanto isso, as receitas da Frasle recuaram -2% A/A e -5% M/M; a correção sequencial pode refletir movimentos de estoques, enquanto continuamos vendo fundamentos saudáveis para o aftermarket no Brasil e nos EUA.

Iochpe-Maxion. O momentum dos veículos leves no Brasil permaneceu robusto em Ago’26, com os emplacamentos aumentando +23% A/A e a produção total de veículos atingindo seu maior nível mensal desde Out’19. No exterior, as vendas de automóveis de passageiros na Europa e de veículos comerciais nos EUA aumentaram +5% e +6% A/A, respectivamente, enquanto a produção de automóveis de passageiros na China recuou -6%. No Brasil, contudo, a demanda mais forte por veículos ainda não parece estar se traduzindo integralmente em demanda por peças produzidas localmente, uma vez que as importações aumentaram +30% no acumulado do ano, com os modelos CKD/SKD respondendo por dois terços do aumento da produção neste ano.

Tupy. Os pedidos de caminhões Classe 8 nos EUA permaneceram robustos em Ago’26, em 18,2 mil unidades (+42% A/A), apesar de recuarem -19% M/M. A FTR atribuiu a queda sequencial principalmente à sazonalidade e aos limitados slots de produção restantes para 2026, em vez de uma demanda subjacente mais fraca. Enquanto isso, a ACT destaca as restrições do mercado pelo lado da oferta, os fretes mais altos e a maior visibilidade em relação à EPA 2027 como ventos favoráveis para a demanda à frente, juntamente com uma sazonalidade melhor.

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