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Raio-XP – Os juros reais seguem subindo no Brasil

Faz sentido ter Bolsa nesse cenário? Achamos que sim, e explicamos por quê

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Em julho, as bolsas globais voltaram a cair (ACWI -1,2%), à medida que o trade de IA seguiu perdendo força. A Bolsa brasileira teve desempenho superior, com o EWZ (ETF de Brasil) avançando 6,2%, devido à leituras melhores de inflação aumentando as chances de uma Selic mais baixa adiante, e o fluxo estrangeiro voltando a ficar positivo, após 2 meses de saídas. Neste Raio-XP, discutimos dois temas: 1) Vale a pena investir em Bolsa no Brasil, com os juros reais longos perto ou acima de 8%aa? 2) Destrinchamos as tendências de desempenho, lucros e valuation dos principais subcomponentes do índice, e mostramos que os Cíclicos Domésticos ficaram para trás. Apesar do cenário macro/político desafiador, seguimos construtivos, dados os níveis atrativos de valuation e o técnico, com nosso indicador de sentimento ainda perto do território de “Extremo Pessimismo”. Mantemos nosso valor justo do Ibovespa para o fim de 2026 em 200 mil pontos e vemos uma boa assimetria dos preços à frente. Também atualizamos nossas carteiras XP.

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O Brasil se recupera com a volta do fluxo estrangeiro. Como já escrevemos, o Brasil perdeu momentum – e fluxo – desde abril, com o trade de IA retomando o centro do palco globalmente e a cadeia de fornecimento do capex de IA (memórias, semicondutores, energia) subindo forte. Em julho, vimos várias dessas ações corrigindo, incluindo os ETFs alavancados na Coreia do Sul. Com isso, as bolsas globais recuaram modestamente em julho (-1,2%). A Bolsa brasileira, por outro lado, subiu 6,2% em dólares (ETF EWZ), e o fluxo estrangeiro voltou para território positivo (+R$3,3bi), revertendo dois meses de forte pressão vendedora. No cenário doméstico, as leituras de inflação ao consumidor melhores que o esperado também ajudaram a aumentar as chances de o Copom seguir cortando a Selic nas próximas duas reuniões.

Faz sentido ter Bolsa no Brasil, com o juro real acima de 8%? Essa é uma pergunta recorrente que ouvimos dos investidores, especialmente com o juro real longo hoje em 3% nos EUA e perto de 8% no Brasil (NTN-Bs), uma máxima histórica. Embora isso seja claramente um desafio para o potencial de alta no médio prazo, argumentamos que boa parte desse cenário de “juros altos por mais tempo” já está descontado no preço da Bolsa brasileira, uma vez que o prêmio de risco da renda variável (“Equity Risk Premium – ERP”) melhorou recentemente, com as ações caindo mais do que os juros longos subiram. Também decompomos o prêmio de risco pelos principais setores e mostramos que os Cíclicos Domésticos aparecem como os mais atrativos frente ao juro real.

Mais volatilidade à frente, mas a assimetria de preço segue positiva. Com o Brasil entrando no período do “trade eleitoral”, a volatilidade deve seguir acima do normal, e o mercado parece carecer de um catalisador para uma alta relevante no curto prazo. Por outro lado, também vemos um risco de baixa limitado, já que o valuation se comprimiu e nosso índice proprietário de sentimento segue perto das mínimas, sugerindo que o lado técnico da Bolsa está favorável. Mantemos nossa estimativa de valor justo do Ibovespa para o fim de 2026 em 200 mil pontos. Nos níveis atuais, acreditamos que a Bolsa já precifica um cenário mais próximo do nosso cenário pessimista, oferecendo uma boa assimetria.

Atualizando nossas Carteiras XP. Atualizamos nossas Carteiras Recomendadas XP1) Top Ações: Aumentando EMBJ3, GGBR4, PETR4, SBSP3, ROXO34; removendo B3SA3, RENT3; reduzindo IGTI11. 2) Dividendos: Adicionando CSMG3; reduzindo CXSE3, CPLE3. 3) Small Caps: Adicionando TUPY3, SLCE3; aumentando ALUP11; removendo POMO4; reduzindo VIVA3, TTEN3. 4)  ESG: Adicionando RDOR3; removendo B3SA3.

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