Neste relatório, apresentamos: (1) os principais pontos do NDR realizado com o CFO da Bemobi, no Rio de Janeiro; (2) a atualização de nossas estimativas; e (3) um resumo da entrevista recente que conduzimos com o CEO (link aqui). Além de atrair novos investidores para a tese, o NDR e a entrevista reforçaram nossa visão de que a Bemobi segue executando de forma consistente sua transição para um https://www.youtube.com/watch?v=YNKNWgJZfV0modelo orientado a Pagamentos e SaaS. Essa frente já representa cerca de ~60% da receita em 2025 e deve atingir ~70% com a consolidação da Paytime, elevando a qualidade das receitas e sustentando crescimento recorrente e alavancagem operacional ao longo do tempo. Com as estimativas atualizadas, elevamos nosso preço‑alvo para R$ 31,0/ação, o que implica um upside de 23%. A ação segue negociando a níveis de valuation atrativos, a 11x P/L 2026. Diante dos múltiplos vetores de crescimento da receita, seguimos vendo espaço para re‑rating ao longo do tempo à medida que a companhia entrega crescimento, rentabilidade e geração de caixa, e reiteramos nossa recomendação de Compra.
Na sequência, apresentamos: (1) os principais destaques do NDR; (2) a atualização de nossas estimativas; e (3) um resumo da entrevista recente que realizamos com o CEO (link aqui).
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1. Principais destaques do NDR
Mudança estrutural em direção a Pagamentos e SaaS:
A Bemobi hoje é estruturalmente diferente do negócio pré-IPO. A companhia passou por uma mudança relevante no mix de receitas, deixando de ser predominantemente baseada em assinaturas para um modelo focado em Pagamentos e SaaS, que já respondem por mais de 60% da receita e devem alcançar cerca de 70% com a consolidação da Paytime.
Essa transição não se refere apenas a mix, mas também à qualidade das receitas. Esses segmentos apresentam margens mais elevadas, maior recorrência e um potencial de monetização superior ao longo do ciclo de vida do cliente. Na prática, a Bemobi vem se posicionando cada vez mais como um player de infraestrutura de pagamentos verticalizada, profundamente integrada aos fluxos operacionais de seus clientes.
Crescimento sólido com alta visibilidade:
A companhia segue entregando crescimento consistente, com receitas avançando próximo a 20% ao ano e EBITDA crescendo acima da receita. Mais importante, a maior parte desse crescimento já está contratada ou embutida na base atual de clientes, impulsionada pelo ramp-up de contratos recentemente assinados, pela expansão de soluções dentro de contas existentes e por projetos já em fase de implementação.
Essa dinâmica reduz de forma relevante o risco de execução no curto prazo, uma vez que o crescimento depende menos da conquista de novos clientes. Ainda assim, a empresa mantém um pipeline saudável em verticais como utilities, educação e saúde, o que deve seguir sustentando a expansão adiante.
Baixa penetração sustenta um longo runway:
Mesmo entre clientes mais maduros, a penetração das soluções da Bemobi ainda é relativamente baixa. No segmento de utilities, por exemplo, sua participação no TPV total permanece em níveis de um dígito baixo.
Isso abre amplo espaço para expansão à medida que a companhia aumenta gradualmente sua participação na carteira de clientes (share of wallet), aprofunda o portfólio de soluções oferecidas a cada cliente e se beneficia da migração estrutural do boleto para meios digitais, parcelados e recorrentes. O resultado é um modelo de land and expand, no qual ciclos de venda mais longos são seguidos por uma aceleração relevante de receitas ao longo do tempo.
Posicionamento vertical e abordagem consultiva como principais diferenciais:
A Bemobi se posiciona como um player verticalizado, com foco em indústrias específicas como utilities, educação e telecom. Diferentemente dos adquirentes tradicionais, a companhia oferece não apenas o processamento de pagamentos, mas também uma camada de software e inteligência que amplia significativamente sua proposta de valor.
Sua atuação é fortemente consultiva, apoiando os clientes na melhora das taxas de arrecadação, na redução da inadimplência, na otimização da jornada de pagamento e no aumento de retenção e valor do cliente ao longo do tempo (lifetime value). Esse posicionamento permite à Bemobi competir além de preço, concentrando-se na geração de valor e em ganhos de eficiência operacional para seus clientes.
Monetização flexível com alinhamento de incentivos:
A monetização ocorre por meio de take rates sobre o TPV e, em muitos casos, por taxas de conveniência cobradas do consumidor final. A estrutura é flexível e pode variar conforme o cliente, incluindo cobrança direta ao usuário, absorção de custos pelos parceiros ou modelos híbridos B2B e B2C.
Em alguns casos de uso, especialmente em gestão de inadimplência, a Bemobi consegue estruturar soluções nas quais o parceiro realiza a cobrança a custo zero, enquanto a companhia captura valor por meio de taxas de serviço, gerando um claro alinhamento de incentivos entre as partes.
Alavancagem operacional e geração de caixa:
A administração reforçou que a alavancagem operacional segue como um pilar central da tese. O crescimento de receitas deve continuar superando o avanço dos custos, sustentado por: (i) investimentos em tecnologia em patamares que suportam crescimento incremental; (ii) uma base de custos majoritariamente ligada a pessoal, crescendo abaixo da receita; e (iii) capex principalmente associado à ativação de colaboradores, também com crescimento inferior ao das receitas. Como resultado, a Bemobi apresenta elevada conversão de caixa, com cerca de 80% do EBITDA menos capex convertido em geração de caixa, reforçando a qualidade dos resultados.
M&A disciplinado e retorno ao acionista:
A estratégia de M&A permanece focada em aquisições de menor porte (bolt-ons), normalmente realizadas a múltiplos mais baixos e estruturadas com pagamentos diferidos ao longo do tempo. A Bemobi já concluiu cerca de nove aquisições, com objetivos como entrada em novas verticais, incorporação de capacidades em SaaS e/ou cross-selling de soluções de pagamentos. Apesar dessa agenda, a companhia mantém um perfil atrativo de retorno de capital, com política de payout de 100%, sustentada por forte geração de caixa e posição líquida de caixa confortável.
Expansão para novas verticais amplia o mercado endereçável:
Além de telecom e utilities, a Bemobi vem expandindo para novas verticais: educação (já com tração relevante), saúde (ainda em estágio inicial) e condomínios, abordada de forma mais cautelosa devido à maior complexidade. A estratégia combina aquisições direcionadas à replicação de seu playbook já testado, aproveitando similaridades nas dinâmicas de pagamentos recorrentes entre os setores.
Nossa visão sobre o NDR:
Saímos do NDR com uma visão reforçada de que a Bemobi segue bem posicionada para entregar crescimento consistente combinado com expansão de margens ao longo do tempo. A combinação de baixa penetração na base atual de clientes, um modelo replicável entre verticais e forte geração de caixa sustenta um cenário em que o crescimento tende a ser mais incremental e menos dependente de eventos binários.
Além disso, a migração contínua para um mix mais exposto a Pagamentos e SaaS deve seguir elevando a qualidade dos resultados, enquanto a alocação disciplinada de capital e a política elevada de payout fortalecem o perfil de retornos. O principal ponto de monitoramento segue sendo o ritmo de penetração dentro da base de clientes e a evolução do mix de produtos, especialmente em um contexto de maior adoção do PIX, que pode pressionar take rates ao longo do tempo. Ainda assim, vemos a tese de investimento bem ancorada em fundamentos operacionais, oferecendo uma combinação pouco comum de crescimento, rentabilidade e geração de caixa.
2 – Atualização do Modelo
Atualizamos nossas projeções incorporando os resultados mais recentes e a recente consolidação da Paytime.
Para 2026 e 2027, projetamos crescimento de receita de 26% e 13%, respectivamente. Pagamentos seguem como o principal vetor de crescimento, sustentados por: (i) maior penetração em clientes mais maduros; (ii) ramp‑up de contas adicionadas recentemente; (iii) entrada de novos clientes (por exemplo, no segmento de Saúde); e (iv) a incorporação da Paytime.
Para a Paytime, mantemos uma abordagem conservadora, assumindo crescimento de cerca de ~15%, em linha com seu histórico. Até o momento, não incorporamos o risco positivo associado à movimentação gradual em direção a clientes de maior porte e corporativos, que tende a ganhar relevância a partir de 2027.
Esperamos uma leve retração no segmento de assinaturas, refletindo uma base instalada mais estável e menores ventos favoráveis de câmbio. Para as frentes de SaaS e Microfinanças, projetamos a manutenção do ritmo atual de crescimento.
Novo preço‑alvo: Com as estimativas atualizadas, elevamos nosso preço‑alvo para R$ 31,0/ação (vs. R$ 30,5 anteriormente), o que implica um upside de 23%. A ação segue negociando a níveis de valuation atrativos, a 11,2x P/L e 6,6x EV/EBITDA para 2026. Diante dos múltiplos vetores de crescimento sustentando a receita, seguimos vendo espaço para re‑rating ao longo do tempo, à medida que a companhia entrega crescimento, rentabilidade e geração de caixa. Reiteramos nossa recomendação de Compra.
3. Contexto da discussão recente com o CEO
Em uma entrevista recente com o CEO da companhia, Pedro Ripper (link aqui), discutimos de forma mais aprofundada a evolução estratégica da Bemobi ao longo do tempo, o que ajuda a contextualizar a fase atual destacada neste NDR. O negócio passou por diversos ciclos de reinvenção, migrando de um modelo de serviços de valor agregado voltado ao setor de telecom para uma plataforma global de assinaturas digitais e, mais recentemente, para um player de infraestrutura verticalizada em Pagamentos e SaaS.
De forma relevante, o CEO destacou a capacidade consistente da companhia de identificar, de maneira antecipada, descontinuidades estruturais nos mercados em que atua e ajustar seu modelo de negócios em resposta a essas mudanças — mesmo quando isso implica canibalizar fontes de receita existentes. Em nossa visão, esse histórico reforça a credibilidade da estratégia atual e evidencia um traço cultural central da Bemobi: o foco contínuo em adaptação a transformações tecnológicas e setoriais, em vez de uma otimização incremental de modelos legados.
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