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CSN é rebaixada pela Moody’s de Ba3 para B2

Confira o rebaixamento do rating da CSN pela Moody's Ratings.

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Em 19 de fevereiro de 2026, a agência Moody’s Ratings rebaixou o rating da CSN para B2, com perspectiva negativa. A decisão reflete a estrutura de capital altamente alavancada e a necessidade de buscar iniciativas para reduzir os níveis de dívida, o encargo de juros e elevar a geração de fluxo de caixa livre para evitar riscos de refinanciamento.

Principais fatores considerados pela Moody’s

A Moody’s rebaixou o rating da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) refletindo a estrutura de capital altamente alavancada e a necessidade de buscar iniciativas para reduzir os níveis de dívida, o encargo de juros e elevar a geração de fluxo de caixa livre para evitar riscos de refinanciamento.

Em 15 de janeiro de 2026, a Companhia anunciou planos de vender uma participação minoritária em seus ativos de infraestrutura e uma participação majoritária em seus ativos de cimento, visando levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. A Companhia comunicou que pretende usar os recursos para reduzir a dívida total no nível da holding, o que melhorará a alavancagem, reduzirá o custo da dívida, aliviará os riscos de liquidez relacionados aos próximos vencimentos e aprimorará a alocação de capital dentro do grupo, equilibrando a dívida entre a holding e as subsidiárias. No entanto, até a execução do plano, os indicadores de crédito permanecerão fracos e os riscos de liquidez seguirão elevados, sobretudo em períodos de maior volatilidade e aversão ao risco.

Apesar da melhora recente do EBITDA ajustado nos últimos 12 meses encerrados em setembro de 2025, em relação ao ano anterior, e da redução da alavancagem de 6,7x para 5,5x no mesmo período, a expectativa da Moody’s é de que a alavancagem permaneça entre 5,0x e 6,0x pelos próximos 12 a 18 meses, com base nos preços mais baixos do aço e do minério de ferro. A alavancagem poderia migrar para o intervalo entre 4,0x e 5,0x ao longo do tempo, considerando um cenário de preços entre US$ 80 e US$ 100 por tonelada para o minério de ferro (61% Fe) e margens normalizadas no aço.

A agência também sinalizou que, a menos que a CSN consiga acelerar seu processo de desalavancagem por meio da venda de ativos, redução de CAPEX ou diminuição proativa da dívida, as métricas de crédito e a geração de fluxo de caixa livre continuarão mais compatíveis com uma classificação inferior.

Por fim, a Moody’s destacou que a liquidez da CSN é considerada adequada, mas que o consumo de caixa e as necessidades futuras de refinanciamento podem criar riscos no médio prazo. A perspectiva negativa reflete a expectativa de que as métricas de crédito permanecerão fracas até que a empresa avance de forma concreta com as iniciativas de desalavancagem.

Direcionadores potenciais de upgrade e downgrade

A Moody’s indica que uma elevação de rating poderia ocorrer caso a CSN apresente melhora consistente dos seus indicadores de crédito, com alavancagem abaixo de 5 vezes, cobertura de juros superior a 1x e liquidez adequada.

Por outro lado, o rating poderá ser novamente rebaixado se houver aumento dos riscos de liquidez, ou caso a alavancagem permaneça acima de 6 vezes e a cobertura de juros abaixo de 1x, sem sinais de melhoria.

Análise XP Research 3T25

Nota: Os resultados de dezembro de 2025 (4T25) serão divulgados no dia 11 de março de 2026, segundo site de RI da CSN

(Com contribuição de XP Equity Research)

A CSN reportou resultados sequencialmente melhores no 3T25, apoiado por: (i) fortes resultados das operações de mineração(ii) melhoria do desempenho da divisão de Cimento; (iii) um sólido desempenho da divisão de Logística; e (iv) um desempenho mais fraco na divisão de Aço.

Destaques financeiros: EBITDA ajustado de R$ 3.319 milhões +26% T/T, +45% A/A. Os investimentos totalizaram R$1,4 bilhão no 3T25, refletindo os efeitos sazonais e a construção da infraestrutura da planta Itabirito P15, além de investimentos relacionados à modernização das operações do alto-forno UPV. O fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 815 milhões, impulsionado por maiores despesas financeiras, maiores investimentos e consumo de capital de giro.

Pontos positivos: (i) forte desempenho da divisão de Mineração (EBITDA +57% T/T), impulsionado pela melhoria dos embarques de minério de ferro (+4% A/A), preços realizados mais altos do minério de ferro (+27% T/T) em meio a um desempenho de custos controlado (C1/t +1% T/T), (ii) melhoria dos resultados na divisão de Cimento (EBITDA +32% T/T, margens de 29%),  refletindo maiores volumes de vendas (+5% T/T) e um melhor desempenho de preços; enquanto (iii) o desempenho de Logística melhorou no trimestre (EBITDA +6% T/T).

Pontos Negativos: (i) desempenho mais fraco do EBITDA trimestral da divisão de Aço, com margens em queda em 8,1% no 3T25 (-3 p.p. T/T e -26% T/T), impulsionado pela melhoria dos volumes de vendas (+4% T/T), menores custos de placas (-6% T/T), embora compensado por um ambiente de preços mais fraco (-6% T/T).

Por fim, a dívida líquida atingiu R$ 37,5 bilhões (+7% A/A), com dívida líquida/EBITDA de 3,2x praticamente em linha com o 2T25, e permanece como uma das principais preocupações dos investidores sobre a tese de investimento da CSN. A alavancagem permaneceu em conformidade com o covenant de até 4,5x. Em relação ao perfil de endividamento, embora na visão consolidada conste apenas 16% do total da dívida no curto prazo, a visão ex-Mineração mostra um cronograma de vencimentos mais apertado. Como mitigante, a maior parte dos valores a vencer nos próximos 3 anos está concentrada em dívidas bilaterais com bancos, o que tende a facilitar as negociações de alongamento da Holding.

Comentário de Equity Research: “Embora a CSN tenha reportado um desempenho melhor do que o esperado no 3T25, reiteramos nossa perspectiva estrutural cautelosa sobre os preços do minério de ferro (dado o ambiente de demanda pouco inspirador na China), com a alta alavancagem da CSN implicando uma margem de segurança limitada em meio às elevadas taxas de juros do Brasil. Além disso, embora a Companhia possa se beneficiar de possíveis medidas antidumping de aço, continuamos preocupados com o risco de uma potencial deterioração adicional no mercado siderúrgico sob altas taxas de juros prolongadas”.

Fontes

Moody’s Global

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