Conteúdo elaborado em conjunto com o time de Corporate Action da XP
No dia 02 de julho de 2026, a Lavoro protocolou o pedido de Recuperação Judicial (“RJ”) perante a Justiça. O pedido marcou uma nova etapa do processo de reestruturação da Companhia, após as negociações realizadas com fornecedores no âmbito da recuperação extrajudicial, e teve como objetivo viabilizar a reorganização de seu passivo e a continuidade de suas operações.
Atualizaremos esta página de acordo com comunicados por parte da Companhia e seus agentes fiduciários.
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Próximos passos
– O processo segue em tramitação judicial e, neste momento, não há ações necessárias por parte dos investidores.
– Comunicaremos as evoluções do processo de RJ e eventuais manifestações que se fizerem necessárias.
Documentos da Reestruturação
Linha do tempo
- Jun/25: A controladora Lavoro Limited anunciou que sua subsidiária Lavoro Brasil (“Lavoro” ou “Companhia”) firmou um acordo de recuperação extrajudicial (“RE”) com parte relevante de seus principais fornecedores no país. O anúncio ocorreu em um contexto de dificuldades financeiras da Companhia e foi acompanhado por mudanças estratégicas, incluindo a substituição do CEO e a intenção de alienar a divisão industrial Crop Care, iniciativas voltadas ao fortalecimento da liquidez e à readequação de sua estrutura operacional.
- Set/25: Lavoro conseguiu a adesão de 50%+1 do valor da dívida de seus fornecedores para aprovar o Plano de Recuperação Extrajudicial.
- Nov/25: Homologação do pedido de RE pelo 2º Juizado de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca Central de São Paulo.
- Dez/25: Troca de CEO da Lavoro, com a saída de Ruy Cunha e entrada de Marcelo Pessanha, ex-vice-presidente de Vendas e Marketing da Companhia, com mais de seis anos de empresa.
- Fev/26: Lavoro Limited, controladora da Lavoro, anuncia deslistagem voluntária da Nasdaq, alegando uma série de fatores, principalmente: i) o momento desafiador do mercado no Brasil nas últimas safras; ii) os custos associados à manutenção de capital aberto; iii) os baixos volumes de negociação e liquidez de suas ações, com acesso limitado ao mercado de capitais americano.
- Mar/26: Conforme veiculado na mídia (notícia AGFeed), o Pátria teria alienado sua participação na Lavoro para o fundo Arcos Gestão e Investimentos (“AGI”), gestora especializada em reestruturação de empresas em crise, focada em operações de varejo e consumo.
- Abr/26 – dia 22: Conforme fato relevante, a Lavoro deixou de quitar os juros dos CRAs, ocasionando em inadimplemento e vencimento antecipado da dívida.
- Jul/26 – dia 07: Pedido de Recuperação Judicial.
Assembleia – 09/06/26
No dia 09 de junho de 2026 ocorreu a assembleia em 2ª convocação da Lavoro Agroholding S.A., que contou com a presença de 33,32% dos Crazistas. Todas as ordens do dia, descritas abaixo de forma simplificada, foram aprovadas:
- confirmar da contratação do escritório Gustavo Tepedino Advogados, para representar os interesses dos Titulares dos CRA e defendê-los em eventuais processos judiciais e/ou extrajudiciais, conforme item (i) do edital de convocação;
- confirmar e aprovar que a Securitizadora adote as medidas necessárias à defesa dos interesses dos Titulares de CRA, incluindo execução de garantias e adoção de medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis, conforme item (ii) do edital de convocação;
- aprovar a remuneração adicional à Securitizadora, devida em razão da implementação da reestruturação da oferta, conforme item (iii) do edital de convocação; e
- autorização à Emissora em conjunto com o Agente Fiduciário, para praticarem todos os atos necessários à realização das deliberações ora tomadas, conforme item (iv) do edital de convocação.
Para acessar a ata na íntegra, basta clicar neste link.
Inadimplemento dos CRAs
Em 22 de abril de 2026, a securitizadora Ecoagro comunicou o vencimento antecipado dos CRA da 223ª emissão (códigos CRA02300TBL e CRA02300TBM), em razão do não pagamento de juros pela Lavoro Agro Holding S.A., caracterizando evento de inadimplemento.
Com o vencimento antecipado, a Lavoro foi notificada a pagar a totalidade da emissão, estimada em aprox. R$ 420 milhões, no prazo de 3 dias úteis. Na ausência de pagamento, a Ecoagro poderá iniciar os trâmites de execução das garantias e demais medidas legais cabíveis.
Como o pagamento não ocorreu dentro do prazo estipulado, a Ecoagro convocou a assembleia explicada acima para contratar o assessor legal e iniciar os trâmites necessários.
Emissões envolvidas na RJ
- CRA02300TBL
- CRA02300TBM
Garantias
- Fiança das subsidiárias: Lavoro Agrocomercial, Distribuidora Pitangueiras, Produtec, Futuragro, Denorpi e Deragro;
- Cessão fiduciária das contas da emissão.
O que aconteceu com a Lavoro?
O Grupo Lavoro protocolou o pedido de Recuperação Judicial em 2 de julho de 2026, após concluir que a renegociação extrajudicial de parte de suas dívidas e uma etapa de mediação com credores não foram suficientes para reequilibrar seu fluxo de caixa.
Segundo a petição, o grupo já vinha promovendo uma reestruturação operacional profunda: fechou lojas deficitárias, reduziu estruturas administrativas e corporativas, ajustou o quadro de colaboradores e concentrou sua operação no Paraná – especialmente na região de Ponta Grossa -, que a companhia considera seu núcleo mais rentável e estratégico.
Apesar dessas medidas, a Lavoro sustenta que continuou enfrentando um forte descasamento entre as entradas de caixa, os custos operacionais e os vencimentos de dívidas. O quadro se agravou pela antecipação do vencimento de uma operação de CRA superior a R$ 420 milhões, por outras obrigações renegociadas que se tornaram exigíveis e por cobranças de diversos credores.
A dívida indicada no pedido é de aproximadamente R$ 3,18 bilhões, concentrada majoritariamente em créditos quirografários. Nesse contexto, a empresa afirma que a Recuperação Judicial é necessária para interromper a cobrança individual e descoordenada dos credores, preservar caixa, estoques e contratos essenciais, e permitir uma renegociação coletiva do passivo compatível com a capacidade financeira da operação remanescente.
Motivos alegados pela empresa para entrar em RJ
- Crescimento acelerado sem captura dos ganhos de escala esperados
A Lavoro afirma que cresceu por meio de fusões e aquisições de revendas regionais, mas que a heterogeneidade do agronegócio brasileiro — diferenças de cultura, logística, calendário agrícola e perfil de produtores em cada região — impediu a captura das eficiências projetadas. - Estrutura operacional sobredimensionada
Segundo o grupo, a companhia passou a operar com estrutura corporativa, despesas fixas, capital e endividamento compatíveis com uma empresa de faturamento bilionário, mas sem rentabilidade suficiente para suportar esse porte. - Margens deterioradas e custos fixos elevados
A empresa relata redução de margens, estrutura dispersa e redundante e elevado custo administrativo, o que teria agravado o descompasso entre receitas e despesas recorrentes. - Queda nas vendas de insumos agrícolas
A petição informa que houve uma redução relevante nas vendas de insumos antes e depois da recuperação extrajudicial anterior, prejudicando a geração de receita e de caixa. - Condições climáticas adversas no agronegócio
A Lavoro aponta que secas e outros eventos climáticos adversos iniciados no fim de 2023 e intensificados em 2024 afetaram a produção rural, reduziram a capacidade de pagamento dos agricultores e pressionaram toda a cadeia do agronegócio. - Queda nos preços das commodities após período de preços elevados
Conforme a empresa, após a alta das commodities em 2022, produtores e distribuidores ficaram expostos a estoques adquiridos a custos elevados. A posterior queda dos preços, a partir de 2023, reduziu margens e gerou prejuízos para os produtores, afetando suas compras e pagamentos. - Aumento do endividamento e da inadimplência dos produtores rurais
A Lavoro sustenta que muitos produtores assumiram investimentos durante o ciclo favorável de preços entre 2021 e 2022. Com a normalização dos preços das commodities e a alta dos juros, o endividamento desses clientes se tornou mais difícil de administrar, elevando a inadimplência da carteira da companhia.