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Expert Credit XP 2026: O que esperar de empresas e bancos?

Confira a visão de especialistas do mercado sobre crédito privado e instituições financeiras, incluindo os principais desafios e oportunidades para investidores e emissores.

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Aconteceu nesta segunda-feira (29/26/26) o evento “Expert Credit XP 2026”, reunindo especialistas do mercado financeiro em crédito e ratings para debater as principais tendências da indústria, bem como os impactos do atual cenário macroeconômico sobre emissores corporativos e bancários, mapeando riscos e oportunidades para os investidores.

Confira a seguir os destaques do evento!

Crédito privado, Mercado de Capitais e Originação

Alexandre Muller | Leto Capital, Gustavo Oxer | XP Investment Banking

Mediação: Lucas Genoso, Head do Credit Research na XP

O painel analisou a evolução do mercado de crédito privado brasileiro, os efeitos do ambiente de juros elevados sobre emissores e investidores e as mudanças observadas na originação, na estruturação de operações e na dinâmica de spreads.

Crédito privado ganha escala com maior maturidade dos investidores

Ao comentar a trajetória recente da indústria, Alexandre Muller observou que o crescimento do mercado de capitais não é um fenômeno exclusivamente brasileiro e citou o avanço do private credit nos Estados Unidos. Segundo ele, esse movimento foi impulsionado tanto pelo aumento das restrições regulatórias sobre o crédito bancário tradicional quanto pela mudança no comportamento dos investidores, que passaram a buscar produtos mais eficientes e teses de investimento mais concretas.

Do lado da originação, Gustavo Oxer destacou que o mercado também registrou avanços operacionais importantes. A distribuição de títulos ficou mais ágil, a liquidez aumentou e as gestoras passaram a atuar de forma mais especializada, ampliando a oferta de produtos para diferentes perfis de investidores.

Ambiente desafiador exige análise mais criteriosa dos créditos

Ao tratar do cenário macroeconômico atual, Muller apontou uma clara divisão entre segmentos da economia. Enquanto pessoas físicas e pequenas e médias empresas mostram sinais de aumento da inadimplência e pressão sobre a atividade, as grandes companhias continuam demonstrando maior resiliência operacional e financeira. O gestor acrescentou que esse movimento tem sido acompanhado por uma tendência de concentração setorial, com empresas líderes ganhando participação de mercado.

Nesse contexto, os participantes destacaram que questões de governança corporativa passaram a receber mais atenção, enquanto conceitos tradicionalmente associados a maior segurança, como porte ou relevância setorial, vêm sendo avaliados de forma mais rigorosa.

Na originação, Oxer ressaltou a necessidade de maior cautela com companhias menores ou com maior pressão de liquidez no curto prazo. Por outro lado, as empresas de maior porte se beneficiaram do alongamento de passivos realizado nos últimos anos.

Estruturados e securitização ampliam as alternativas de financiamento

Um dos temas centrais do painel foi o crescimento das estruturas de crédito estruturado e securitização. Lucas Genoso observou que essas operações deixaram de ser um nicho restrito a investidores institucionais e vêm ganhando espaço também entre pessoas físicas.

Segundo ele, o avanço da classe torna ainda mais importante a compreensão dos mecanismos de proteção, garantias e fluxos que sustentam cada estrutura.

Gustavo Oxer ressaltou que esses instrumentos têm demonstrado elevada resiliência tanto em cenários de maior estresse quanto em momentos de spreads comprimidos, oferecendo mecanismos adicionais de proteção e flexibilização de risco.

Muller completou que a expansão desse mercado tem sido um dos principais vetores de desenvolvimento da indústria, ao permitir transformar ativos antes concentrados nos balanços das empresas em instrumentos distribuíveis ao mercado.

Liquidez favorece normalização gradual dos spreads

Ao discutir os spreads de crédito, Genoso chamou atenção para o comportamento distinto entre os ativos indexados ao CDI e os títulos incentivados, que registraram movimentos mistos recentemente.

Alexandre Muller lembrou que os principais movimentos de abertura observados nos últimos anos estiveram associados a eventos excepcionais — como a pandemia em 2020 e os casos de Americanas e Light em 2023 — e também ocorreram entre fevereiro e maio de 2026 com emissores específicos. Mesmo assim, avaliou que os spreads das operações atreladas ao CDI já se encontram próximos das médias históricas, refletindo a recuperação gradual da confiança dos investidores.

Gustavo Oxer acrescentou que os fundos mantêm níveis confortáveis de liquidez e que o pipeline de emissões permanece relativamente moderado, o que tem favorecido o fechamento gradual dos spreads no mercado CDI. Já nos títulos isentos, a maior volatilidade das taxas está associada ao menor tamanho do mercado e aos prazos mais longos das emissões.

Os três participantes concordaram que não esperam novos movimentos bruscos de abertura de spreads no atual ritmo de normalização das captações dos fundos, considerando que a alocação em crédito privado continua fazendo sentido do ponto de vista de portfólio e diversificação.

Oportunidades e perspectivas

Ao encerrar o painel, Alexandre Muller destacou oportunidades principalmente nos segmentos de infraestrutura — beneficiados pela combinação de incentivos tributários e spreads ainda atrativos —, nas operações de securitização e no crescimento dos ETFs de crédito como potenciais vetores de transformação da indústria.

Lucas Genoso reforçou que eventos de crédito fazem parte da evolução natural do mercado e contribuem para seu amadurecimento, destacando a importância da diversificação na construção de portfólios de longo prazo.

Em síntese, o painel retratou um mercado de crédito privado mais maduro e resiliente, sustentado por maior disciplina dos investidores, evolução das práticas de governança e crescente sofisticação das estruturas de financiamento. Embora o ambiente de juros elevados ainda exija seletividade, especialmente em segmentos mais pressionados, os participantes enxergam fundamentos sólidos para o desenvolvimento da indústria em um mercado cada vez mais preparado para absorver ciclos de volatilidade.

Emissores bancários: novas regulações fortalecendo o sistema

Claudio Gallina e Raphael Nascimento | Fitch Ratings

Mediação: Mayara Rodrigues, Sr. Associate no Credit Research da XP

Após o panorama do crédito privado, o segundo painel discutiu as instituições financeiras no atual cenário macroeconômico e as principais mudanças regulatórias em curso no setor.

O papel dos ratings e a análise através dos ciclos

Na abertura, Claudio Gallina explicou que a diretriz da agência é avaliar os emissores ao longo dos ciclos econômicos, evitando revisões excessivamente influenciadas por volatilidades de curto prazo.

Ele acrescentou que movimentos transformacionais nas empresas — como vendas, aquisições ou mudanças estratégicas — podem gerar alterações mais relevantes nas notas de crédito, pois modificam o perfil de risco do emissor. Nesses casos, a agência costuma adicionar uma “Observação” e se compromete a revisar o crédito em prazo mais curto, de até seis meses.

Bancos enfrentam ambiente mais desafiador, mas capital segue robusto

Mayara Rodrigues destacou que o ambiente macroeconômico mais desafiador afeta diretamente a qualidade dos ativos, os custos de funding e o crescimento das carteiras de crédito.

Raphael Nascimento relatou que a Fitch revisou recentemente a perspectiva do setor bancário brasileiro de neutra para deteriorando, refletindo principalmente a expectativa de juros elevados por um período mais prolongado, ainda que se espere um movimento heterogêneo entre os diferentes perfis de bancos.

Apesar do cenário mais difícil, Nascimento ressaltou que os bancos mantêm colchões de capital e provisões considerados adequados para absorver eventuais perdas. A expectativa, porém, é de maior dispersão de resultados entre as instituições, conforme a composição das carteiras e a qualidade da originação.

Ele observou ainda que o crescimento do endividamento das famílias, combinado ao elevado custo financeiro, deve continuar pressionando determinados segmentos, embora o sistema bancário siga beneficiado por um ambiente regulatório robusto e pelos ganhos de eficiência acumulados nos últimos anos, inclusive em resposta ao avanço das fintechs.

Nova regulação 4.966 fortalece a visão prospectiva do risco de crédito

Mayara Rodrigues direcionou parte da discussão para os efeitos da Resolução 4.966, que tem gerado debates entre investidores por alterar a forma como os bancos reconhecem provisões e reportam indicadores de inadimplência.

Segundo Raphael Nascimento, a principal mudança foi a transição de um modelo predominantemente baseado em atraso para uma abordagem prospectiva, na qual os bancos passam a incorporar cenários econômicos e estimativas futuras de perda já no momento da concessão do crédito. Embora a adaptação tenha exigido ajustes relevantes nos modelos internos, ele avaliou que a mudança tende a fortalecer a resiliência do sistema ao longo dos ciclos.

Segundo Nascimento, a principal mudança foi a transição de um modelo predominantemente baseado em atraso para uma abordagem prospectiva, na qual os bancos incorporam cenários econômicos e estimativas futuras de perda já no momento da concessão do crédito. Embora a adaptação tenha exigido ajustes importantes nos modelos internos, o especialista avaliou que a mudança tende a fortalecer a resiliência do sistema ao longo dos ciclos.

Claudio Gallina destacou que a nova metodologia também aumenta a comparabilidade internacional das demonstrações financeiras dos bancos brasileiros, representando um avanço relevante para investidores e analistas.

Mudanças regulatórias incentivam funding mais diversificado

Mayara questionou os participantes sobre a evolução do consignado privado, produto que tem atraído o interesse de bancos médios em busca de crescimento.

Na avaliação da Fitch, o consignado privado permanece como uma das principais avenidas de expansão, embora ainda esteja em fase de amadurecimento. Nascimento observou que os indicadores iniciais de inadimplência têm melhorado à medida que o produto ganha escala, os processos operacionais evoluem e os convênios se tornam mais robustos.

Em relação às mudanças recentes envolvendo captação e utilização das garantias do FGC, os painelistas ressaltaram que o objetivo das medidas é estimular o uso mais eficiente e prudente dos mecanismos de proteção existentes, incentivando, ao mesmo tempo, maior diversificação das fontes de funding.

Sistema bancário segue sólido apesar do ambiente mais desafiador

Nas considerações finais, os especialistas destacaram que os grandes bancos permanecem bem posicionados para enfrentar o atual ciclo, beneficiados por escala, diversificação e capacidade de adaptação. Entre as instituições de médio porte, ganharam destaque aquelas com estruturas de suporte mais robustas e as que mantêm posicionamento relevante em segmentos específicos, como o crédito consignado.

Em síntese, o painel reforçou a percepção de que o sistema bancário brasileiro permanece sólido e bem capitalizado, embora inserido em um ambiente mais desafiador para originação e qualidade de crédito. A combinação entre maior rigor regulatório, provisões mais conservadoras e evolução das práticas de gestão de risco contribui para fortalecer a resiliência do setor, mesmo em um contexto de juros elevados e crescimento econômico moderado.

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