CRA São Martinho – ABR/2026

CRA São Martinho – ABR/2026

  • Vencimento 15/04/2026
  • Rentab. -
  • Liquidez -
  • Juros -
  • Rating -
  • Risco (0 - 100) 16 Risco Médio

    A nova pontuação de risco leva em consideração critérios de risco, mercado e liquidez. Para saber mais, clique aqui.

  • Preço Unitário R$ 1.000,00

Análise do Emissor

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A São Martinho é um dos maiores players de açúcar e etanol do Brasil, atuando na compra, cultivo, colheita e processamento de cana-de-açúcar, por meio de quatro usinas localizadas nos estados de São Paulo e Goiás. Na safra 2020/2021, a empresa foi beneficiada pelos preços favoráveis de ambas as commodities, contexto levemente ofuscado pelo clima mais seco. Apesar da redução de 0,5% no processamento de cana-de-açúcar ante a temporada anterior, o EBITDA avançou 17,8% para R$ 2,2 bilhões. Sua alavancagem atingiu 1,24x, abaixo de seus pares no setor.

Destaques positivos

  • Alta eficiência operacional.
  • Capacidade de produção elevada.
  • Custo-caixa de produção inferior aos pares do setor.
  • Boa flexibilidade de produção (açúcar/etanol).
  • Alavancagem controlada.
  • Fácil acesso ao mercado de capitais.

Pontos de atenção

  • Exposta à volatilidade de preços e de mercado de açúcar e etanol.
  • Suscetível a condições climáticas e quebras de safra.

Quem é a São Martinho?

Histórico

A história da São Martinho teve início em 1914, com a fundação de um engenho de cana-de-açúcar no sítio Olaria, no interior de São Paulo, pela Família Ometto, os quais imigraram para o Brasil no final do século XIX.

A família produziu açúcar pela primeira vez em 1932, na Fazenda Boa Vista, região de Limeira.

Em 1937, a família adquire a Usina Iracema, localizada no município paulista de Iracemópolis, transformando-a em uma destilaria de álcool. A produção de açúcar na usina iniciou em 1946.

A Usina São Martinho, a maior da companhia em capacidade de produção até hoje, foi adquirida em 1949. As usinas foram modernizadas ao longo dos anos e em 1999 houve uma reestruturação organizacional.

A abertura do capital da São Martinho na Bolsa de Valores de São Paulo ocorreu em 2007, sob o código SMTO3.

Com o montante levantado após a abertura de capital, de R$ 368,4 milhões, a empresa inaugurou a Usina Boa Vista, localizada em Quirinópolis (GO), em 2008.

Em 2010, a São Martinho forma a Nova Fronteira Bioenergia, joint-venture com a Petrobras Biocombustível (PBio) para a produção de etanol. A nova empresa controla a Usina Boa Vista.

No mesmo ano, a companhia anunciou a primeira fase do projeto de cogeração de energia na Usina São Martinho.

A companhia adquiriu a participação da PBio e minoritários na Nova Fronteira Bioenergia em dezembro de 2015. O processo de incorporação foi finalizado em 2017.

Atuação

A São Martinho é um dos maiores players de açúcar e etanol do Brasil. Atua na compra, cultivo, colheita e processamento de cana-de-açúcar.

A empresa possui capacidade de moagem de 24 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, além de contar com capacidade de estocagem de 820 mil toneladas de açúcar e 740 mil m³ de etanol. A área agrícola de colheita é de 350 mil hectares e conta com 100% da colheita mecanizada. Também atua com geração de energia elétrica.

Cerca de 70% da cana utilizada na fabricação dos produtos são provenientes de lavouras próprias, acionistas, empresas ligadas e parcerias agrícolas, enquanto 30% é oriunda de fornecedores terceiros.

Presença

Atualmente, a São Martinho possui quatro usinas em operação:

Usina São Martinho: fundada em 1948, a usina localizada em Pradópolis (SP) é a maior processadora de cana do mundo, com moagem de 10 milhões de toneladas/safra.

Usina Iracema: possui capacidade de moagem de 3 milhões de toneladas por safra. Localiza-se na cidade de Iracemópolis (SP), na região de Limeira, e possui proximidade com o Porto de Santos;

Usina Santa Cruz: a usina fundada em 1945 e localizada em Américo Brasiliense (SP) também é próxima ao Porto de Santos. Possui capacidade de moagem de 5,6 milhões de toneladas por safra.

Usina Boa Vista: é localizada em Quirinópolis (GO) e integra a Nova Fronteira Bioenergia. Foi inaugurada em 2008 e possui capacidade de moagem de aproximadamente 5 milhões de toneladas por safra, sendo suas atividades 100% destinadas para produção de etanol.

Fontes: São Martinho, Google Maps

Todas as usinas da São Martinho são localizadas na região Centro-Sul do Brasil, principal zona produtora de cana-de-açúcar no país.

Composição acionária

LJN Participações (53,7%): holding fundada em 2011 por Luiz Ometto, João Ometto e Nelson Ometto para controlar a empresa sucroalcooleira.

Outros (46,3%).

A companhia é listada na B3 no segmento do “Novo Mercado”, que concentra as empresas com mais alto nível de governança da bolsa.

Principais fatores do crédito

Para melhor entendimento, esclarecemos que a safra 2020/2021 na região Centro-Sul do Brasil abrange o período de colheita, entre abril e dezembro de 2020, e a entressafra, entre janeiro e março de 2021. Suas variações também se aplicam (ex: 2019/2020 seria o intervalo de abril de 2019 a março de 2020).

Fonte: São Martinho. Elaboração: XP.

Cenário atual

Safra 2020/21

A Safra 2020/2021 do setor sucroalcooleiro foi marcada por choques de oferta e de demanda, inicialmente ocasionados pela guerra de preços de petróleo entre Rússia e Arábia Saudita, mas depois, ditados pela pandemia da covid-19 e seus desdobramentos.

Em um primeiro momento da pandemia, as cotações do açúcar e etanol foram impactadas. Contudo, houve também desvalorização do real frente ao dólar, e, como consequência, a remuneração do açúcar exportado foi maior.

A partir do relaxamento das medidas de distanciamento social, observado com maior intensidade em junho de 2020, os preços dos produtos começaram a se recuperar, beneficiando o açúcar e o etanol no mercado local. Ao fim da safra, em março de 2021, ambos eram negociados a preços favoráveis, fato raramente observado nos últimos anos.

Do lado operacional, as usinas do Centro-Sul apresentaram ganho médio de produtividade da cana de 3,1% no exercício, em virtude das chuvas acima da média no período de entressafra, e crescimento de 8,0% na quantidade de Açúcar Total Recuperável (ATR) produzido por hectare na mesma temporada, dada a estiagem no momento da colheita, já que a cana retém mais açúcar nessas condições. Em razão do avanço dos preços do açúcar, que cresceram mais do que os de etanol, as usinas adotaram um mix mais voltado para a produção do adoçante.

ATR é a sigla para Açúcar Total Recuperável, ou seja, a quantidade de açúcar (em quilogramas) que de fato sai da cana colhida (em toneladas). Nessa conta, por exemplo, é excluído o bagaço da cana, que pode ser reutilizado de outras formas.

Safra 2021/22

Na Safra 2021/2022, a manutenção do clima seco foi responsável pelo atraso no início da moagem. Além disso, a redução da área plantada em função da migração de fornecedores para outras commodities de rentabilidade maior no momento, como milho e soja, o envelhecimento do canavial em razão da diminuição do plantio na safra passada, e a manutenção das condições meteorológicas desfavoráveis, também deverão contribuir para a redução da oferta de cana nesta temporada.

A rentabilidade do açúcar deverá permanecer mais atraente do que a do etanol na safra atual. Contudo, sua produção deverá ser menor do que no último exercício, em função do menor ATR da safra e maior demanda de combustível, com o relaxamento das medidas de distanciamento social.

Destaques operacionais

Na safra 2020/2021, a São Martinho processou 22,5 milhões toneladas de cana-de-açúcar, 0,5% inferior à última safra, quando a empresa havia atingido recorde no processamento de cana. A redução pode ser explicada pelo clima mais seco observado no intervalo, também responsável pela redução da produtividade no período de 82,9 ton/ha para 80,7 ton/ha. Por outro lado, o ATR médio foi 4,6% maior no intervalo em 145,7 kg/ton.

Refletindo a dinâmica de preços favorável para ambos os produtos, a São Martinho manteve mix de produção equilibrado na safra, com 47% de participação de açúcar e 53% de etanol. Para efeitos de comparação, na safra 2019/2020, quando as cotações de açúcar se encontravam pressionadas, o mix havia sido de 37% para açúcar e 63% etanol.

Sendo assim, a produção de açúcar totalizou 1,5 milhão de toneladas, crescimento de 34,1% frente à temporada anterior, enquanto a produção de etanol totalizou 1 milhão de m³, retração de 13,1% na mesma janela.

Ao fim da safra, a empresa contava com 51,4 mil toneladas de estoque de açúcar, 106,7% superior ao saldo da última temporada, e 84,6 mil de m³ de estoque de etanol, 3,4% inferior.

Juntamente com os números do quarto trimestre, a São Martinho divulgou seu guidance de produção para a safra 2021/2022 que iniciara. A companhia estimou volume de moagem de cana-de-açúcar de 20,5 milhões de toneladas, 8,9% inferior ao apresentado no último ciclo, com ATR médio de 146 kg/ton, relativamente estável no mesmo intervalo. A menor produtividade reflete os efeitos da estiagem.

A empresa estima uma maior participação de etanol no mix de produção nesta safra, com expectativas de 58% de etanol e 42% de açúcar. Por fim, as fixações de preço de açúcar para a safra 21/22 totalizam cerca de 939 mil toneladas de açúcar (97% da cana própria) a um preço médio de R$ 1.634/ton. Para a safra 22/23, as fixações totalizavam 343 mil toneladas de açúcar (38% da cana própria) a um preço médio

Destaques financeiros

A métrica de Earning Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization (EBITDA) é um indicativo da geração de caixa operacional da empresa, sem levar em consideração os efeitos de receitas e despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização. Apesar de não ser uma métrica auditada ou enquadrada nos padrões contábeis, é amplamente utilizada para análise de empresas. O EBITDA em relação ao endividamento líquido é uma das principais métricas utilizadas na análise de crédito.

Receita líquida e EBITDA

Diante do maior preço médio de açúcar e etanol, além do maior volume de vendas de açúcar no período, a São Martinho gerou receita líquida de R$ 4,3 bilhões no exercício, expansão de 16,8% em relação à última safra.

A melhora no faturamento também refletiu no EBITDA, que avançou 17,8% no mesmo intervalo para R$ 2,2 bilhões, com margem EBITDA de 50,6% (ante 50,2%).

Endividamento e alavancagem

A dívida bruta da empresa ao fim de março totalizou R$ 4,1 bilhões, 16,0% inferior ao saldo da última safra, variação explicada em sua maior parte pelo vencimento de Notas de Crédito à Exportação (NCE) e Créditos Rurais.

Enquanto isso, a dívida líquida apresentou retração menor, de 6,2% para R$ 2,7 bilhões, devido à redução de 30,5% das disponibilidades no período. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/EBITDA em reais retraiu de 1,55x para 1,24x no mesmo intervalo, refletindo a maior geração de EBITDA.

A posição de caixa de R$ 1,4 bilhão da São Martinho é suficiente para o cumprimento do cronograma de amortização da dívida para os próximos 2 anos. Além disso, 83% da dívida está distribuída no longo prazo, com prazo médio de 3,5 anos, reduzindo assim riscos de refinanciamento.

Práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)

Em geral, a indústria de Açúcar e Etanol (S&E, na sigla em inglês) é um setor sensível na perspectiva ESG. Em nossa visão, o pilar Ambiental (E) é o fator mais importante na análise, embora o de Governança (G) e Social (S) não estejam distantes.

Isso posto, apesar da São Martinho fazer parte de um setor com desafios em relação, principalmente, ao pilar Ambiental, vemos a empresa bastante comprometida com a agenda ESG, sendo uma das melhores do setor, dado seus diversos programas em vigor que focam na redução dos impactos adversos de suas operações ao meio ambiente, com destaque para o programa de controle de emissões de gases do efeito estufa da São Martinho e seu mapeamento do uso da terra e das áreas de preservação permanente (APPs), além do controle em relação ao uso da água e projetos de gestão de resíduos.

No pilar Social, destacamos os programas comunitários da São Martinho e os esforços da companhia em garantir a segurança de sua força de trabalho.

Por fim, acreditamos que a frente de Governança é a que tem maior espaço para melhorias, principalmente no que se refere ao Conselho de Administração da empresa, tanto em termos de independência quanto de diversidade de gênero.

Para mais informações, consulte Radar ESG | São Martinho (SMTO3) e visão geral sobre investimentos ESG.

Pontos de atenção

Exposta à volatilidade de preços e de mercado de açúcar e etanol

Os produtos comercializados pela São Martinho (açúcar e etanol) estão sujeitos a variação de preços que pode afetar o desempenho financeiro da empresa. Ambos estão expostos às oscilações naturais de preço por dinâmica de oferta e demanda.

No caso do açúcar, os valores de referência no mercado local também são afetados pelos preços em dólar praticados no exterior. Quanto ao mercado de etanol, sua cotação é influenciada pela dinâmica de preços da gasolina.

Visando reduzir a volatilidade, são executadas estratégias de hedge cambial, de açúcar e etanol, que podem ter efeitos adversos nos resultados.

Suscetível a condições climáticas e quebras de safra

A região Centro-Sul do Brasil atravessa períodos de estiagem com uma certa recorrência, o que prejudica a agropecuária na região como um todo. Já que a cana demanda alta disponibilidade de água para seu desenvolvimento, tais períodos de seca podem ocasionar a morte de lavouras, culminando na quebra de safra.

Durante a Safra 2018/19, por exemplo, a região de Ribeirão Preto sofreu quebra de safra de cerca de 20% da produção decorrente de estiagem.

Para a Safra 2021/22, a estiagem deverá ser constante, ao contrário da anterior, que apresentou bons índices de precipitação no período de entressafra. Como a estiagem está atingindo várias fases de crescimento da cana, a produtividade das lavouras deverá ser reduzida. Ainda no âmbito de condições meteorológicas, as atuais geadas tendem a reduzir a qualidade da cana, agregar dificuldades no manejo da colheita, e criar desafios ainda maiores para 2022.

Ainda não é possível medir o tamanho do real impacto das condições meteorológicas adversas sobre as lavouras, contexto que deverá ser monitorado ao longo dos meses.

Veja mais

Fonte

Pecege

São Martinho

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