Relatório Semanal de Política 03/03/2019: Falta de articulação política do Executivo com o Legislativo

O Relatório Semanal de Política apresenta os principais destaques da semana e nossa perspectiva para a semana seguinte.


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Jair Bolsonaro tenta aproximação com deputados, mas ainda sofre resistências na Câmara no momento em que se inicia a tramitação da reforma da Previdência.


Terminado o período de aquecimento das última semanas, Bolsonaro precisa colocar em prática as promessas para melhorar a articulação política, sob pena de sofrer novas derrotas no Congresso Nacional.

A última semana foi marcada por gestos do presidente e de integrantes do governo em direção aos parlamentares, insatisfeitos com a falta de diálogo e com a demora na distribuição de cargos e emendas.

A reunião de Bolsonaro com líderes de partidos foi vista como um início de conversa, mas ainda há demandas para se sustentar no mundo real. Enquanto a articulação não for resolvida, o mau humor continua e não será possível falar em base de apoio ao governo.

Com isso, talvez maior problema do presidente hoje seja a dificuldade de interpretar e atender as múltiplas demandas dos parlamentares. O remédio para isso é conversar, fazer política.

Bolsonaro anunciou nesta semana Joice Hasselmann como líder do governo no Congresso. Conhecida pela capacidade de mobilização nas redes sociais, a deputada do PSL pode ajudar na árdua tarefa de explicar aos diferentes grupos de interesse a necessidade da reforma e ajudar colegas a falar sobre os pontos mais polêmicos da Nova Previdência em suas bases eleitorais.

O que era dado como certo nos bastidores de Brasília foi confirmado pelo próprio presidente nessa semana. O texto da Nova Previdência que chegou ao Congresso será flexibilizado. a economia prevista em 10 anos será certamente menor que a projeção da equipe de Paulo Guedes para o texto, R$ 1,165 trilhão. Bolsonaro já admite ceder em relação à idade mínima para mulheres, que poderia ser reduzida de 62 para 60 anos.

Para o governo, uma reforma menor do que a idealizada por Paulo Guedes é melhor do que nenhuma.

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Foram 122 pessoas entrevistas, entre economistas, gestores e consultores.

A maioria dos entrevistados estima que a reforma da Previdência aprovada pelo Congresso gerará uma economia de R$ 700 bilhões em 10 anos. O valor é 40% menor que a estimativa do governo para o texto original.

Os interlocutores atribuem probabilidade de 80% de que uma alteração constitucional nas regras da Previdência seja aprovada ainda em 2019.


Ainda nessa semana, o STF iniciou o julgamento de um grupo de ações que contestam trechos da Lei de Responsabilidade Fiscal, entre eles o que possibilita a redução de salário e a exoneração de servidores públicos. Os governadores estão atentos à discussão, já que os estados encontram dificuldades em pagar salários e equilibrar o caixa.

Depois do Carnaval, o ministro Dias Toffoli, presidente da Corte, vai anunciar nova data para a retomada da sessão. O tema controverso, no entanto, deve resultar em um julgamento extenso e pouco previsível.

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