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Bolsas em queda com cautela global; IPCA-15 em foco no Brasil

Preço do petróleo e IPCA-15 são alguns dos temas de maior destaque nesta quinta-feira, 26/03/2026

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IBOVESPA +1,60% | 185.424 Pontos

CÂMBIO -0,62% | 5,22/USD

O que pode impactar o mercado hoje

Ibovespa

O Ibovespa encerrou o pregão de quarta-feira em alta de 1,60%, aos 185.424 pontos, acumulando o terceiro dia consecutivo de ganhos e atingindo o maior nível de fechamento desde 2 de março. O movimento refletiu a continuidade do ambiente mais favorável para ativos de risco em meio ao aumento das expectativas de mercado com um possível cessar-fogo no conflito no Oriente Médio.

MRV (MRVE3, +7,5%) liderou os ganhos do índice, repercutindo a notícia de aumento dos limites para uso do FGTS no financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida. Por outro lado, Azzas 2154 (AZZA3, -2,0%) figurou entre as principais quedas, refletindo preocupações do mercado com o desempenho de curto prazo da companhia.

Nesta quinta-feira, o destaque fica para a divulgação do IPCA-15 no Brasil. Na agenda corporativa, atenção aos resultados de JHSF.

Renda Fixa

Os juros futuros recuaram nesta quarta‑feira, devolvendo parte da alta observada na véspera, em um ambiente de menor volatilidade nos mercados globais. No exterior, a queda do petróleo, diante da perspectiva de negociações entre Estados Unidos e Irã, favoreceu o apetite por risco. Nos EUA, os rendimentos fecharam em baixa, com a T‑Note de 2 anos em 3,88% (‑4 bps), a de 10 anos em 4,32% (‑7 bps) e o T‑Bond de 30 anos em 4,89% (‑6 bps). No Brasil, a curva acompanhou o alívio externo, com o DI jan/27 em 14,11% (‑6 bps), o jan/29 em 13,82% (‑1 bp) e o jan/31 em 13,96% (+3 bps).

Mercados globais

Nesta quinta-feira, os futuros nos EUA operam em queda (S&P 500: -0,8%; Nasdaq 100: -0,9%), após a recuperação observada na sessão anterior. O mercado segue sensível às manchetes sobre o conflito entre EUA e Irã, com sinais mistos quanto a uma possível resolução. Apesar de autoridades iranianas indicarem que estão revisando uma proposta americana, o país reiterou que não pretende conduzir negociações diretas com os EUA, mantendo elevada a incerteza. O petróleo volta a avançar (WTI: 3,6%; Brent: +3,3%), refletindo incertezas em descompressão do conflito.

Na Europa, as bolsas operam em queda (Stoxx Europe 600: -1,3%), devolvendo parte dos ganhos recentes em meio à dificuldade do mercado em interpretar os sinais contraditórios sobre um eventual cessar-fogo. Setores mais sensíveis ao ciclo econômico lideram as perdas, com mineração (-3,4%) e tecnologia (-1,8%) sob pressão. O pano de fundo segue sendo a incerteza sobre a duração do conflito e seus impactos sobre crescimento, inflação e custos corporativos.

Na China, os mercados fecharam em queda (HSI: -1,9%; CSI 300: -1,3%), acompanhando o aumento da cautela global. A pressão foi mais intensa na Coreia do Sul, com o Kospi recuando mais de 3%, refletindo maior sensibilidade ao ciclo global e aos preços de energia. Japão também operou em leve baixa (Nikkei: -0,3%).

IFIX

O Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) encerrou o pregão desta quarta‑feira em alta de 0,10%. Entre os fundos que compõem o índice, os segmentos mais sensíveis se destacaram, registrando as maiores altas do pregão. Nesse contexto, os Fundos de Fundos e os Fundos Multiestratégia avançaram 0,45%, enquanto os Fundos Híbridos subiram 0,49%.

Os Fundos de Tijolo também registraram alta (+0,08%), influenciados principalmente pelo desempenho dos Fundos de Shoppings (+0,13%), ainda que o movimento tenha sido parcialmente compensado pela queda dos Fundos de Lajes Corporativas (-0,33%). A performance negativa do segmento de escritórios foi influenciada, entre outros fatores, pelo PVBI11, que recuou 2,7% após a gestão comunicar a expectativa de ajustar a distribuição de R$ 0,45/cota para R$ 0,40/cota a partir do próximo mês, refletindo desafios relacionados aos níveis de vacância.

Os Fundos de Recebíveis fecharam em leve queda de 0,08%. Entre os destaques positivos, chamaram atenção BCIA11 (+3,2%), VIUR11 (+1,8%) e VILG11 (+1,8%). No campo negativo, as maiores baixas foram registradas por PVBI11 (-2,7%), KORE11 (-1,6%) e GZIT11 (-1,5%).

Economia

O petróleo segue pressionado próximo de US$ 100 por barril. O Irã analisa uma proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos, enquanto a Casa Branca alerta que novos ataques ocorrerão sem acordo.

No Brasil, segundo a CNN, o governo prepara uma proposta para conter juros considerados abusivos no crédito consignado do setor privado.

Hoje, o Banco Central divulga o Relatório de Política Monetária e o IBGE publica o IPCA‑15 de março, enquanto nos Estados Unidos a agenda inclui pedidos semanais de seguro‑desemprego e discursos de dirigentes do Fed (banco central).

Veja todos os detalhes

Economia

Relatório de Política Monetária e IPCA-15 na agenda de hoje

  • O petróleo segue pressionado próximo de US$ 100 por barril. O Irã analisa uma proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos, enquanto a Casa Branca alerta que novos ataques ocorrerão sem acordo. Apesar do discurso firme, reportagens afirmam que Donald Trump deseja encerrar rapidamente a guerra, destacando que a viagem do presidente à China em maio indica essa intenção. O Estreito de Ormuz continua fechado e impede o fluxo de cerca de um quinto do petróleo e gás natural mundial, o que mantém os preços do petróleo acima dos níveis pré‑conflito.
  • No Brasil, segundo a CNN, o governo prepara uma proposta para conter juros considerados abusivos no crédito consignado do setor privado. A medida não deve criar um teto formal, mas pode classificar como abusivas taxas que superem determinado percentual da média do mercado. A equipe econômica também avalia regulamentar o uso do FGTS como garantia, o que ajudaria a reduzir o custo dos empréstimos. As duas iniciativas devem ser discutidas no CGCONSIG, que reúne MTE, Casa Civil e Ministério da Fazenda.
  • Na agenda de hoje, destaque para a divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM) pelo Banco Central. Esse é um dos principais documentos da autoridade monetária e apresenta as diretrizes adotada pelo Copom e sua avaliação da evolução recente e das perspectivas da economia, especialmente as projeções de inflação. Ademais, o IBGE divulgará o IPCA-15 de março, para o qual esperamos reversão na forte alta de passagens aéreas em fevereiro, embora haja incertezas sobre o comportamento dos preços de combustíveis após o início da guerra. Nos Estados Unidos, a agenda contará com a publicação dos pedidos semanais de seguro desemprego e com discursos de diretores do Fed (banco central).


Empresas

Rodovias (ECOR3; MOTV3): Avaliando risco de Capex em meio a preços mais altos de insumos (Petróleo/CAP) | Vemos uma reação exagerada à nossa avaliação de risco; Compra ECOR

  • Os investidores têm demonstrado preocupação recente com possíveis estouros de capex em rodovias, uma vez que uma parcela relevante dos compromissos atualmente elevados depende de insumos derivados de petróleo (CAP) em meio à alta dos preços do petróleo;
  • Nosso índice proprietário de custo‑proxy indica ~R$1,7–2,2 bilhões de risco de estouro de capex caso os preços do petróleo permaneçam nos níveis atualmente elevados (5%/30% do valor de mercado para MOTV/ECOR — Figuras 6‑7);
  • O mercado parece já ter incorporado amplamente esse risco aos preços das ações, conforme refletido no desempenho recente das empresas listadas desde o início da guerra em 2 de março passado (‑6%/‑22% para MOTV/ECOR);
  • Vemos essa reação como exagerada (isto é, precificando em grande parte um cenário de pior caso), uma vez que:
    • A execução do capex é diluída ao longo da vida das concessões de longo prazo;
    • Os impactos efetivos no fluxo de caixa estão sujeitos a mecanismos de reequilíbrio (como observado após a guerra Rússia‑Ucrânia);
  • Assim, enxergamos a recente queda de preços como criando um ponto de entrada atrativo, principalmente para a ECOR3, que apresentou desempenho materialmente pior que MOTV e o mercado;
  • Clique aqui para acessar o relatório.

JBS (JBSS32) | Diversificação em jogo

  • A JBS reportou um trimestre razoável, com miss em receita líquida (+7% A/A | -4% vs XPe), mas beat no EBITDA ajustado IFRS (-14% A/A | +3% vs XPe), enquanto o lucro líquido também veio abaixo do esperado, refletindo despesas financeiras acima do antecipado e ajustes pontuais;
  • Em alguns momentos, criticamos a JBS por sua exposição a todas as proteínas e regiões, o que limita a possibilidade de capturar ciclos específicos de commodities; porém, a excelência operacional e a gestão do passivo da Companhia mudaram seu perfil de geração de valor ao acionista;
  • Ainda assim, com um cenário tão volátil quanto possível (i.e., guerra no Irã, surtos de gripe aviária, escrutínio governamental, greves de trabalhadores), a diversificação de lucros é mais do que bem-vinda;
  • Além de resultados razoáveis, a Companhia anunciou um dividendo esperado de USD 1/ação (~6,7% de yield), a ser pago em 17 de junho (acionistas com posição ao fechamento de 18 de maio terão direito ao recebimento);
  • Confira o relatório aqui.

Bens de capital: Revisões negativas à frente reforçam seletividade

  • Acreditamos que os resultados recentes implicam revisões negativas para diversas companhias da nossa cobertura de bens de capital, conforme refletido em nossa postura mais cautelosa para RAPT4/FRAS3;
  • Olhando à frente, vemos os desdobramentos geopolíticos elevando a incerteza, com a volatilidade dos preços de combustíveis e riscos inflacionários crescentes tornando a trajetória de cortes de juros no Brasil menos previsível;
  • Isso reforça nossa inclinação por nomes com histórias bottom‑up mais robustas, balanços mais saudáveis e algum (ou relevante) hedge cambial, com preferência por Marcopolo e Embraer;
  • Clique aqui para acessar o relatório completo.

JSL (JSLG3): Revisão dos Resultados do 4T25 | Enfraquecimento da receita, mas desalavancagem sustentada por expansão de margem e disciplina de Capex

  • A JSL reportou resultados neutros, com lucro líquido ajustado de R$30 milhões (‑16% A/A), acima da nossa estimativa (XPe: R$15 milhões) devido a efeitos tributários;
  • Destacamos:
    • Receita mais fraca (‑1% A/A, ‑1% T/T), impulsionada por desempenho mais fraco em serviços dedicados (‑5% A/A), apesar da continuidade de resultados fortes em Intralog (+8% A/A) e JSL Digital (+16% A/A);
    • Atividade comercial levemente mais lenta, totalizando R$829 milhões em novos contratos (vs. R$854 milhões no 3T25);
    • Crescimento do EBITDA de 16% A/A, sustentado por iniciativas contínuas de eficiência de custos e renegociações contratuais;
    • Melhora da alavancagem (‑0,15x T/T), refletindo maior participação de contratos “leves”, que impulsionam uma redução consistente do capex líquido;
    • Leve expansão do ROIC para 14,8% (+0,2 p.p. T/T). Mantemos nossa recomendação de Compra para a JSL;
  • Clique aqui para acessar o relatório.

Automob (AMOB3): Revisão dos Resultados do 4T25 | Resultados mais fracos em meio a ventos contrários persistentes em máquinas agrícolas

  • A Automob apresentou resultados mais fracos, registrando um prejuízo líquido ajustado de R$62 milhões (ainda que melhor do que nosso prejuízo estimado de R$96 milhões);
  • Destacamos:
    • Crescimento positivo do lucro bruto em Veículos Leves (+9% A/A), sustentado por uma performance mais forte da receita, impulsionada por maiores volumes de vendas por loja e melhora de margens;
    • Um ambiente de demanda ainda desafiador em Máquinas Agrícolas (volumes ‑22% A/A), parcialmente compensado por um desempenho mais forte em Caminhões & Ônibus (receitas +13% A/A), que sustentou a expansão do lucro bruto em Veículos Pesados (+31% A/A);
    • Alavancagem praticamente estável T/T em 3,7x dívida líquida/EBITDA, apesar dos esforços contínuos da AMOB para fortalecer sua estrutura de capital por meio da redução dos níveis de estoque pago (estoque de Agrícolas -15% T/T).
  • Clique aqui para acessar o relatório.

Boa Safra (SOJA3) | Revisão de resultados do 4T25: O Custo do crescimento e da diversificação

  • A Boa Safra reportou resultados fracos, que devem ampliar o ceticismo do mercado quanto à capacidade da Companhia de entregar crescimento de lucro em qualquer horizonte previsível, especialmente considerando o cenário desafiador para players de insumos agrícolas;
  • Crescimento e diversificação carregam, por natureza, custos adicionais, despesas e maior complexidade operacional — e seguir com essa estratégia em um downcycle tem se mostrado particularmente difícil;
  • Do lado positivo, destacamos: (i) a posição de liquidez permaneceu sólida, mesmo com o consumo de caixa acima das nossas estimativas no trimestre; (iii) os volumes de IST cresceram 15% A/A, embora sua participação nas vendas totais de sementes tenha caído de 37% para 32% em 2025; e (iv) a carteira de pedidos para outras culturas apresentou forte expansão, atingindo BRL 128mi (vs. BRL 22mi no 4T24);
  • A ação cai ~14% no ano e ~26% nos últimos seis meses, mas esperamos que os resultados do 4T25 gerem pressão adicional negativa no pregão de hoje;
  • Link: https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/boa-safra-soja3-revisao-de-resultados-do-4t25-o-custo-do-crescimento-e-da-diversificacao/

Renda fixa

De Olho na Renda Fixa: principais notícias de crédito privado, mercados e renda fixa

  • Americanas pede saída da recuperação judicial (Valor Econômico);
  • J&F quer voltar atrás no leilão de energia; rivais se revoltam (Brazil Journal);
  • Cade aprova capitalização da Simpar, com BNDESPar como investidora âncora (Valor Econômico);
  • Ratings ‘brAAA’ atribuídos à ViaQuatro e à sua proposta de 7ª emissão de debêntures; perspectiva estável (S&P Global).
  • Clique aqui para acessar o clipping.

Alocação & Fundos

Principais notícias

  • Fundos Imobiliários (FIIs): confira as principais notícias
    • IFIX avança 0,10% e liquidez se concentra nos principais FIIs (Suno);
    • Como avaliar o risco de crédito no portfólio de um FII de “papel”? Gestor explica (InfoMoney);
    • Fiagros voltam ao valor patrimonial; a chave é escolher bem, diz XP (FIIs);
    • Clique aqui para acessar o relatório.
  • ETFs: confira as principais notícias dos índices e movimentos setoriais
    • Ouro sobe firme com trégua no Irã, mas ainda está 16% abaixo do pico: Metal subiu com alívio nas expectativas de inflação global, após queda do petróleo e sinais de acordo no Oriente Médio. (Valor Investe);
    • Franklin Templeton Debuts ETFs That Trade in Crypto Wallets 24/7: Franklin Templeton is launching tokenized versions of five ETFs that can trade around the clock through crypto wallets, in partnership with Ondo Finance, with availability outside the US pending further regulatory clarity. (Bloomberg);
    • Historic Market Fissures Spark Record Flows From Commodities ETFs: Commodity ETFs are seeing record withdrawals — over $11 billion in March — as geopolitical turmoil and the Iran conflict drive investors to unwind positions in gold and silver despite their traditional safe‑haven role. (Bloomberg);
    • Gulf ETFs Defy Iran War Fears: Despite missile attacks, shipping disruptions and geopolitical stress from the Iran war, major Gulf-country ETFs — including KSA, UAE, QAT and KWT — have held up far better than expected, signaling that investors may see the worst‑case scenarios as less likely. (etf.com).
    • Acesse o relatório completo aqui

ESG

UE quer conter o preço do carbono no mercado regulado em meio aos efeitos da guerra | Café com ESG, 26/03

  • O  mercado fechou o pregão de quarta-feira em território positivo, com IBOV e o ISE avançando 1,60% e 1,82%, respectivamente;
  • No Brasil, o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou nesta quarta o relatório com as diretrizes para políticas de combustíveis sustentáveis para navegação – o tema, que ficou de fora da lei do Combustível do Futuro, será tratado por um grupo de trabalho criado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE);
  • No internacional, (i) a União Europeia prepara um “freio de emergência” para limitar o preço do carbono de seu mercado regulado, diante da pressão da indústria que enfrenta custos crescentes de energia por causa da guerra dos Estados Unidos contra o Irã – a Comissão Europeia pretende anunciar medidas para impedir a disparada dos preços do carbono na próxima semana; e (ii) a Índia, um dos maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo, estabeleceu um plano climático com metas modestas para energia renovável e cortes de emissões para a próxima década – a nova NDC da Índia é de redução das emissões em relação ao PIB em 47% até 2035, em comparação com 2005;
  • Clique aqui para acessar o relatório completo.

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