07/06, 18h | Investimentos no exterior: desafios e oportunidades

O head de estratégia corporativa e internacional da BlackRock, Mark Wiedman, e o Mark Wiedman, e o head de Research da XP, Fernando Ferreira, falaram sobre as oportunidades  de diversificação do portfólio através do investimento em ativos no exterior em mundo de taxas de juros real negativas, bem como os instrumentos ao alcance dos brasileiros para ter uma exposição global. Veja a live e confira abaixo os principais destaques do painel.

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Investir no exterior é necessidade diante de juros reais negativos

Segundo o executivo da BlackRock, com os estímulos fiscais e monetários na Europa e Estados Unidos e em outros países, inclusive o Brasil, como resposta à crise provocada pela Covid-19, as taxas de juros reais negativas, que antes eram um problema visto no Japão e na Europa, passa a ser global.

“Com a inflação subindo, o Brasil tem hoje taxa de juro real negativa , e isso novo,” diz Wiedman.

Nesse cenário, com as taxas de juros próximas de zero ou negativas, os investidores começam a olhar outros ativos que não só renda fixa para terem retornos extra e o investimento em ativos no exterior permite aos investidores não só diversificarem o seu risco, como buscarem por ativos que tragam melhor retorno, diz Wiedman.  “As empresas de seguro têm que comprar ativos para bater os passivos, os investidores começam a olhar o crédito privado,” diz Wiedman.

Wiedman vê, a pressão inflacionária, principalmente nos Estados Unidos, como transitória. Ele destaca que nos Estados Unidos, na pandemia, as pessoas não perderam seus empregos e estão aplicando seus recursos em reformas da casa, por exemplo, o que fez com que dobrasse o preço da madeira. O preço dos semicondutores aumentou. Além disso, os EUA estão fazendo uma reengenharia das suas linhas de fornecimento para ser menos dependentes da China, além de uma mudança para energia limpa. Tudo isso traz uma pressão no custo a curto prazo e aumentam a inflação. “A gente não vê esse caminho de decolada da inflação, pelo menos não nos Estados Unidos. Acho que isso também é verdade na zona do euro,” diz Wiedman.

O ponto é que, com nível de dívida pública, se os investidores acreditam que a inflação deve subir eles devem olhar para o retorno real de seus portfólios. Nos Estados Unidos, os investidores estão ganhando um retorno de 150 pontos-base nos títulos do Tesouro para inflação que deve ficar em 3%. Tem que fazer esse matemática financeira com outros ativos que não tenham retorno negativo como como crédito, ações e investimentos internacionais.

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Alocação dos brasileiros em ativos no exterior está abaixo da AL

Com os retornos mais baixos com a renda fixa local, principalmente da taxa de juros overnight, os brasileiros terão que investir em ativos no exterior, destaca o executivo da BlackRock. “Os hábitos são difíceis de quebrar, mas o que funcionava não vai funcionar mais”, diz Wiedman.

O executivo destaca que somente 2% dos recursos de investidores de varejo e institucionais no Brasil estão alocados em ativos no exterior, se olhar para fundos de pensão esse número é menor ainda. Em outros países da América Latina esse número é de 10%. Na China é de 8% e nos Estados Unidos, 25% do portfólio de investidores institucionais estão investidos no exterior, enquanto no Japão esse número é 42%. “O Brasil é um ponto fora da curva, com uma alocação muito baixa. Nossa visão é que os investidores brasileiros terão que investir 30% do portfólio internacionalmente”, diz Wiedman.

“Se você diversifica seu carteira com ativos não correlacionados você vai melhor que a média”, diz Wiedman, que recomenda a exposição a ativos no exterior sem fazer o hedge cambial.

Isso é fazer uma gestão ativa do portfólio, mesmo que seja via instrumentos passivos como os fundos de índices como os ETFs (Exchange Traded Funds), destaca o executivo da BlackRock, que é uma das líderes em ETFs.

O head de Research da XP, Fernando Ferreira, também recomenda a exposição em ativos no exterior, e lembra que o Brasil representa apenas 2% do PIB global e 1% do valor de mercado global.  “Se você só investe no Brasil e tem um problema político, o portfólio inteiro está exposto a esse risco ao mesmo tempo”, diz Ferreira.

Exposição a ativos internacionais através de ETFs

Os ETFs e os BDRs , que são recibos de ativos listados no exterior como ações ou ETFs, e são negociados no mercado local têm ajudado a democratizar a exposição global a ativos globais no Brasil.

“Eu espero o Brasil mudar há 10 anos e finalmente está mudando”, diz Wiedman.

“A XP está democratizando o investimento, trazendo a exposição global através de BDRs e nós estamos lançando mais BDRs”, diz Wiedman. Ele destaca que enquanto o investimento em uma ação ou BDR de uma única empresa listada lá fora permite a exposição a um único ativo, os BDRs de ETF, ou seja, os recibos de fundos de índices listados no exterior permitem ter exposição a um mercado ou setor inteiro em um único investimento. “Se você tem conhecimento que uma ação fora do Brasil vai bem você tem que comprar esse ativo, mas a maioria dos mortais não tem esse conhecimento”, destaca Wiedman.

“Você conhece Apple porque é familiar, mas não significa que é o melhor investimento”, diz Wiedman.

O head de Research da XP também destaca a vantagem do ETF como um instrumento que facilita a exposição a determinados nichos de mercado que o investidor desejar, como cibersegurança , esportes, sem precisar gastar muito tempo em pesquisa.

Investidores preocupados em investir de forma sustentável

Olhando para a construção de um portfólio de longo prazo, os investimentos sustentáveis não são mais um investimento de nicho, mas parte da estratégia e têm mostrado um retorno melhor no longo prazo. E os investidores brasileiros estão atentos a isso. “Cerca de 40% do fluxo para BDRs da gestora neste ano foram para estratégias sustentáveis, com os investidores cada vez mais querendo investir de forma sustentável, e vemos isso no México também. Clientes do mundo interior estão indo nessa direção”, diz Wiedman.

Nesse sentido, o risco de mudança climática e seu impacto sobre as economias é o risco mais importante para se olhar em relação a investimentos sustentáveis e os gestores devem favorecer empresas que oferecem um risco menor. “O risco de longo prazo é a economia global não estar organizada para atingir a emissão zero de carbono em 30 anos [até 2050]”, diz o executivo da BlackRock. Um aumento da temperatura global, segundo ele teria maior impacto para as economias do Hemisfério Sul, incluindo o Brasil, Índia e África. “Vemos o risco de uma temperatura mais quente impactar a produção de comida ou falta de água na Índia, por exemplo”, diz Wiedman.

A gestora, junto com investidores, se envolveu em um conflito com a  Exxon Mobil algumas semanas atrás. “Exxon Mobil tem um risco ESG relativamente alto porque eles não tinham um plano de ação para lidar com a transição da economia global para baixo carbono e, por fim, zero emissões”, diz Wiedman. Em maio, a BlackRock colocou membros no conselho de administração da companhia para forçar uma mudança para garantir a construção de planos para um lidar com mundo de carbono zero e fazer com que a companhia tenha postura mais ativa. “O que a gente viu na Exxon Mobil não são mais ativistas protestando, mas investidores preocupados com as mudanças climáticas”, diz Wiedman.

Sobre os riscos geopolíticos, em particular sobre a relação dos Estados Unidos com a China, Wiedman acredita que a política externa do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deve ser mais clara que a do seu antecessor, buscando seus aliados na Ásia – como Japão, Austrália e Índia – e também Europa e Reino Unido para uma coalisão para negociar com a China.

Isso envolveria a revisão de regras em relação à competição no setor de tecnologia e também a revisão da relação comercial, já que a China ainda é considerada país em desenvolvimento pela Organização Mundial do Comércio (OMC), afirma Wiedman.

Sobre o Brasil, apesar das preocupação no curto prazo com a situação fiscal e política, o executivo está otimista com o país no longo prazo. “Estou mais otimista hoje do que já fui anteriormente,” destacando como vantagens do país a inovação e o sistema bancário resiliente.

Confira o próximo painel “Construindo um portfólio global: como diversificar a carteira”

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