O que você tem que saber sobre o Tesouro americano de 10 anos

Entenda o que está acontecendo com o Tesouro americano de 10 anos e como ele afeta seus investimentos aqui no Brasil.


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Recentemente, os mercados globais têm reagido fortemente à alta na taxa de juros do título do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em 10 anos. Os famosos “Treasuries de 10 anos”  viram suas taxas subirem rapidamente de 0,9% ao ano no início de janeiro para 1,6% em fevereiro.

Apesar da forte alta em poucas semanas, a taxa ainda se mantém abaixo da média observada nos últimos dez anos, de 2,2%, e abaixo dos níveis pré-pandemia. Ou seja, o crescimento recente não é motivo para grande alarde. Mesmo assim, é importante entender a dinâmica envolvida nesse movimento para saber quando teremos que nos preocupar.

O Tesouro americano de 10 anos é um instrumento de dívida soberana emitido pelo governo norte-americano para financiar parte dos seus gastos, assim como os nossos títulos disponíveis no Tesouro Direto. Porém, por ser garantido pelo governo da maior economia do mundo, com solidez econômica e institucional histórica, ele é considerado um ativo com um alto nível de segurança – talvez o mais seguro do mundo. Deste modo, o Tesouro de 10 anos é visto como um termômetro do apetite ou aversão ao risco de investidores nos mercados não somente nos EUA, mas nos mercados globais.

É por isso que quando entramos em uma crise, como a pandemia do coronavírus, e investidores estão inseguros quanto aos rumos da economia, a demanda por esse ativo sobe. À medida que o preço sobe com a demanda, a taxa de juros cai. No ano passado, por exemplo, vimos a taxa do Tesouro de 10 anos cair a 0,54% em março, no início da crise causada pela Covid-19.

O inverso também acontece. Quando há confiança de que as coisas caminham bem e há perspectivas de crescimento, o apetite ao risco começa a voltar, e investidores saem do Tesouro para investir em ativos de maior risco, como ações. Consequentemente, o preço do Tesouro cai e a taxa de juros sobe.

O último é o cenário que estamos vivendo hoje. Com o progresso das vacinações contra a Covid-19 globalmente, a volta da “normalidade” está cada vez mais perto e com isso, a economia deve voltar a crescer. De fato, indicadores de atividade desse início do ano já demonstram uma recuperação robusta da economia nos Estados Unidos e na China, principalmente, mas também (mesmo que mais graduais) em outras regiões do mundo, como a Zona do Euro.

Mas por que a subida nos juros do Tesouro americano tem levado mercados acionários globais a caírem? Afinal, parece contraintuitivo que a confiança no crescimento econômico está levando à queda das ações.

O grande medo é de que as economias aqueçam demais, levando a uma aceleração muito rápida da inflação, especialmente nos Estados Unidos. Assim, o Federal Reserve, banco central americano, poderia se ver obrigado a remover os estímulos monetários antes do esperado, reduzindo ainda mais a demanda pelos títulos do Tesouro (dado que o próprio Fed é quem vem comprando boa parte dos títulos de longo prazo, com o objetivo de estimular a economia além das taxas de juros baixíssimas). O que causaria uma alta brusca das taxas, e uma consequente queda brusca nos preços desses títulos.

Inflação? No meio de uma crise?
Os contínuos pacotes de estímulo que o governo americano tem liberado durante a pandemia, aumentando a liquidez no mercado, somados à expectativa de reabertura da economia com as vacinas, deixaram os investidores alertas para uma maior inflação. A inflação é como salgadinho, impossível comer um só, podendo ganhar força e sair do controle.

E como isso afeta os investimentos?

Com a subida da taxa de juros de longo prazo, há preocupações de que ela se torne mais competitiva do que o rendimento de ações e leve investidores a migrarem para títulos de renda fixa onde serão melhor recompensados.

O gráfico abaixo mostra a diferença entre o earnings yield do S&P 500 e a taxa de juros do Tesouro americano de 10 anos. Com a subida deste último, essa diferença tem diminuído cada vez mais, ultrapassando a mínima de dois anos. Isso sugere que ações estão ficando menos atraentes do que a renda fixa.

E o mercado no Brasil?

À medida que a rentabilidade do Tesouro americano fica mais atraente, investidores globais podem sair não só da Bolsa americana, mas também da brasileira. Isso seria mais um motivo para os estrangeiros saírem do Brasil em meio ao aumento de riscos políticos por aqui.

Por enquanto, faz sentido a taxa de juros seguir em alta, refletindo uma recuperação econômica e o aumento de expectativas de inflação. Afinal, estamos saindo de uma pandemia, e os dados confirmam que os EUA estão saindo bastante fortalecidos dela. Além disso, a taxa do Tesouro de 10 anos continua em níveis abaixo da média histórica, sugerindo que ainda não precisamos nos preocupar – pelo menos no curto prazo.

Mas com tanto dinheiro novo entrando na economia norte-americana, e consequentemente no mundo (dado o grande envolvimento do país como exportador e importador), com certeza é (mais) um indicador para ficar de olho.

Por enquanto, continuamos com o nosso target para o Ibovespa em 135.000 pontos para o final do ano. Como mencionamos no Raio XP, a inflação é um dos principais riscos para ficar de olho, então seguiremos monitorando os próximos acontecimentos no mundo que podem afetar o Tesouro de 10 anos e os eventos que impactam a Bolsa por aqui.

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