Relatório Mensal – Fundos e Previdência – Agosto/2018

Panorama Mensal No mês de julho, o mercado se mostrou mais otimista em função de uma melhora no cenário externo com a diminuição dos temores em relação a guerra comercial entre EUA e China e EUA e Europa. Além disso, aumentou a possibilidade de as reformas previstas na agenda da política brasileira saírem do papel, […]


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Panorama Mensal

No mês de julho, o mercado se mostrou mais otimista em função de uma melhora no cenário externo com a diminuição dos temores em relação a guerra comercial entre EUA e China e EUA e Europa. Além disso, aumentou a possibilidade de as reformas previstas na agenda da política brasileira saírem do papel, graças à configuração de uma corrida eleitoral com o predomínio de candidatos reformistas.

O câmbio influencia diretamente o preço dos ativos no Brasil. A melhora no cenário internacional permitiu a valorização do real frente ao dólar e afastou especulações de que os juros brasileiros teriam que subir já na reunião do Conselho de Política Monetária no início de agosto para defender a moeda nacional, mesmo com indicações do Banco Central de que essa preocupação estava ainda distante. De qualquer maneira, para o mercado, ainda que a intervenção monetária não tenha vindo agora, ainda há a preocupação que as pressões sobre o câmbio possam voltar no futuro.

Neste momento, a economia brasileira precisa dos juros baixos, já que a atividade econômica ainda se recupera a passos lentos e o número de desempregados continua alto. No entanto, questões como juros e inflação, que dependem da perspectiva eleitoral, e o nível de câmbio, que também depende das eleições e do cenário externo, vão dar o contexto e permitir, em maior ou menor grau, que o governo possa seguir com a política monetária atual, de estímulo à atividade econômica por meio da manutenção da taxa de juros em patamar reduzido.

Olhando para frente, entramos em agosto claramente já dentro do processo eleitoral, trazendo um elemento de volatilidade novo para a gestão de investimentos. Anos eleitorais trazem desafios específicos porque, no Brasil, as mudanças de direção econômica ainda são muito drásticas a cada governo. Assim, temos que conviver com uma nova fonte de incerteza para os mercados. Dessa forma, grande parte dos gestores vem mantendo uma postura cautelosa, buscando proteger seus portfólios das oscilações do mercado.

2. Performance

Após dois meses abaixo do CDI, os fundos multimercados apresentaram retorno de 1,07% em julho, equivalente à 197,7% do CDI, de acordo com o Índice de Hedge Funds da Anbima (IHFA). Com um ambiente de maior estabilidade no Brasil e no exterior, os principais destaques ficaram por conta dos fundos Long Short Direcional, que buscam oportunidades na bolsa através de posições compradas e vendidas, e foram beneficiados pela alta expressiva do Ibovespa (+8,9%). Na ponta negativa, os fundos de investimento no exterior com exposição cambial sofreram no período com a desvalorização do dólar em relação ao real.

3. Captação

Após encerrar o primeiro semestre com fluxo positivo acima de R$40 bilhões, a indústria de fundos decepcionou no início do segundo semestre em termos de captação. A cautela dos investidores, frente à um cenário local e externo incerto, trouxe um fluxo tímido para a indústria de fundos de investimento no mês de julho, na ordem de R$1 bilhão. Entre os alocadores e distribuidores, nota-se um sentimento de preocupação em relação ao processo eleitoral e, consequentemente, observamos uma redução do risco dos portfólios dos investidores, o que impactou a captação dos fundos com maior valor agregado.

Com a queda relevante do Ibovespa no mês de junho, os fundos de Ações sofreram resgates líquidos em julho, na ordem de R$2,6 bilhões. O veículo de uma fundação representou mais de 10% desse fluxo. Já os Multimercados foram novamente os destaques do mês  (+R$2,5 bilhões), apesar de apresentarem um ritmo de captação mais fraco que o observado no primeiro semestre do ano. Entre os fundos dessa categoria com maior captação líquida no mês, podemos citar o multimercado da nova gestora Legacy, cujo master recebeu aportes na ordem de R$800 milhões, e o emblemático SPX Nimitz, que captou mais de R$550 milhões no período.

Já os fundos previdenciários voltaram a apresentar fluxo positivo (+R$980 milhões), após os resgates líquidos de junho. Nessa classe, os multimercados também predominaram, representando mais de 60% da captação. Nesse sentido, destacaram-se os fundos Kinea Investimentos e SPX Capital.

4. Visão do Gestor

4.1 Crédito Privado

No mês de julho, houve novos fechamentos de fundos de crédito privado, em meio à desaceleração do mercado primário e forte ritmo de captação dos veículos. O movimento de redução do volume de emissões já era esperado pelos gestores, os quais alegam que muitas empresas estão postergando seu financiamento para novembro ou dezembro, quando o cenário econômico e político do país tiver maior visibilidade. Nesse quadro de incertezas, os gestores têm buscado reduzir a duration de seus portfólios.

4.2 Macro

No plano internacional, o mês de julho foi marcado por um quadro estável para economias desenvolvidas e pela continuidade da trajetória de normalização de taxas de juros. No Brasil, o destaque do mês ficou por conta do fechamento da curva de juros e da valorização do Ibovespa. os ativos domésticos ficam cada vez mais sensíveis às manchetes políticas à medida que avança o calendário eleitoral. Nesse sentido, os gestores seguem operando de forma tática. Atualmente, não se observa uma posição que seja unanimidade entre os portfólios dos fundos macro, mas ao longo do mês notamos diversos gestores trabalhando com posições em inflação implícita. De forma geral, os fundos apresentaram resultados divergentes, com atribuições positivas e negativas no Brasil e no exterior.

4.3 Renda Variável

Após a forte depreciação sofrida pelo mercado de ações brasileiro nos meses de maio e junho, o Ibovespa teve alta de 8,9% no mês, motivada tanto pelo desenho eleitoral brasileiro mais definido, em que Alckmin obteve vitória tática com alianças, quanto pelo arrefecimento das tensões comerciais entre EUA e Europa no plano global. Nesse contexto, os gestores têm buscado a manutenção da liquidez dos portfólios, buscando margem de manobra durante o avanço do calendário político, que trará volatilidade.

5. Radar do Mercado

A gestora comunicou que o fundo CSHG Income RF CP foi fechado para aplicações ao ultrapassar o volume de R$900 milhões no dia 23 de julho. Não há uma data definida para reabertura.
A gestora comunicou que o fundo AZ Quest Legan Low Vol foi fechado para aplicações ao ultrapassar o patrimônio de R$ 600 milhões no último dia de julho. Não há uma data definida para reabertura. Além disso, o AZ Quest Total Return também deve ser fechado nos primeiros dias de agosto, quando atingir o PL de R$1 bilhão. No fechamento de julho, o fundo apresentava patrimônio de R$949 milhões.
A gestora comunicou que o fundo AF Invest FI Renda Fixa Crédito foi fechado para aplicações nas plataformas ao atingir o volume de R$ 2,4 bilhões. Não há uma data definida para a reabertura.
A gestora comunicou que o fundo XP Corporate Plus foi fechado para novas aplicações no dia 23 de julho, quando ultrapassou o patrimônio de R$550 milhões. A XP Gestão não definiu data para reabertura.
No final de julho, a gestora informou algumas mudanças em sua equipe, entre elas o desligamento de quatro profissionais, sendo três deles diretamente relacionados à gestão dos produtos (Pierre Jadoul, Lucas Dias e Vitor Trova), além do responsável pelo relacionamento institucional (Paulo Bokel). Todos saíram em busca de novos desafios fora da gestora. Com o objetivo de repor as baixas, a casa anunciou a contratação de dois profissionais para compor o time de gestão: André Fadul e Nelson Chaves, ambos ex-Tagus Investimentos.
A gestora anunciou a saída de Alexandre Zagottis, até então CIO da asset. Zagottis fundou e exerceu a função de CIO e CEO da Advis desde 2008. Em 2016, na fusão com a Canvas, assumiu o cargo de CIO da gestora. Com sua saída, a gestão continuará concentrada em maior parte entre os atuais gestores (Guilherme Gaertner, Eduardo Bodra e Sérgio Blatyta) e, em menor escala, entre seus traders.
Menos de um mês após seu lançamento, a gestora Legacy atingiu, em julho, o patrimônio líquido de R$1bilhão. A casa vinha se estruturando desde o início do ano e foi fundada por Felipe Guerra, ex-diretor da tesouraria do Santander, e Pedro Jobim, ex-economista-chefe da tesouraria do Santander, divulgando sua “cota um” no dia 29 de junho.
A gestora lançará, em agosto, seu primeiro veículo previdenciário em conjunto com a Icatu. O mandato do produto deve seguir a estratégia de seu principal veículo, o Garde D’Artagnan, respeitando as regras e limitações da regulação dos fundos de previdência.
A gestora anunciou a reabertura de um dos flagships da casa: o GAP Long Short 2x. O fundo será reaberto no último dia de agosto e tem um capacity limitado de R$350 milhões.
A gestora informou que o fundo AZ Quest Multi, com prazo de resgate reduzido (D+0/D+1), será reaberto para captação durante uma janela restrita, entre o dia 14 e 24 de agosto. Não há um volume determinado para essa reabertura.

6. Concentração Bancária

Após apresentar uma elevação relevante no mês de junho, o índice de concentração bancária voltou a registrar queda, retornando ao nível de maio. Conforme comentamos, em junho, três fundos de renda fixa DI e crédito privado de diferentes bancos apresentaram, juntos, um incremento de patrimônio na ordem de R$30 bilhões, o que levou à elevação do indicador. Por outro lado, em julho, os multimercados das gestoras independentes voltaram a apresentar dados satisfatórios de captação, o que contribuiu para a queda.

Com isso, a tese de que o movimento de junho foi específico se mostrou verdadeira e a indústria de fundos volta à tendência de redução da concentração bancária, principalmente devido à contribuição das gestoras independentes fundadas em 2018.

¹Fonte: Economática/XP. Foi considerado o patrimônio líquido total de todos os fundos, excluindo-se fundo de cotas. Bancos: Itaú, Bradesco (HSBC), Santander, Caixa e Banco do Brasil.

7. Evolução de Patrimônio e Número de Contas²

7.1 Patrimônio da Indústria de Fundos (em R$ bilhões)

7.2 Número de Contas da Indústria de Fundos (em milhões)

²Fonte: Economática/XP. No cálculo do patrimônio, foram excluídos fundos de cotas, com o objetivo de evitar dupla contagem. No número de contas, o valor pode estar subestimado, dado que alguns administradores não contabilizam cotistas via distribuição por conta e ordem.

8. Captação Líquida da Indústria³

³Fonte: Economática/XP. Foi considerado a captação líquida total de todos os fundos, de assets independentes ou ligadas à instituições financeiras, das respectivas categorias, excluindo-se fundo de cotas.

9. Ranking de Gestores e Administradores

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