Relatório Mensal – Fundos e Previdência – Outubro/2019

Um panorama da indústria de fundos, trazido com comentários das principais estratégias e acontecimentos relevantes no mercado.

access_time 16/10/2019 - 00:36
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Panorama Mensal

O mês de setembro apresentou-se como mais um mês turbulento para a indústria de fundos, em que o tema do crescimento global demonstrando sinais de fraqueza se manteve presente nas teses de investimento de muitos gestores de fundos multimercado, além das incertezas acerca do conflito comercial entre EUA e China. Adicionalmente, somaram mais negativismo ao mercado o choque nos preços do petróleo com o atentado em refinarias na Arábia Saudita e o pedido de impeachment do presidente Donald Trump.

No âmbito local, o Banco Central, além de cortar a Selic em mais 0,50 ponto percentual, sinalizou que os juros tendem a ficar baixos por mais tempo do que se imaginava. Isso deu suporte positivo para o mercado acionário, títulos prefixados e títulos atrelados à inflação, além de impulsionar a demanda por produtos que possuam maior nível de risco, como fundos de ações e multimercados.

No mês, o Índice de Fundos Multimercados da ANBIMA (IHFA) subiu 0,46% (100% do CDI), com uma dispersão grande dos retornos de seus componentes. Das estratégias que compõem o índice, 1/3 teve retorno no campo negativo e cerca de 60% conseguiu entregar rentabilidade acima do CDI.

Por fim, a indústria registrou forte captação no mês, com a entrada líquida de R$ 21,8 bilhões em fundos de diversas estratégias, sobretudo para as classes de multimercados e de ações.

Fundos Macro

Assim como nos últimos meses, as posições mais comuns entre os gestores seguem as apostas no mercado de juros locais.

Com posições a favor tanto da queda dos juros nominais quanto dos juros reais (atrelados à inflação), os gestores em geral têm mantido apostas nesses mercados como parcela importante das alocações de risco ao longo do ano, sustentadas tanto pelas condições do mercado local (baixo crescimento e baixa inflação) quanto pela postura acomodatícia dos bancos centrais das principais regiões do mundo.

Já no mercado de câmbio, o posicionamento se mostra menos consensual, com apostas tanto a favor da alta do dólar contra o real quanto posições a favor da queda do dólar.

Os diretores do Banco Central do Brasil cortaram a taxa Selic em 50 pontos-base (0,50%) e grande parte dos gestores de fundos Macro espera mais cortes.

Em pesquisa realizada pela equipe de fundos da XP com gestores de fundos multimercados com estratégia Macro às vésperas da reunião do Copom de setembro, as projeções para a taxa básica de juros ao final do ano variaram entre 4,50% a.a. e 5,25% a.a.

Fundos de Crédito

O movimento de correção nos preços dos ativos de crédito continuou em setembro.

Alguns segmentos do mercado de debêntures, com destaque para os ativos indexados a “% do CDI”, seguiram o movimento de fluxo vendedor, o que elevou as taxas de negociação desses papéis e, consequentemente, impactou negativamente os preços.

Apesar de, no curto prazo, o aumento dos “prêmios de crédito” (diferença entre a taxa de um título privado e a taxa de um título público) prejudicar a performance dos fundos, o cenário para novas alocações está marginalmente melhor, dado que as taxas mais elevadas tornam os ativos mais atrativos para os fundos.

Entre os fundos de debêntures incentivadas, o destaque positivo ficou por conta das estratégias indexadas ao IPCA, isto é, os produtos não hedgeados, que foram beneficiados pelo movimento de redução da taxa de juros atrelados à inflação (juros reais).

Fundos de Ações

Forte alta do Ibovespa não foi acompanhada pela maior parte dos fundos de ações.

Em amostra de 165 fundos com patrimônio líquido médio em 12 meses superior a R$ 100 milhões e com mais de 99 cotistas, apenas 4,2% deles (7 fundos) conseguiu superar a performance mensal de +3,57% do Ibovespa. Na média, as estratégias tiveram retorno de +1,95% no mês. Na janela de 12 meses, porém, os fundos de ações rendem 41,6%, na média, contra 32,0% do índice.

Gestores seguem otimistas com o mercado local.

As perspectivas para a bolsa brasileira continuam positivas para a maioria dos gestores, motivadas pela possível conclusão da reforma da previdência no mês de outubro, o que pode destravar a  tramitação das demais reformas estruturais da economia local.

Com a expectativa de juros mais baixos por um período mais prolongado, investidores tendem a aumentar sua exposição a ações, aumentando o fluxo potencial para a bolsa. Além disso, as empresas tendem a apresentar resultados melhores devido à queda nas despesas financeiras.

Fundos Internacionais

Setembro foi um mês positivo para ativos de risco mundo afora, apesar da continuidade de incertezas.

O mês foi positivo para as ações em algumas das principais bolsas globais, conforme apontado pela valorização dos índices S&P 500 (EUA; +1,72%), Euro Stoxx (Europa; +4,16%) e Nikkei (Japão; +5,08%).

De forma geral, as incertezas quanto ao quadro de crescimento global e conflito comercial contínuo entre EUA e China permanece como os principais elementos determinando um nível de volatilidade elevado para os fundos internacionais.

No Brasil, ritmo de captação contido para os fundos internacionais.

Os veículos que investem mais de 67% do patrimônio líquido em ativos no exterior registraram captação líquida tímida de R$ 5,7 milhões em setembro. No ano, os fundos internacionais tiveram entrada líquida acumulada de R$ 4,3 bilhões.

Captação Líquida da Indústria

A indústria de fundos tradicionais (“555”) e de fundos previdenciários teve o segundo melhor mês de captação líquida do ano, que tiveram incremento de R$ 21,8 bilhões em ativos sob gestão, só ficando atrás do mês de julho, quando houve captação líquida de R$ 32,7 bilhões. Em setembro, os destaques positivos foram novamente os fundos multimercados e os fundos de ações. Ambas as classes são destaques também no ano, sendo responsáveis por parcela relevante da captação total.  

Evolução de Patrimônio Líquido

Contabilizando-se os fundos “555” (os tradicionais Renda Fixa, Ações, Multimercado e Cambial), os fundos de Previdência, os ETFs e os fundos Estruturados (FIDCs, FIIs, FIPs), a indústria local alcançou o patamar dos R$ 5,16 trilhões de Patrimônio Líquido no fechamento de setembro, correspondente a um crescimento de 10,4% no ano.

Radar do Mercado

A gestora recebeu aporte de €20 milhões do BNP Paribas Capital Partners, braço de investimentos alternativos do grupo BNP. Em troca dos recursos, o banco vai receber parte do retorno dos fundos e uma fatia das receitas da investida ao longo de, pelo menos, seis anos, em um formato chamado de “revenue share”.

A gestora fechou para novas aplicações o Visia Zarathustra, estratégia quantitativa de alta volatilidade com foco na geração de alpha. O produto Visia Darius, de mesma estratégia e metade do nível de risco, continua aberto para captação.

A XP Asset comunicou a reabertura do XP Top FIRF, com capacity limitado. O produto apresenta estratégia de crédito high grade e tem cerca de R$ 1,8 bilhões de patrimônio líquido.

A gestora lançou o fundo Journey Capital Endurance Debêntures Incentivadas Juros Reais, novo produto da família Endurance de fundos de debêntures de infraestrutura, com perfil indexado ao IPCA (não hedgeado).

A gestora anunciou a reabertura para captação de seu produto multimercado com perfil de risco mais arrojado, o Kinea Atlas. Somado aos fundos Kinea Chronos e Kinea Arkhe, as estratégias acumulam cerca de R$ 13,5 bilhões em ativos sob gestão.

Ranking de Gestores

Ranking de Administradores

Performance da Indústria

Performance Multimercados – Top 10

Performance Renda Fixa Crédito Privado – Top 10

Performance Ações Top 10

Captação Líquida da Indústria – Fundos

Captação Líquida Total – Top 10 – Volume (R$ mil)
Captação Líquida Multimercados – Top 10 – Volume (R$ mil)
Captação Líquida Renda Fixa – Top 10 – Volume (R$ mil)
Captação Líquida Ações – Top 10 – Volume (R$ mil)

Captação Líquida da Indústria – Previdência

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