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O ESG na gestão da Fama Investimentos – Indo a Fundo no Outliers

Como entra a sustentabilidade na gestão de recursos? Qual a relação dos pilares ESG no desempenho das empresas? Neste atual cenário, como estão os fundos ESG? Descubra como a FAMA Investimentos incorpora o ESG como um filtro em sua gestão de recursos.

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Como entra a sustentabilidade na gestão de recursos? Qual a relação dos pilares ESG no desempenho das empresas? Neste atual cenário, como estão os fundos ESG?

No Indo a Fundo no Outliers dessa semana, abordaremos os impactos do atual cenário no fundo Fama FIC FIA, estratégia principal da Fama Investimentos, gestora recebida no episódio #63 do Outliers, que tratou com mais detalhes os desafios e oportunidades da agenda ESG, você pode conferir o conteúdo completo abaixo:

Confira o episódio #63 do Outliers com a FAMAInvestimentos


Conheça a Fama

Fundada em 1993, a Fama Investimentos é sem dúvidas uma das gestoras mais longevas da indústria de fundos do Brasil, e uma raridade entre as assets independentes brasileiras. Gerindo cerca de R$2,8 bi, a gestora é focada no mercado de ações e oferece estratégias do tipo long only, ou seja, opera apenas com posições compradas e não utiliza derivativos em sua estratégia de investimento.

Para entender a construção da cultura e modelo de gestão da Fama, é importante olhar para sua fundação, que teve origem na sociedade entre Fabio Alperowitch e Mauricio Levi quando ainda estavam na faculdade, e levantaram US$ 10 mil de um grupo de amigos e familiares para montar a gestora.

Nessa época, as gestoras independentes estavam começando a ser regulamentadas pela CVM. Dessa forma, os universitários montavam estruturas de clubes de investimentos e faziam parcerias com corretoras para realizar as operações. A estrutura como gestora independente de fato foi em dezembro de 1994, com o levantamento da primeira estratégia.

Fundar uma gestora na década de 90, sem histórico profissional e em um ambiente de extrema incerteza e volatilidade, sem dúvidas, pedia políticas de investimentos sólidas que posteriormente iriam refletir na cultura da asset e na sua longevidade. O histórico da gestora caminha junto com a evolução temática ESG na indústria de fundos, e na sequência abordaremos a relação entre a temática e a gestão dentro da Fama.

Em termos de tomada de decisão, Fabio e Mauricio trabalham em conjunto, onde o Fabio é responsável pela análise micro das empresas, bem como construção dos casos de investimentos, enquanto Mauricio entra com um olhar crítico com a visão macro, gerando visões complementares de gestão e auxiliando na tomada de decisão com maior convicção.

Atualmente, dentro do processo de gestão da Fama, o foco está em negócios sólidos e com alta qualidade, comprometidos com a temática ESG, que possuam vantagens competitivas relevantes e que apresentem balanços fortes e geração de fluxo de caixa.

Em linhas gerais, a estratégia de investimento busca alinhamento de interesses entre os envolvidos. Para tal, o processo de investimento começa pelo filtro ESG já na concepção da ideia, onde as análises qualitativas e modelos de negócios, buscam identificar os principais riscos inerentes do investimento, o objetivo incialmente é reduzir o universo de investimentos, através de filtros quantitativos e qualitativos.

Para falar sobre a redução do universo de investimentos, é importante entender como o ESG entra na gestão de recursos, em especial dentro da Fama e do fundo Fama FIC FIA.

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O ESG na gestão de recursos

Ter uma filosofia de investimentos que leva em consideração as questões ambientais, sociais e de governança (ESG) como um “filtro de gestão” é algo relativamente novo na indústria de fundos de investimentos brasileira. A referência a um filtro de gestão, não pode ser entendida como algo padronizado e fixo, mas sim, a integrações dos fatores ESG na análise e seleção das investidas que pode ser realizada sob várias perspectivas.

Entendendo que as regulamentações em relação à sustentabilidade ainda estão em processo de evolução, é importante olhar para como a Fama foi incorporando os aspectos ESG em sua gestão de recursos ao longo do tempo.

Muito em linha com seu histórico, nas políticas de alocação criadas em sua fundação, a Fama já englobava aspectos éticos como um filtro qualitativo. A visão de longo prazo e alinhamento de interessantes, trouxe para dentro do portfólio da gestora uma crescente preocupação e engajamento acerca da jornada de sustentabilidade de cada investida.

Para falar da evolução da gestora na temática ESG, em 2005 foi criado um Departamento Interno de Governança Corporativa. Ao longo do tempo, a criação de um Instituto de Investimentos Sociais e o engajamento como signatária do UN PRI (Principles for Responsible Investment) – que certifica e reconhece a adoção de princípios práticos do investimento responsável, demonstra que a Fama possui uma crescente participação e engajamento na temática.

Atualmente, a gestora é certificada como “Empresa B”, que basicamente é uma certificação que verifica os padrões de desempenho social e ambiental, bem como o equilíbrio entre lucro e proposito. Além disso, a partir de 2018 a Fama passou a neutralizar 100% das emissões de carbono nos escopos 1, 2 e 3.

Com uma visão cética a respeito dos ratings ESG, a Fama enxerga em cada caso de investimento suas particularidades, e leva em consideração além dos indicadores quantitativos, a história, valores, setor e local de atuação, processos, entre outros.

Quando entendemos que o ESG entra como um filtro, é natural se questionar a respeito do universo de investimento, que já é restrito em termos de tamanho no Brasil. De fato, a Fama possui um universo de investimento restrito com aproximadamente 80 empresas, onde cerca de 40 desse total são analisadas de perto e o portfólio é concentrado em cerca de 15 companhias.

Em termos de restrição, não entram no portfólio estatais, setores altamente regulados, empresas de baixa liquidez, e empresas com alta sensibilidade a fatores econômicos. Por ter um foco no longo prazo, a gestora exclui empresas nas quais não seja possível realizar análise de forma completa, ou que possuam grande sensibilidade a mudanças estruturais – aqui entra a restrição na alocação a empresas de commodities.

Fama FIC FIA

A gestora trabalha com uma estratégia única para todos os investidores. O fundo Fama FIC FIA foi lançado em 1997, com a mesma equipe de gestão que fundou a gestora em 1993. Este é um fundo long only que segue todos os critérios de análise e gestão comentados neste relatório, aqui temos o resultado de um portfólio focado no longo prazo.

Desde seu início em 1997 o fundo acumula um retorno de 2.358,50% contra o Ibovespa que rendeu 1.490,08% para o mesmo período. Um ponto interessante é entender a mudança de estratégia da gestora ao longo do tempo: de julho de 1997 até junho de 2008, a estratégia se dividia na alocação em small e mid caps, ou seja, empresas de baixa e média capitalização. A partir de 2008, um portfólio único foi criado e se mantem até a atualidade.

Em termos de portfólio, é interessante ver a diversidade de setores. As empresas ligadas de forma direta ou indireta à tecnologia possuem presença relevante, além disso, consumo e varejo também são temáticas que aparecem com frequência no portfólio, além de empresas ligadas à Saúde, Papel & Celulose e Transportes.

Um fato interessante em relação ao portfólio da Fama é a segmentação da contribuição das investidas do fundo em relação aos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, pois cada investida é classificada de acordo com suas contribuições e a Fama faz um consolidado sobre sua contribuição majoritária.

Consumo e Produção Sustentáveis (31%), Saúde e Bem estar (24%), Cidades e Comunidades Sustentáveis (16%), Combate as Mudanças Climáticas (14%), Industria, Inovação e Infraestrutura (10%) e Energia Acessível e Limpa (4%), são as principais contribuições da Fama Investimentos em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Essa visão demonstra de forma consolidada a interação das investidas com o todo e os impactos desejados.

Olhar para o histórico e estrutura do fundo é importante para entender a tese de maneira prática, entretanto, o atual cenário pede uma análise detalhada do curto prazo, para entender as tendências e movimentos recentes em relação aos setores presentes na carteira do fundo.

O atual cenário mudou a tendência?

Se ao longo do ano de 2020 os fundos ESG chamaram atenção em relação à resiliência e bom desempenho frente aos principais índices acionários do mercado, do final de novembro de 2021 até os dias atuais, a rotação de fluxo de capital dos investidores que estão saindo das empresas de crescimento para as empresas de valor – muito em linha com o movimento de alta de juros, derrubou consideravelmente a cotação de certas empresas, em especial as ligadas à tecnologia

De olho nesse cenário é importante falar sobre o desempenho recente do fundo Fama FIC Ações, que apenas no histórico dos últimos 36 meses apresenta uma queda de -3,62% contra o Ibovespa que variou 14,98%. Vale o destaque para alguns fatores macroeconômicos que mudaram consideravelmente a dinâmica de mercado, como a (i) alta dos juros americanos, (ii) invasão da Ucrânia pela Rússia, e consequentemente (iii) forte procura por empresas ligadas à commodities.

Vale reforçar que estruturalmente o fundo Fama FIC FIA exclui empresas de commodities de sua alocação, justamente pela natureza do negócio e altos níveis de sensibilidade. Além disso, a alta de juros encarece o custo de capital, que afeta diretamente na precificação das empresas de tecnologia que são precificadas com base em suas perspectivas de crescimento.

Entretanto, vale reforçar que a alocação em investimentos ESG não é uma garantia de proteção às movimentações de mercado, dessa forma, é importante entender que a exposição setorial, no curto prazo, vai trazer oscilações de acordo com o crescimento ou contração de cada segmento. Por outro lado, o fator mais importante a ser analisado é o fundamento das empresas investidas, e o horizonte de investimento da alocação.

Como foi possível ver incialmente, quando alongamos o horizonte de investimento, a gestão ativa somada aos filtros ESG demonstra sua geração de rentabilidade acima do Ibovespa. Dessa forma, é importante ter em mente que o investidor precisa de um horizonte de tempo longo para investimentos no mercado de renda variável, e isso se aplica tanto para investimentos ESG, quanto para alocação tradicional.

Adiando uma conversa urgente

A temática sustentabilidade ainda avança em passos lentos no Brasil, apesar disso, os avanços em níveis globais auxiliam na criação de diretrizes que são seguidas pelas principais economias do mundo.

A visão puramente quantitativa, impede em muitos casos, que os investidores enxerguem os aspectos ESG como um filtro qualitativo, e acabem utilizado como um “rótulo exclusivo” que em muitos casos pode cair em vieses políticos, pessoais e culturais. Esse pode ser um risco potencial para aqueles que ignorarem os avanços dessa agenda, já que os impactos das empresas que se desviam das práticas sustentáveis tendem a pesar consideravelmente no bolso através de multas e sanções.

O avanço da regulamentação dos créditos de carbono é um exemplo disso, ter em mente que essa é uma conta que muitas vezes não está presente no valuation tradicional, pode causar uma falsa sensação de que o ativo está barato, quando na verdade, no primeiro sinal de avanço da agenda, essa conta entrará na precificação do ativo.

Ainda em tempo, ter a sustentabilidade como um critério de análise de investimento, é olhar para o futuro de forma realista, entendendo que tudo que é produzido gera um impacto, que precisa ser analisado e levado em consideração na precificação do ativo. Além disso, quando falamos em sustentabilidade, a isenção pessoal tende a aparecer: de quem seria a responsabilidade pela reversão do cenário atual global?

Ao olhar para os 17 ODS, já é possível constatar que um único individuo não dará conta de resolver os inúmeros problemas atuais. Por outro lado, o direcionamento de recursos, consumo e investimentos responsáveis poderão acelerar o processo de transformação. Dessa forma, na montagem de uma carteira de investimentos, o investidor precisa olhar mais de perto esta agenda, não se deixando levar por movimentações de curto prazo, que não irão alterar o curso atual da escassez de recursos.

Por fim, fica o questionamento: para onde estão indo seus recursos? Qual a sua participação em prol do desenvolvimento sustentável? Sua atuação como consumidor e investidor tem olhado para a sustentabilidade?

É muito importante que a sua carteira esteja alinhada à sua visão de mundo e sociedade.

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