Mundos & Fundos: Mariano Andrade, da Polo Capital, conta os desafios de construir um portfólio de ativos de crédito

Pedro Mattos, analista da XP Allocation, recebe Mariano Andrade, gestor do fundo Polo Crédito Corporativo Advisory FIRF CP LP, para conversar sobre os desafios de criar um portfólio de ativos de crédito.


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No oitavo episódio da série Mundos e Fundos recebemos Mariano Andrade, gestor do fundo Polo Crédito Corporativo Advisory FIRF CP LP, para conversar sobre os desafios de criar um portfólio de ativos de crédito.

Mariano Andrade começou no mercado financeiro em 1995. Entre 1995 e 1998 atuou em equities (Buy-side e Sell-side). Posteriormente foi trabalhar em Family Office, fazendo investimentos no portfólio global (em hedge funds, crédito e equity), onde permaneceu até sua história se unir com a da Polo Capital, em 2011.

Mariano é o gestor de crédito da Polo Capital desde 2015 e se destaca pela consistente performance apresentada.

Porque subir a bordo: A Polo Capital surgiu em 2002 através de dois sócios fundadores que trabalhavam em tesouraria. No ano seguinte foi lançado o primeiro fundo da gestora. Focado em renda variável, com estratégia long and short (na época pouco comum Brasil), motivado por uma oportunidade gerada com o êxodo dos de capitais, principalmente nos grandes bancos, neste tipo de estratégia.

Em 2005, ao ter seu primeiro fundo em Crédito Privado, a Polo desbravava outras estratégias. Desde então as boas oportunidades em qualquer classe de ativo são aproveitadas.

Na gestora existe sinergia entre as áreas responsáveis pelas diferentes estratégias. Os especialistas de diferentes áreas fazem um intercâmbio de informações a fim de fazer investimentos com outra leitura de mercado, sempre buscando o melhor para os fundos e os cotistas.

Um exemplo dessa interação das diferentes áreas da gestora é quando, por exemplo, um ativo de crédito privado de uma empresa listada em bolsa é analisado. Além do time que olha para essa estratégia de investimento, os especialistas da gestora em Renda Variável também são ouvidos. Por observar outros aspectos da mesma empresa, a análise é enriquecida e assim os gestores se sentem mais seguros em tomar suas decisões.

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Na cabine do piloto: Uma vez que em crédito privado, compra-se um ativo a uma determinada taxa, se não ocorrer nenhum problema até o vencimento e o emissor conseguir honrar essa dívida, o seu retorno será dado de acordo com a taxa. Entretanto, o risco desse ativo está em por algum motivo (falência, por exemplo) o emissor não conseguir honrar essa dívida. Assim, a segunda possibilidade, mesmo sendo probabilisticamente muito menor, é mais assimétrica em relação à primeira (pois o investidor não receberia nem a taxa e nem o montante investido).

Para mitigar esse risco, a Polo opta por investir em alguns setores onde há uma maior previsibilidade ou recorrência de margens e receitas e uma chance maior de rolagem da dívida em termos parecidos. Exemplos desses setores são utilities, energia e distribuição, saneamento, serviços corporativos (b2b). Ou seja, setores onde há pouca concorrência ou quando há concorrência, a troca entre fornecedores seja onerosa e mais difícil para o consumidor.

Assim, a gestora monitora os ativos que estão sendo negociados (inclusive no mercado primário¹ ) , buscando boas oportunidades, que quando encontradas são analisadas de forma a entender se a concepção a respeito daquela emissão é sólida ou, se por algum fator, a opinião dos gestores pode mudar.

Essa última análise segmenta os ativos em três grupos: o primeiro, se dá quando o retorno esperado do ativo é não suficiente para a gestora comprar o ativo (o ativo está “caro”) ; já o segundo grupo é composto de ativos onde este retorno é considerado justo pelo risco; e o terceiro grupo tem ativos onde a taxa de retorno mais que compensa o risco (o ativo está “barato”).

A gestora procura compor seu portfólio no segundo e terceiro grupo.

Depois de selecionados as oportunidades que a Polo considera boa, Mariano tem o papel de diversificar os riscos do portfólio, escolhendo ativos de setores diferentes, para melhor proteção da carteira.

Antes da crise do coronavírus, a maior parte do portfólio do Polo Capital Crédito Corporativo era em bancários (aproximadamente 75%), pois eles julgavam que o mercado se encontrava em um momento disfuncional de mercado, no qual as emissões de companhias privadas estavam com um custo elevado pelo risco apresentado.

Porém, depois da pandemia esse cenário se inverteu, os ativos de crédito corporativo tiveram alterações nos preços e hoje o fundo conta com a maior parte do seu portfólio nesses ativos (aproximadamente 75%) e a menor parte em bancários.

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Pouso Forçado: Durante a crise do coronavírus a Polo se viu obrigada a sair de algumas posições devido as diversas alterações nos cenários da economia.

Uma dessas posições foi a Light (empresa do setor elétrico), que tinha uma dívida emitida em dólar. Se antes da crise, com o dólar a cerca de R$4, o risco para esse ativo fazia sentido para a gestora, quando o câmbio disparou chegando a quase R$6 a escolha foi trocar esses ativos de alto risco cambial, por outra emissão da Light com menor subordinação temporal.

Outro exemplo de ativos afetados durante a pandemia foram as debêntures da IMC. Antes era considerada um retorno justo pelo risco oferecido (na classificação dos “grupos” citada anteriormente, ela ficaria no grupo do meio). A gestora comprou uma pequena posição por gostar de alguns aspectos da companhia como força da marca e resiliência em algumas linhas de negócio. Com a impossibilidade das pessoas da saírem de casa, o ramo de alimentação em restaurantes foi duramente afetado, fazendo com que a empresa tivesse que renegociar essa dívida com os credores.

Apesar de não ter vendido essa Debênture, a equipe de gestão da Polo concluiu que em momentos de estresse é melhor que a empresa tenha o controle concentrado não pulverizado, como no caso da IMC, pois assim as negociações correm de uma maneira mais fluida.

Melhores voos: Os ativos da Companhia Energética de Brasília foram destaque do Polo Capital Crédito Corporativo, na primeira, segunda e atualmente na terceira emissão das Debêntures dessa companhia. Na visão de Mariano, essas emissões tem risco de High Grade (emissões de empresas sólidas no mercado com boa classificação de risco), com retornos de High Yield (ativos que normalmente oferecem maior retorno por as emissões apresentarem riscos maiores). Isso se deve às garantias atreladas a essas debêntures, que envolvem a manutenção de 80% do valor de face da dívida em conta vinculada.

A posição em debêntures da Iguá Saneamento também foi um acerto da Polo Capital. Quando iniciaram-se as emissões de dívida dessa companhia, ela era pouco conhecida. Ao analisar a estruturação dessa dívida, foi observado que o fluxo de caixa para pagá-la vinha de uma concessão que esta tinha com a SABESP. Assim, o risco da emissão muito se assemelhavaa comprar uma dívida emitida por uma empresa já consolidada (SABESP) a uma ótima taxa.

Na visão do gestor, há ainda boas oportunidades nas condições de mercado atuais. Esse foi o caso da Via Varejo que após a crise do coronavírus emitiu uma dívida com um ótimo retorno para um vencimento de apenas dois anos.

Próximos destinos: Para o futuro, Mariano acredita que as tendências de 2020, onde o mercado precificou melhor os ativos de crédito e melhorou a dinâmica de oferta/demanda, se manterão, e com isso esse é um ótimo momento para a classe de ativos de crédito.

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