Impacto da crise atual em fundos de crédito: o que pensam os gestores

Nas últimas semanas, os mercados têm passado por um momento de grande turbulência. O surto do Coronavírus, que tem se espalhado por todo o mundo e a queda abrupta no preço do petróleo são os principais fatores para a aversão a risco que temos presenciado.  Nesse cenário, vemos uma busca de investidores por ativos tidos […]


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Nas últimas semanas, os mercados têm passado por um momento de grande turbulência. O surto do Coronavírus, que tem se espalhado por todo o mundo e a queda abrupta no preço do petróleo são os principais fatores para a aversão a risco que temos presenciado. 

Nesse cenário, vemos uma busca de investidores por ativos tidos como mais seguros, como ouro e títulos de dívida dos EUA (“Treasuries”). Ativos de risco, como ações e moedas de países emergentes, são os que mais têm sofrido.

Impacto nos Fundos de Crédito Privado

Desde a última semana de fevereiro, temos focado em entender qual o impacto desse cenário nos fundos de “mais risco”, como os multimercados, ações e imobiliários. 

Porém, uma classe que estava um pouco esquecida voltou à pauta: os fundos de crédito privado.

Para entender como estão os fundos, começamos olhando o mercado de debêntures. O índice IDEX-CDI, criado pela JGP (https://www.jgp.com.br/idex/), é um bom termômetro desse mercado. O índice, que foi muito bem em dezembro e janeiro, vem sofrendo desde o fim de fevereiro. Em março, acumula queda até o dia 10 de 0,61%.

Porém, essa queda no mês significa que o carrego dos papéis, ou seja, a taxa que eles estão pagando acima do CDI, está em níveis bastante atrativos. Do fim de fevereiro até o dia 10 de março, a média dos spreads dos papéis do IDEX saiu de 1,28% para 1,37%.

Qual é a visão atual dos gestores

Nos últimos dias conversamos com alguns dos principais gestores e analistas de fundos de crédito para entender a visão deles sobre o momento e o que estão fazendo nesse cenário de incertezas. A seguir, os principais pontos levantados nestas conversas:

Não houve aumento do risco de crédito das empresas

As equipes de crédito das gestoras SPX, AZ Quest, JGP, Augme e Gama Investimentos são unânimes em afirmar que não existe, no momento, nenhuma preocupação com aumento de risco de crédito das empresas emissoras de debêntures. Para todas elas, o movimento que estamos vivenciando ocorre devido a uma liquidez muito reduzida no mercado secundário de debêntures nos últimos dias. O mercado primário de emissão de dívida também está parado, já que as empresas estão pouco alavancadas e estão preferindo aguardar por taxas mais baixas para voltarem a captar.

Volatilidade das debêntures deve continuar e fundos podem sofrer no curto prazo

A JGP acredita que esse movimento das debêntures é justificado pelo momento de turbulência que estamos vivendo. Para a gestora, é normal essa volatilidade, dado que lá fora os bonds (títulos de dívida emitidos no exterior) das empresas brasileiras estão oscilando bastante. 


Para a Augme, não será surpresa se os retornos de alguns fundos de crédito vierem abaixo do CDI, ou até mesmo negativos, em março.

Na opinião da SPX, existem algumas diferenças nos mercados de dívida local e externo que justificam a maior volatilidade dos bonds:

  • No geral, as empresas que emitem dívida no exterior são mais alavancadas. No Brasil, o perfil dos emissores de debêntures é mais conservador, sendo na maior parte empresas com fluxo de caixa mais previsível, como geradoras, transmissoras e distribuidoras de energia elétrica, empresas de saneamento e concessionárias de rodovias.
  • Lá fora é possível ficar vendido nesses papéis, atraindo investidores que apostam na queda dos mesmos.
  • As emissões externas são pulverizadas em número maior de investidores, aumentando o número de negociações no mercado secundário.

Estresse dos ativos de crédito em 2019 foi educativo para os investidores

No último trimestre do ano passado os ativos de crédito passaram por um movimento de correção técnica, o que levou a um aumento da volatilidade nos papéis, causando retornos abaixo dos esperado para fundos de crédito high grade, aqueles com papéis de risco de crédito menor, e fundos de debêntures incentivadas. 

Com uma maior volatilidade e retornos abaixo das expectativas, os fundos de crédito sofreram com uma onda de resgates. 

Na opinião da AZ Quest, a base de investidores que permaneceu nos fundos está mais madura e compreende melhor os movimentos de mercado.

Momento difícil em todos os mercados pode voltar a trazer fluxo positivo para os fundos de crédito

Para a AZ Quest e a Gama, se a aversão a risco se prolongar, pode haver fluxo positivo para os fundos de crédito. Na visão das duas gestoras, a classe pode voltar a ser vista como uma opção mais segura nesse momento de incerteza.

Gestoras estão com uma postura mais conservadora e com carregos atrativos nos fundos

As 5 gestoras com as quais conversamos estão aguardando a turbulência diminuir para voltar mais ativamente às compras. Todas estão mantendo o caixa mais elevado e algumas estão reduzindo posições em ativos com vencimentos mais longos. Elas também comentaram que os carregos de suas carteiras devem garantir bons retornos no médio prazo.

Resumindo: mantenha a calma

Os fundos de crédito privado são sempre uma boa alternativa para a composição do portfólio, independentemente do perfil de risco. Com esse turbulência no curto prazo, gestores estão cautelosos mas se mantém otimistas pois ainda não vêem o risco de crédito das empresas aumentando. E, apesar da volatilidade, a perspectiva de médio prazo é de bons retornos para os fundos high grade.

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