Conversa com Pedro Chermont da Leblon Equities e uma visão positiva para o longo prazo

Visão da tradicional gestora de ações carioca sobre o momento atual

access_time 17/03/2020 - 13:56
format_align_left 6 minutos de leitura

Conversamos hoje com Pedro Chermont, um dos sócios da Leblon Equities, tradicional casa focada em ações. Em sua visão, é preciso manter a calma durante a atual situação e verificar se os fundamentos das empresas investidas foram alterados.

Para os sócios da Leblon, crise não é novidade

Os principais sócios da Leblon já estão no mercado desde os anos 1990, por isso sabem bem o que é uma crise. Todos eles já viram correções de mercado ainda maiores do que a atual. As crises no México em 1995, na Ásia em 97, Rússia em 98, no Brasil, com a forte desvalorização do real em 99, a eleição de Lula em 2002 e a crise financeira de 2008 são alguns exemplos de momentos que trouxeram grandes aprendizados. Para Chermont, em momentos como o atual, é preciso focar a gestão em três pilares: racionalidade, disciplina e paciência.

Racionalidade: rever todas as teses e testar se há alguma hipótese que pode ter falhado

A Leblon vinha com uma tese construtiva para a bolsa desde 2016, na época do Impeachment de Dilma Rousseff:

  • A retração econômica dos anos anteriores faria com que não houvessem pressões inflacionárias, o que levaria a queda consistente dos juros;
  • Boas empresas, principalmente as de capital aberto, fizeram ajustes e ganharam produtividade ao longo da recessão. A Leblon acreditava que quando a normalidade econômica voltasse, essas empresas teriam crescimentos acelerados;
  • O valuation das empresas, ou seja, o preço pago por elas em relação ao que elas realmente valem, estava bastante atrativo na época. Para se ter uma ideia, até meados de 2019, o índice Preço/Lucro das empresas da bolsa estava abaixo do histórico dos últimos 10 anos. Com a taxa de juros caindo e o crescimento projetado das empresas para os anos seguintes aumentando, o valuation ficaria ainda mais atrativo;
  • O fluxo para a bolsa ainda continuava baixo mesmo com uma migração maior a partir de 2019, principalmente de pessoas físicas e institucionais (o investidor estrangeiro ainda não havia chegado). O aumento desse fluxo era uma possibilidade;
  • Além disso, movimentos políticos tais como o referido impeachment costumam catalisar grandes movimentos de alta da bolsa no Brasil.

Um risco que a Leblon sempre monitorou foi o de uma possível correção nos mercados, já que o mundo crescia desde 2009.

O surto do Coronavírus e a queda do preço do petróleo aceleraram essa correção. Isso fez com que a Leblon revisasse sua tese e reavaliasse as premissas de todas as empresas de sua carteira.

Segundo Chermont, o primeiro semestre de 2020 deve ser ruim para as empresas. Porém, um semestre ruim não é relevante no médio/longo prazo (período de 3 a 5 anos). O foco dos analistas foi verificar se capacidade para gerar lucro das empresas continuava existindo. Além disso, avaliou-se a saúde financeira das empresas, já que o momento atual dificultará a renegociação de dívidas.

Disciplina: como estão os portfólios da Leblon Equities?

Segundo Pedro Chermont, após revisão das teses o time de gestão concluiu que a maior parte de carteira era composta por empresas sólidas que continuariam gerando retorno no longo prazo.

As carteiras já estavam com um caixa maior, principalmente pelas reduções de posições que estavam com preços elevados. Além disso, algumas proteções com opções ajudaram o fundo a cair menos do que o Ibovespa desde o início da crise.

Paciência: mas já é hora de voltar a comprar?

Para Chermont, antes de voltar a comprar ações, é necessário olhar caso a caso. Existem alguns setores óbvios que deverão sofrer mais, como o de companhias aéreas. Também existem outros que devem ter pouco impacto, como o de distribuição de energia. O mais importante, como já foi dito, é verificar quais empresas continuam com forte capacidade de geração de lucros no longo prazo e estão com boa saúde financeira.

Na visão da Leblon, devemos ter a volta à normalidade no segundo semestre de 2020. O cenário mais provável é de queda brusca da atividade e de uma recuperação também rápida. Por isso, já estão aproveitando as quedas recentes para começar a diminuir o caixa.

Principais posições dos fundos da Leblon

Com a forte correção de preços ocorrida nas últimas semanas, a Leblon tem feito algumas mudanças na carteira. Na semana passada, aproveitou para aumentar a posição em Banco do Brasil, que terá um dividend yield (valor pago em dividendos dividido pelo valor de mercado de empresa) de 7%, ou seja, bem acima do CDI. A B3 é outro exemplo de ação à qual a Leblon aumentou sua exposição. Como o número de negociações na bolsa aumentou bastante desde o início da crise, o resultado dos próximos trimestres da empresa deve ser muito bom.

O time de gestão da Leblon também aumentou um pouco a sua posição em Petrobras, uma das ações que mais sofreu, principalmente devido à queda abrupta do preço do petróleo. Segundo Chermont, a empresa está com um valuation bastante atrativo, considerando que o petróleo volte à faixa de US$ 50. Em um cenário pessimista, em que o petróleo continue na faixa atual, a empresa tem capacidade para continuar gerando fluxo de caixa positivo, se reduzir os dividendos ou adiar alguns investimentos.

Uma outra empresa que está nos portfólios e funciona como proteção é Suzano. A empresa se beneficia com a alta do dólar, já que a sua produção é praticamente toda voltada para a exportação. Para a Leblon, a alta alavancagem da empresa não preocupa, já que o prazo da dívida é bem longo.

No mais, empresas de consumo, distribuição de energia elétrica, concessão de rodovias e transporte ferroviário compõem as principais alocações da Leblon.

Momento oferece oportunidades

Para Pedro Chermont, é impossível evitar momentos como esse em fundos de ações. Crises e altas na volatilidade são intrínsecos ao investimento na bolsa. É importante sempre lembrar dos fundamentos que fizeram montar essas carteiras. Não podemos nos esquecer que o valor de uma empresa nada mais é do que a soma dos lucros que ela gera no longo prazo, trazidos a valor presente.

“Nosso momento econômico é diferente do resto do mundo. Estamos saindo de uma recessão. É nesses momentos que quem tem cabeça de longo prazo (3-5 anos) pode ganhar muito dinheiro. Para quem está fora, agora pode ser uma boa hora de colocar um pé na bolsa.”

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