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Cenário de conflitos: visão dos gestores de fundos locais

O conflito entre Rússia e Ucrânia mudou o posicionamento dos gestores de fundos locais? Confira um resumo da visão de algumas das principais gestoras do Brasil.

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Se logo no mês de janeiro o ano de 2022 já apresentava desafios consideráveis no cenário macroeconômico global, com (i) as perspectivas de uma inflação persistentemente alta; (ii) as discussões sobre como Fed e Banco Central Europeu agiriam em um eventual ciclo de aumento de juros, além de (iii) uma cadeia global de suprimentos ainda bastante desorganizada, o mês de fevereiro trouxe um novo ingrediente a esse cenário com a conflagração e os desdobramentos do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.   

Recentemente publicamos as atualizações sobre as visões e opiniões dos principais gestores globais de fundos de investimentos distribuídos em nossa plataforma, onde eles pontuam como os desdobramentos do conflito podem afetar os mercados e alguns dos seus portfólios. Nada mais justo e necessário que sabermos também como estão a visão e perspectivas de alguns dos principais gestores locais de fundos, com quem conversamos durante a semana pós carnaval (entre e 02 e 04 de março) e consolidamos essas opiniões no conteúdo a seguir.

Neste relatório você irá conferir um resumo de como as gestoras Kinea, Legacy, Vista, Kapitalo e Verde estão analisando o atual cenário e se posicionando em seus fundos.

Um evento pouco provável

Assim como na visão dos gestores globais, os gestores aqui do Brasil pontuaram que a invasão russa na Ucrânia não estava no cenário base – mesmo que existisse uma margem de possibilidade, o que mudou na madrugada do dia 24/02, onde a situação deixou de ser um conflito geopolítico para entrar na esfera militar. Dessa forma, o cenário macroeconômico ficou ainda mais imprevisível.

A Verde, por exemplo, pontua que é muito difícil montar grandes prognósticos de médio-prazo para a atual situação, e além dela, outros gestores pontuaram que essa velocidade de alteração de cenário torna muito difícil a elaboração de previsões, entendem que a situação do conflito, inclusive, pode se estender por mais tempo que o esperado.

Por outro lado, é um consenso entre gestores que o principal efeito desse evento será uma inflação global ainda mais pressionada, já que tanto a Rússia quanto a Ucrânia são grandes exportadores de commodities, e o atual conflito resulta numa queda de oferta desses produtos, em um momento em que os preços já estavam bastante elevados.  

A Kinea é incisiva em seu parecer, enxergando três principais impactos, sendo o primeiro nas exportações, já que a Rússia entrará em forte recessão com as sanções do Ocidente, o segundo, uma penalização nos links financeiros entre o Ocidente e a Rússia, dada a retirada dos principais bancos russos do SWIFT, sistema que tem como principal função permitir a troca de informações bancárias e transferências entre as instituições financeiras do mundo todo, e por último, impactos na oferta e preços de energia, visto que a Rússia representa cerca de 10% da produção do petróleo mundial.

Quando questionados sobre um possível período de recessão, boa parte dos gestores pontuam que ainda é cedo, mas que a alta do petróleo abre precedente para tal. Além disso, a gestora Vista pontua que vale acompanhar de perto a economia europeia, onde é maior a vulnerabilidade econômica diante dos conflitos e uma possível recessão seria mais provável antes de pensarmos em uma recessão na economia americana.

Por fim, os gestores frisam o tamanho da economia russa e sua relevância mundial, além de pontuar que com a nova configuração global, o Brasil tende a se beneficiar da redução de mais um “competidor” por capital de risco nos mercados emergentes. Por outro lado, a fluidez da situação, onde a velocidade de mudanças demonstra as inúmeras possibilidades aos possíveis cenários de evolução da guerra, vale se atentar a possíveis intervenções da OTAN e aos efeitos agudos das sanções econômicas sobre a economia russa, que poderiam incentivar uma encerramento mais rápido da situação bélica.

Posicionamento de portfólio

Kinea

Aspas da gestora: “Em nosso portfólio, os impactos são: (i) positivos em commodities nas quais temos posições compradas; (ii) pouco relevante em moedas (temos posições compradas em Dólar, Real e Peso Chileno versus Dólar Australiano, Euro e Rand Sul-africano) e em bolsas, nas quais temos pequena exposição direcional e; (iii) negativos no curto prazo em juros, pois temos posições para juros maiores nos EUA que sofrem com a aversão ao risco. Nesse ambiente de volatilidade mantemos um portfólio balanceado e iremos continuar acompanhando o ambiente com muita atenção”.

Legacy

Segundo a Legacy, dentro da gestão de portfólio, já existia, antes do conflito, ampla preocupação com a inflação, por isso já possuíam posições tomadas em juros globais e compradas em commodities, de olho nos estoques de grãos que já estavam baixos antes mesmo do conflito. Quando questionados sobre a economia americana, pontuam que acreditam que a inflação dos EUA deva ficar mais perto de 5% e acreditam em uma recessão em 2023 – enxergando como única forma de controlar a inflação, mas que tem como consequência o aumento do desemprego.

A Legacy também pontua que com o cenário mais desafiador, a renda da população tende a ser mais impactada, gerando uma migração para ativos reais como imóveis, e até mesmo ações de empresas do setor bélico. No Brasil, seguem tomados nos juros longos e comprados em inflação implícita, enxergando a alta do petróleo e das commodities em geral como um fator de alívio das pressões fiscais, já que a arrecadação do Brasil tem forte correlação positiva com o setor.

Vista

Segundo a Vista, eles possuíam uma pequena exposição comprada em Rússia, porém seu tamanho era inferior a posição comprada em commodities, o que mais que compensou a performance negativa da posição no país emergente. Uma outra proteção ao fundo devido ao cenário foi a posição comprada em bolsa Brasil, que se beneficia da alta dos preços do petróleo, minério de ferro e soja. Consideram também que seu portfólio está robusto para o atual cenário geopolítico mais estressado, dado que já possuíam commodities dentro do portfólio há um tempo.

Kapitalo

De acordo com os gestores da Kapitalo, dentre as principais mudanças durante esse período de conflito, o aumento da posição em commodities no portfólio é o que mais chama atenção, com posições compradas em energia, metais e agrícolas. Além disso, pontuam que no período da conversa estavam vendidos em bolsas globais, de olho na inflação muito acima da meta e atividade econômica muito acima do potencial. Além disso, continuam com uma posição pequena tomada em juros. Por fim, no cenário base, não veem um movimento de recuo do presidente Putin, mas caso ocorra (probabilidade de 30%) a posição tomada em juros iria bem.

Verde

Aspas da gestora: “O fundo mantém parte significativa do portfólio investido em ações brasileiras, embora um pouco menor que nos últimos meses. Devido às maiores incertezas no mercado global, hedgeamos o livro de ações offshore ao longo do mês, resultando em pequena exposição vendida. Na renda fixa brasileira, protegemos parte significativa da posição aplicadas nos juros reais transformando-a em inflação implícita. Na renda fixa global, mantivemos as posições tomadas nos juros americanos e reduzimos os juros europeus. Na parte de moedas, continuamos sem exposições significativas.”

Conhecimento e disciplina em momentos de incertezas

É muito comum em momentos de incertezas os investidores serem tomados pelo “viés da ação” – que se trata daquela vontade de agir simplesmente por agir, mesmo que em alguns casos isso possa gerar prejuízos financeiros. Dessa forma é muito importante olhar para o histórico do mercado e entender que as incertezas fazem parte, e que a não ser que exista uma grande convicção, fazer grandes movimentos em momentos de euforia ou pânico, geralmente não é uma boa ideia.

Por falar em convicção, é muito importante que o investidor tenha confiança e segurança nas operações que está realizando, já que esses movimentos devem estar em linha não só com a sua atual alocação, mas também com os seus objetivos e metas futuras. Diante disso, recomendamos que os investidores sigam mais do que nunca se informando e absorvendo conhecimentos que são imprescindíveis para realizar esses rebalanceamentos, se necessário, de forma estratégica.

Diante disso, reforçamos a importância da reserva de emergência para cenários críticos e da diversificação da carteira de investimentos, ferramenta gratuita de proteção e redução de riscos. Para auxiliar e trazer uma referência técnica de alocação e diversificação publicamos mensalmente o nosso relatório Onde Investir e os ativos indicados, além de muito mais detalhes e informações, podem ser encontrados em nossas Carteiras Recomendadas, exclusivas para assinantes do EXPERT PASS.

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