Atualização sobre o setor de Portos – há oportunidades?

Nesse relatório, apresentamos um panorama descritivo sobre o Setor Portuário, bem como sobre o Porto Itapoá, objeto de investimento do BRZ Infra Portos FIP - IE. Confira abaixo os detalhes.


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Nesse relatório, apresentamos um panorama descritivo sobre o Setor Portuário, bem como sobre o Porto Itapoá, objeto de investimento do BRZ Infra Portos FIP – IE. Dentro do panorama setorial, exploramos os desafios e oportunidades, além de passar um breve feedback sobre o que os executivos têm falado sobre o setor.

Os desafios logísticos são grandes…

Apesar dos avanços nos últimos anos, a infraestrutura logística no Brasil ainda enfrenta uma série de desafios. Se comparada com outros países do mundo, nossas malhas terrestres, portuárias e aéreas são ainda pouco desenvolvidas de forma geral.

O Índice de Desempenho Logístico (LPI, da sigla em inglês) ajuda a ilustrar como o Brasil se compara com outros países. O LPI é um índice calculado pelo Banco Mundial que visa medir o desempenho logístico de diversos países com base em uma metodologia única, permitindo assim maior comparabilidade. Ele é baseado em uma combinação de parâmetros quantitativos e qualitativos, os últimos por meio de uma pesquisa com operadores logísticos dos diversos países.

Em 2018, o Brasil ocupava o 56º lugar no ranking global do LPI, com uma nota geral de 2,99 e nota de 2,93 no quesito infraestrutura. Isso se compara com índices de 3,61 e 3,75 na China (26ª colocação), 3,89 e 4,05 nos Estados Unidos (14ª colocação), 4,2 e 4,37 na Alemanha (1ª colocação) e 4,03 e 4,25 no Japão (5ª posição).

… e o potencial também

No setor portuário, a conjuntura não é diferente. O setor tem se desenvolvido nos últimos anos, mas ainda apresenta grande potencial de aprimoramento. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), o Brasil possui uma costa de 8,5 mil quilômetros navegáveis, e em 2019 movimentou 1,1 bilhão de toneladas entre exportações e importações das mais diversas naturezas.

Ainda assim a movimentação de contêineres é proporcionalmente baixa. Em 2018, o Brasil foi a 9° maior economia do mundo, mas só movimentou 1,3% do tráfego mundial portuário de contêineres, sendo o 19° maior do mundo. Quando comparamos a movimentação de contêineres pela extensão litorânea brasileira com outros países, conforme tabela abaixo, é possível ver a divergência para outros países.

Essa subpenetração também é notável quando olhamos o volume de contêineres por habitantes. O Brasil possui uma penetração de apenas 48/1000hab, menos da metade da média mundial de 100/1000hab. Isso se compara com 158/1000hab nos Estados Unidos, 235/1000/hab na Alemanha e 173/1000hab no Japão, por exemplo.

Ajudado por uma agenda robusta por parte do Governo

O Governo Federal tem se empenhado em conduzir uma agenda robusta de projetos de infraestrutura, além de dar uma ênfase grande ao aprimoramento do arcabouço regulatório relacionado ao segmento. E o setor portuário é um dos beneficiários dessa agenda.

O Programa de Parcerias de Investimentos, PPI, foi criado pelo Governo Federal em 2016 com o intuito de ampliar e fortalecer a interação entre o Estado e a iniciativa privada por meio de contratos de parceria e outras medidas de desestatização. O programa compreende mais de US$ 30 bilhões de investimentos em rodovias, ~US$ 2,6 bilhões em aeroportos, US$ 1 bilhão em portos e US$ 15 bilhões em ferrovias.

O escoamento mais eficiente do interior do país para o litoral representa uma avenida de crescimento importante para o setor, que se beneficia diretamente de acessos mais amplos e ágeis aos portos.

E por barreiras de entrada elevadas

O setor apresenta relevantes barreiras de entrada para novos players. Entre elas, vale destacar:

  1. Alto investimento inicial para implementação de um terminal portuário
  2. Complexo sistema de licenciamento, tanto para construção de terminais novos quanto para expansões
  3. Escassez de regiões com aspectos físicos adequados – localização próxima a centros econômicos, acessos terrestres e marítimos adequados.

O que os executivos do setor e notícias recentes estão dizendo nesse momento?

A XP se reuniu nas últimas semanas com diferentes stakeholders da indústria portuária, em meio a preocupações quanto ao funcionamento dos portos.

Nos dois primeiros meses do ano, e até meados de março, os volumes estavam fortes e naquele ritmo o trimestre seria bom de forma geral. A redução de volumes partindo da Ásia teve impactos no Brasil, mas a percepção geral é que a situação está se normalizando. O foco agora está na dinâmica de portos nos EUA e na Europa, regiões em que o vírus chegou depois. E também em entender se existe possibilidade de fechamento dos portos no Brasil.

Cerca de 30% das viagens vindas da China foram canceladas. No entanto, cancelamentos e fechamentos de portos aconteceram em um momento inicial do surto de Covid-19, levando à necessidade de se tomar medidas mais drásticas. Hoje a atenção está mais voltada à possibilidade de outros portos serem fechados nessas regiões que ao número de navios que embarcam da Ásia.

De forma geral, não se acredita que os portos no Brasil serão fechados considerando as informações obtidas até o momento. A título de exemplo, foram mencionados portos nos EUA e na Europa, regiões que atualmente estão lidando com um número mais alto de casos de Covid-19 e ainda assim têm seus portos operando com certa normalidade.

Vale ressaltar que as últimas notícias têm apontado para o funcionamento normal dos portos no Brasil. De acordo com a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), todos os portos operam normalmente, adotando as medidas de segurança estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) e também iniciativas dos terminais para ampliar os cuidados preventivos contra o coronavírus.

O Porto de Itapoá

O Porto de Itapoá é um terminal portuário de contêineres localizado na cidade de Itapoá, estado de Santa Catarina, o terminal foi lançado em 2011 com capacidade de 500 mil TEUs. Em 2015, o porto já havia atingido 100% de ocupação e, em 2018, concluiu sua expansão, levando a capacidade instalada do porto para 1,2 milhão TEUs. Hoje, sua infraestrutura conta com 2 berços totalizando 800 metros, 6 portainers (guindastes utilizados para carga ou descarga em navios porta contêineres) e área primária de armazenagem de 250 mil m².

Com o projeto de ampliação, a fase final do Porto Itapoá terá três berços, somando um píer de 1.200 metros, e uma área de armazenamento de aproximadamente 2 milhões de TEUs, ou seja, quatro vezes maior que sua área inicial.

O Porto de Itapoá conta com capilaridade global, tendo linhas de navegação para a Europa, Ásia, Mediterrâneo, Golfo do México e América do Norte com frequência semanal. Além de contar com uma capilaridade global, o terminal oferece uma ampla gama de serviços, como (i) cross-docking, (ii) logística porta a porta, (iii) serviços aduaneiros, (iv) consolidação e desconsolidação de cargas, (v) armazenagem de cargas refrigeradas, entre outros.

A ampla oferta de serviços e capilaridade global permitem que o Porto de Itapoá tenha um portfólio de clientes pulverizado, atendendo diversas indústrias e segmentos, entre eles o setor alimentício, madeireiro e de Papel e Celulose, além de outras indústrias.

Mais sobre o mercado de contêineres… O mercado de contêineres teve um crescimento anual médio de 2010 a 2018 de 5%. Apesar de existir receio quanto ao potencial impacto da pandemia na atividade portuária, importante ressaltar que a pauta diversificada de produtos movimentados pode servir como proteção.

Historicamente, o crescimento anual dos volumes movimentados nos portos brasileiros (em milhões de toneladas) superou o crescimento do PIB, com exceção do ano de 2009. O gráfico abaixo ilustra essa relação: a linha preta representa o volume, em milhões de toneladas, movimentado a cada ano.

Mais detalhes…

#1 Localização

Além da ampla gama de serviços prestados e da capilaridade global, o porto de Itapoá possui diferenciais não replicáveis, que suportam o crescimento e longevidade do terminal. Devido a sua localização privilegiada, o porto possui excelentes acessos rodoviários e marítimos, sem conflitos com áreas urbanas e próximo de grandes centros como Joinville. O porto também conta com uma retroárea de 12 milhões de m² garantidas pelo Plano Diretor de Itapoá, que deverá ser destinada a novas instalações industriais, logísticas, etc.

Ademais, destacamos o estado de Santa Catarina, um dos mais prósperos economicamente do país, com intensa atividade industrial na região litorânea, facilitando o escoamento até o porto. Santa Catarina tem uma renda média mensal de 1.597 reais por habitante, 28% acima da média brasileira de 1.242.

#2 Desempenho operacional

Se focarmos no Cluster Sul de Portos, formado pelos portos de Paranaguá, TCP, Porto de Itajaí e Porto de Navegantes, o Porto de Itapoá se destaca pelo crescimento no volume de contêineres movimentados e aumento da participação de mercado, chegando hoje a deter 25% de participação de mercado dentro desse Cluster.

O porto apresentou um crescimento anual médio de EBITDA no período em 2012 e 2018 de ~53%. No mesmo período, o crescimento anual médio da Receita Líquida foi de ~27%. Em relação à alavancagem, o porto opera com um indicador de 2,2x Div. Líquida/EBITDA.

Os riscos…

Entre os principais riscos, vale mencionar: (i) redução das atividades ou até mesmo fechamento dos portos, o que poderia reduzir materialmente a movimentação nos portos, (ii) variação brusca nos preços de commodities, que pode influenciar o comércio, (iii) competição com outros portos, (iv) desaceleração mais forte que a esperada no nível de atividade global.

Mais sobre a BRZ

Acreditando no potencial do setor, a BRZ Investimentos lançou seu primeiro fundo de Infraestrutura negociado em bolsa, o BRZ Infra Portos FIP-IE. O time dedicado ao setor de Infraestrutura já realizou 10 investimentos, dos quais 3 foram direcionados ao setor portuário. Além disso, conta com uma equipe de gestão experiente, que trabalha em conjunto há quase uma década.

Fundada em 2005, a BRZ Investimentos é uma das maiores gestoras brasileiras independentes atuantes em ativos alternativos. A atuação compreende duas linhas de investimentos: a área de Private Equity, realizando a gestão de fundos que investem em empresas de capital fechado e a área de Crédito, que faz a gestão de fundos de crédito privado. Atualmente, a gestora conta com mais de R$ 3,3 bilhões sob gestão.

Dentro dos investimentos, a equipe possui participação direta em todas as instâncias deliberativas e consultivas, estabelece processos e metas no dia a dia das companhias, aprimora e profissionaliza as equipes que gerem os ativos, fazendo assim uma gestão ativa de seu portfólio.

O que é um FIP?

Um Fundo de Investimento em Participações (FIP) é um investimento em renda variável constituído sob a forma de condomínio fechado, em que as cotas somente são resgatadas ao término de sua duração ou quando é deliberado em assembleia de cotistas a sua liquidação.

Em especial, o FIP-IE (caso da BRZ) mantém o seu patrimônio investido em projetos de infraestrutura ou de produção econômica intensiva em pesquisa, desenvolvimento e inovação nas áreas de energia, transporte, água e saneamento básico. Cada FIP-IE deve ter, no mínimo, cinco cotistas, sendo que cada cotista não pode deter mais de 40% das cotas emitidas ou auferir rendimento superior a 40% do rendimento do fundo.

O Fundo

O objetivo do fundo é o investimento no Porto Itapoá, onde comprou aproximadamente 23% de participação indireta do ativo. A aquisição foi feita em conjunto com a PortoSul, em um veículo que tem 70% de participação no Porto Itapoá.

Esse veículo é sócio da Aliança, que está presente nos principais portos brasileiros e configura como o maior operador de cabotagem no país. A Aliança, que já havia sido adquirida em 1998 pela Hamburg Süd, foi em 2018 adquirida pela Maersk, maior empresa de navegação de longo curso no mundo.

O organograma abaixo ilustra a estrutura societária do investimento. 

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