A retomada dos fundos de crédito privado

Confira as perspectivas atuais para os fundos da categoria de crédito privado - será que a retomada vai continuar?


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Bolsas globais recuperam-se de vento e popa, com o S&P 500 próximo de zerar as perdas no ano. Durante os últimos dias, o Ibovespa chegou a emplacar 7 dias seguidos de ganhos, num rali de quase 50% desde as mínimas em 23/03/2020. O dólar, por outro lado, derreteu da casa dos R$ 5,90 para perto de R$ 5,00 em menos de 1 mês. Os multimercados seguem o caminho de recuperação. Parece que o mercado coloca nas contas que a tal da recuperação econômica em “V” é o cenário base, no momento. E o mundo do Crédito, como fica nesse contexto? Quais as perspectivas para os fundos dessa categoria? Há espaço para recuperação?

Onde estamos, em termos de retornos

Tomando como base os índices IDA-DI da Anbima e Idex-DI, da JGP, ambos representando o comportamento médio dos títulos de crédito de empresas mais negociados no mercado local (debêntures), pode-se dizer que o movimento de recuperação dessa classe ainda tem um bom caminho até voltar a superar o CDI, apesar da forte recuperação observada nas últimas semanas.

Fonte: Quantum Axis

Após amargar uma queda acumulada no ano superior a 8%, no pior momento do mercado, o Idex-DI mostrou forte recuperação, como os demais ativos de risco ao redor do mundo, mas ainda figura no terreno negativo no ano e fica bem atrás do CDI no acumulado do mesmo período.

Se tomarmos como referência o que aconteceu no mercado de títulos corporativos americanos, por motivos mais do que justificados (maior estabilidade política e maiores estímulos monetários por lá), estamos defasados no movimento de correção dos preços, bem como se verifica quando comparamos os índices acionários locais aos internacionais. Lá fora, um índice que é algo próximo ao Idex, o S&P Investment Grade Corporate Bond, já voltou para o terreno positivo e, se fôssemos comparar ao nosso CDI, até já acumularia uma gordura no ano (numa comparação considerando valores em dólares para os índices internacionais e valores em reais para o CDI).

A recuperação pode ser observada também mesmo para os títulos mais arrojados, representados pelo índice S&P US High Yield Corporate Bond Index.

Fonte: Quantum Axis

O que esperar daqui em diante?

Os fortes estímulos monetários e fiscais implementados pelos principais bancos centrais ao redor do globo indiscutivelmente têm surtido um efeito importante na recuperação dos ativos de risco em geral. O que todos esperam é que, num próximo momento, isso se reflita também nas economias, minimizando os efeitos dramáticos causados pela parada generalizada de centenas de países. Caso isso se verifique, o risco de crédito das empresas tende a ficar contido e, na margem, até a diminuir.

Por aqui, especificamente no mercado de crédito, o cenário base é que uma maior deterioração nos preços dos ativos já tenha ficado para trás e, daqui para frente, as perspectivas melhorem, com base em alguns fatores:

1) O carrego dos fundos continua perto dos maiores patamares históricos, ou seja, o potencial de retornos das carteiras considerando a precificação atual de debêntures, letras financeiras e FIDCs, principalmente, deve ser suficiente para que fundos entreguem retornos entre CDI+1,50% e CDI+2,50% ao longo dos próximos 12 meses. Se lembrarmos que o CDI tende a continuar abaixo de 3,0% por um longo período, os retornos esperados soam bastante atraentes, dado o baixo risco dos títulos dos fundos com mandato “High Grade”, em geral.

O gráfico abaixo (linha verde) ajuda a ilustrar quão atrativas estão as taxas de títulos privados, se tomarmos como base as debêntures mais negociadas no mercado. A taxa média de tais títulos se recuperou desde o auge do stress de mercado (ou seja, as taxas diminuíram), mas ainda negociam a patamares bem superiores ao pré-crise. Ainda há abundância de ativos com bons riscos de crédito negociando a taxas entre CDI+3,0% e CDI+4,0%.

Fonte: JGP Investimentos

2) Uma potencial consequência do item 1, que já temos observado desde o fim de abril, é a diminuição dos resgates de fundos de renda fixa como um todo. Isso coloca menos pressão vendedora nesse mercado e faz com que gestores tenham mais margem de manobra para montar suas carteiras pensando no médio prazo, pelo menos, o que não foi possível de se realizar entre fevereiro e a primeira metade de abril. Sem ter a necessidade de vender ativos bons a qualquer preço para honrar resgates e, na margem, voltando a ter captações positivas, gestores e investidores em geral devem fazer com que as taxas dos ativos permaneçam estáveis ou continuem cedendo (evento positivo), levando fundos a retornos ainda melhores.

O gráfico abaixo, que compila a captação líquida de todos os fundos de Renda Fixa com exposição a Crédito segundo a Anbima*, mostra a desaceleração nos resgates significativa entre abril e maio, tendência que deve continuar ao longo de junho, caso o mercado não apresente uma piora significativa.

Fonte: Anbima
* Não inclui fundos de crédito com estrutura de multimercado

3) A possibilidade real de Banco Central poder operar no mercado de crédito, caso seja necessário, deve dar conforto para que os agentes de mercado continuem mais confiantes. O Congresso aprovou em maio a possibilidade de o BC comprar títulos privados no mercado de crédito, caso seja necessário, para auxiliar o ajuste do mercado em momentos de baixa liquidez. Isso já é amplamente feito por alguns dos principais bancos centrais do mundo, como o Fed, nos Estados Unidos, e pode ser um importante estabilizador para o mercado local caso tenhamos novos episódios de fortes resgates nos fundos dedicados a crédito.

Fonte: Veja, Folha de São Paulo, Valor

Esses motivos nos levam a continuar otimistas com a classe de fundos de Crédito Privado, que oferece boas oportunidades de alocação e pode funcionar muito bem para a montagem de uma carteira de investimentos balanceada e mirando o longo prazo.

Se quiser aproveitar oportunidades nessa classe, confira uma lista resumida de fundos recomendados no relatório Top 50 ou acesse a plataforma completa de fundos da XP.

Especialmente vantajosos podem ser os fundos dessa classe adaptados à legislação de Previdência, por conferirem vantagens tributárias aos investidores – notadamente a não incidência do come-cotas (imposto compulsório cobrado a cada 6 meses). Temos uma lista resumida de fundos de previdência disponível no relatório Top 25 e uma plataforma ampla de opções disponível aqui.

Por fim, é possível encontrar carteiras recomendadas para diferentes perfis de investidores na seção de recomendações da equipe de Alocação da XP (confira aqui).

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