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Economia em Destaque: Tensões geopolíticas e pressão sobre Fed elevam risco global

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

O Presidente do Fed (banco central dos EUA), Jerome Powell, recebeu intimações do Departamento de Justiça relacionadas a estouros de orçamento na reforma da sede da autoridade monetária. O movimento foi visto como pressão do governo de Donald Trump, que demonstra insatisfação com a condução da política monetária.

Além disso, o governo americano anunciou tarifa de 25% sobre qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã, com efeito imediato. A medida busca aumentar a pressão econômica sobre Teerã em meio aos protestos da população.

Os ruídos institucionais nos EUA e o recrudescimento das tensões geopolíticas renovaram máximas históricas nas cotações do ouro e elevaram a volatilidade nos preços do petróleo.  

No Brasil, dados de novembro reforçaram o cenário de resiliência da atividade, com destaque à aceleração nas vendas varejistas – impulsionadas pela Black Friday – e recuperação do IBC-Br (proxy mensal do PIB).  

Gráfico da Semana

Veja na seção “Trump tarifa parceiros comerciais do Irã

Cenário Internacional

Nos Estados Unidos, risco institucional aumenta após intimação de Jerome Powell

O Presidente do Fed (banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, recebeu intimações do Departamento de Justiça relacionadas a estouros de orçamento na reforma da sede da autoridade monetária. Segundo Powell, “essa nova ameaça não diz respeito ao meu depoimento em junho nem à reforma dos prédios do Federal Reserve (…). Esses são pretextos”. Ele destacou que a questão central é “se o Fed continuará a definir as taxas de juros com base em evidências e condições econômicas — ou se, ao contrário, a política monetária será conduzida por pressão política ou intimidação”. Pouco depois, o Presidente Donald Trump afirmou à rede de televisão NBC que não tinha conhecimento da investigação.

O episódio aumentou a percepção de risco institucional e impulsionou a demanda por ouro – utilizado como ativo de proteção. Os preços do metal atingiram máximas históricas (acima de US$ 4.618 por onça), refletindo também as tensões no Irã (ver abaixo).

Trump tarifa parceiros comerciais do Irã

Os Estados Unidos aplicarão uma tarifa de 25% sobre qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã. A medida teve efeito imediato e busca aumentar a pressão econômica sobre Teerã em meio a protestos internos. Países como China, Índia, Emirados Árabes, Turquia, Rússia, Brasil e Iraque podem ser impactados, já que possuem laços comerciais relevantes com o Irã. Para a China, por exemplo, isso pode elevar as tarifas para cerca de 45%, somando as já existentes. A decisão ocorreu antes do julgamento da Suprema Corte sobre a legalidade de tarifas impostas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

O aumento da tensão internacional trouxe volatilidade aos preços do petróleo Brent ao longo da semana, refletindo o risco geopolítico crescente no Oriente Médio.

Núcleo de inflação nos Estados Unidos um pouco abaixo do esperado em dezembro

A inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos avançou 2,7% no resultado acumulado em 12 meses até dezembro, em linha com as expectativas. O núcleo da inflação — que exclui itens com preços voláteis, como alimentos e energia — apresentou alta de 2,6% anualizada, ligeiramente abaixo das projeções. Com relação ao núcleo da inflação ao produtor (PPI), houve estabilidade em novembro contra outubro, abaixo das expectativas de um crescimento de 0,2%.

Reforçamos a expectativa de que o Fed (banco central) manterá sua taxa básica de juros na faixa de 3,50% – 3,75% na próxima reunião de política monetária. Por um lado, a inflação corrente segue benigna. Por outro, a atividade econômica segue sólida, com destaque aos dados de consumo das famílias.

Acordo entre Mercosul e União Europeia deve ser assinado nos próximos dias

Após 25 anos de negociações, a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul. A maioria dos 27 países votou a favor, com oposição de França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria, além de abstenção da Bélgica. O texto prevê eliminação gradual de tarifas sobre produtos agropecuários e industriais, com prazos que podem chegar a dez anos. Os próximos passos incluem a assinatura do acordo, prevista para 17 de janeiro, e aprovação pelos parlamentos do de ambos os blocos. Caso avance, as novas relações comerciais poderão entrar em vigor mesmo antes da ratificação pelos 27 países europeus.

União Europeia se aproxima de acordo comercial com a China

A União Europeia (UE) anunciou regras para aceitar as condições apresentadas por montadoras chinesas de carros elétricos como alternativa às tarifas aplicadas desde 2024, reduzindo a tensão comercial entre as duas regiões. Esses arranjos funcionam como um compromisso pelo qual as empresas chinesas poderiam vender seus veículos no bloco por um valor mínimo acordado, evitando preços artificialmente baixos gerados por subsídios do governo chinês. Para serem aceitas, as condições precisam compensar a vantagem gerada pelos subsídios e produzir um efeito equivalente ao das tarifas atuais, preservando a proteção à indústria europeia.  Elas também devem ser viáveis na prática, sem abrir brechas que permitam compensações por meio da venda de outros modelos. Além disso, a UE analisará fatores como investimentos realizados pelas montadoras na região, buscando equilibrar abertura comercial e concorrência justa.

Juros japoneses atingem maior patamar em 25 anos

Os juros dos títulos públicos japoneses de 10 anos chegaram a 2,18%, o maior nível em mais de 25 anos. O movimento reflete a expectativa de aumento dos gastos pelo novo governo e a crescente preocupação com o elevado endividamento do país. O iene se desvalorizou frente ao dólar, diante da maior incerteza fiscal. Além disso, a alta dos juros no Japão pressiona os mercados globais, já que muitos investidores utilizam o país para financiar aplicações em outros mercados.

Enquanto isso, no Brasil…

Setor de serviços desacelera, enquanto vendas no varejo se recuperam em novembro

As vendas no varejo ampliado avançaram 0,7% em novembro, um pouco acima das projeções. Foi a quinta alta consecutiva, após um resultado bastante fraco em junho. As vendas do varejo restrito subiram 1,0%. O crescimento foi disseminado, com oito dos dez segmentos registrando alta em novembro frente a outubro. A campanha promocional de Black Friday parece ter impulsionado essas atividades. Mesmo com um resultado positivo em novembro, a economia brasileira perdeu fôlego na segunda metade de 2025, em linha com a política monetária contracionista.

No setor de serviços, houve recuo de 0,1% em novembro ante outubro, levemente abaixo das expectativas. Na comparação interanual, a receita real de serviços cresceu 2,5% em novembro, levando a um avanço de 2,7% no acumulado em 12 meses. O setor terciário deve permanecer em trajetória de expansão, apesar dos sinais mistos entre seus componentes.

Olhando adiante, medidas de estímulo (impulsos de renda e crédito) devem adicionar 0,8 p.p. ao crescimento do PIB este ano, segundo nossos cálculos. Nossa projeção de 1,7% para o PIB de 2026 tem viés de alta.

Proxy do PIB indica crescimento modesto no 4º trimestre

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) — proxy mensal do PIB — avançou 0,7% em novembro, em linha com a nossa expectativa. Na comparação com novembro de 2024, o IBC-Br avançou 1,2%, levando o crescimento acumulado em 12 meses para 2,4%. A maioria dos setores se recuperou em novembro. O indicador da Indústria subiu 0,8%, interrompendo uma sequência de duas quedas consecutivas. O setor de Serviços também avançou, com alta de 0,6%, acelerando em relação à virtual estabilidade observada nos três meses anteriores. O componente de Impostos apresentou forte recuperação (1,1%), após dois meses fracos. Por sua vez, a Agropecuária recuou 0,3%. Ainda assim, o setor primário mostrou expansão de 13,5% no acumulado do ano, refletindo o salto ocorrido no primeiro semestre de 2025 em função da safra recorde de grãos.

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Destaques da próxima semana   

No cenário internacional, o destaque será a divulgação do índice de preços PCE (deflator das despesas de consumo) nos Estados Unidos, referente a novembro – trata-se do indicador de inflação mais relevante para o Fed, que teve divulgação atrasada pelo shutdown. Na China, serão publicadas as estatísticas de atividade econômica do 4T25, com destaque para o PIB e a taxa de desemprego. Além disso, o banco central chinês (PBoC) definirá as taxas de empréstimos de curto e longo prazo. No Japão, o banco central (BoJ) também decidirá sobre a taxa básica de juros, atualmente em 0,75%. Por fim, índices PMI serão divulgados nas principais economias – lembrando que PMIs são sondagens empresariais que visam captar o pulso da atividade econômica.

No Brasil, não haverá divulgações relevantes. Sem data marcada, os dados de arrecadação federal de dezembro podem ser publicados.  

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