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Economia em Destaque: Maior aversão ao risco em meio a juros pressionados nos EUA

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

No cenário internacional, os indicadores de emprego nos Estados Unidos surpreenderam, reforçando a resiliência do mercado de trabalho. Na Europa, por outro lado, vemos desaceleração generalizada e gradual da atividade econômica.

No Brasil, solidez do emprego, mas estagnação da indústria. Destaque para a divulgação do nosso relatório Brasil Macro Mensal, que apresentou projeções para 2025 e atualizações sobre o cenário de câmbio.

Cenário internacional

Ameaça de shutdown no governo americano persiste

O governo americano ameaçou iniciar uma paralisação (shutdown, em inglês) caso o orçamento para o próximo ano fiscal não fosse aprovado até 30 de setembro. A Câmara conseguiu evitar esse cenário ao aprovar um acordo bipartidário que adia a decisão sobre o orçamento, mas eleva os gastos a curto prazo ao destinar US$ 16 bilhões em financiamento para emergências. A medida, no entanto, tem validade de 45 dias, garantindo o funcionamento do governo somente até 17 de novembro, até que a ameaça de um shutdown volte.

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Mercado de trabalho ainda muito apertado nos EUA…

Os indicadores de emprego dos EUA divulgados nessa semana sugerem pressões contínuas no mercado de trabalho. O relatório ADP registrou criação líquida de 89 mil vagas no setor privado em setembro, abaixo dos 180 mil registrados em agosto e da estimativa do mercado de 160 mil. No entanto, o principal relatório do mercado de trabalho local, o Nonfarm Payroll, registrou geração liquida de 336 mil novos empregos, o número mais alto desde janeiro, ficando muito acima das expectativas de 170 mil. Ademais, a taxa de desemprego permaneceu baixa, em 3,8%. Por outro lado, o salário médio por hora cresceu 0,2%, abaixo do consenso e das variações observadas nos meses anteriores.

Também divulgado essa semana, o relatório Jolts de agosto registrou forte aumento de vagas abertas (de 8,9 milhões para 9,6 milhões), compensando a queda nos dois meses anteriores. O número de vagas abertas permanece 50% acima do número de pessoas desempregadas, sugerindo excesso de demanda por trabalhadores.

Os mercados regiram negativamente aos dados fortes de emprego. Os juros dos títulos do Tesouro continuaram subindo, reforçando a perspectiva de política monetária restritiva por bastante tempo nos EUA.

… puxado em grande parte pelo setor de serviços

O setor de serviços dos EUA continua sólido, apesar da perda de tração nos últimos meses. O índice ISM PMI de Serviços recuou de 54,5 em agosto para 53,6 em setembro, em linha com as expectativas. Leituras acima de 50 indicam crescimento. O componente de novas encomendas recebidas pelas empresas de serviços declinou de 57,5 para 51,8 no período, atingindo o nível mais baixo desde dezembro. Por sua vez, a medida de preços pagos pelos insumos permaneceu em 58,9, patamar elevado para padrões históricos. Os preços dos serviços tendem a ser mais rígidos (persistentes) e menos sensíveis à elevação das taxas de juros.

Europa mostra desaceleração gradual da atividade

Na zona do euro, o Índice de Gerentes de Compras (HCOB PMI) composto, visto como uma boa medida da saúde econômica geral, subiu para 47,2 em setembro, em comparação com 46,7 de agosto. Mas o resultado ficou abaixo da marca de 50, – que separa crescimento de contração – pelo quarto mês consecutivo. A pesquisa mostrou desaceleração generalizada, já que, como em agosto, a produção diminuiu tanto nos serviços quanto na indústria.

No Reino Unido, por sua vez, houve desaceleração menos severa do que se temia em setembro. A leitura final do Índice de Gerentes de Compras (PMI) de Serviços caiu em setembro para 49,3, de 49,5 em agosto. O PMI composto – que combina  indústria e serviços – caiu para 48,5 em setembro, de 48,6 em agosto.

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Enquanto isso, no Brasil…

Setor de serviços impulsiona geração de empregos…

O relatório do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) surpreendeu ao registrar criação líquida de 220,8 mil empregos formais em agosto, acima da nossa expectativa e do consenso de mercado (180 mil e 173 mil, respectivamente). De acordo com as nossas estimativas dessazonalizadas, o saldo de vagas com carteira assinada subiu marginalmente de 104 mil em julho para 106 mil em agosto.

As atividades de serviços foram protagonistas (mais uma vez). A criação líquida de empregos formais no setor terciário – intensivo em mão de obra – avançou para 66 mil em agosto, em comparação a 58 mil em julho. O saldo de ocupações no comércio também melhorou na comparação mensal, ainda que moderadamente. Em linhas gerais, o emprego formal continua sólido, reforçando o cenário de resiliência da atividade doméstica. Projetamos geração líquida de 1,40 milhão de empregos em 2023, após 2,015 milhões em 2022.

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…mas setor industrial segue estagnado

A produção industrial brasileira aumentou 0,4% em agosto em relação a julho, um pouco abaixo da nossa expectativa e da mediana das estimativas do mercado (0,6% e 0,5%, respectivamente). A produção industrial cresceu 0,5% em comparação a agosto de 2022 (XP: 1,1%; consenso: 1,0%). De modo geral, o cenário de estagnação da produção industrial permanece. As condições monetárias apertadas e o elevado grau de endividamento das famílias continuam a pesar sobre o setor. A desagregação do setor industrial mostrou sinais mistos. A categoria de bens de consumo duráveis, por exemplo, saltou 8% em agosto, após contração acumulada ao redor de 9% nos dois meses anteriores. No entanto, as atividades que impulsionaram esse salto continuam em tendência cadente, com a produção corrente consideravelmente abaixo dos níveis registrados ao final de 2022. Prevemos que a indústria brasileira crescerá cerca de 0,5% em 2023, com sinais erráticos nos próximos meses.

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Publicamos projeções econômicas para 2025

No relatório Brasil Macro Mensal de outubro, apresentamos pela primeira vez as projeções para 2025.

A deterioração do cenário global, com o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, provocou uma depreciação do Real. Ajustamos a projeção de taxa de câmbio no final de 2023 (de R$/US$ 4,70 para R$/US$ 5,10), de modo a contemplar o movimento recente, sem alterar a avaliação estrutural. Com isso, prevemos  apreciação, ainda que moderada, nos próximos anos. Nossas estimativas indicam R$/US$ 4,85 no final de 2024 e R$/US$ 5,00 no final de 2025.

Além disso, reforçamos a perspectiva de que o Copom – Comitê de Política Monetária do Banco Central – manterá o ritmo de redução de 0,50pp na taxa Selic nas próximas reuniões. Projetamos a taxa básica de juros em 10,00% em 2024, ainda em território contracionista, e 9,00% em 2025, aproximando-se do nível neutro.

Para ler o Brasil Macro Mensal de outubro, clique aqui.

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O que esperar da semana que vem

Na agenda internacional, vários dirigentes do Fed (banco central dos EUA) discursarão ao longo da semana que vem. Na quarta-feira, será divulgada a inflação ao produtor nos EUA referente a setembro, além da ata da última reunião de política monetária do Fed. Na quinta-feira, atenções voltadas à publicação da inflação ao consumidor nos EUA relativa ao mês passado. Todos esses eventos podem recalibrar as expectativas para a próxima decisão de política monetária (em 01/11), assim como as perspectivas para a taxa de juros americana no longo prazo. Na sexta-feira, será divulgada a inflação ao consumidor da China em setembro.

No Brasil, a agenda está relativamente vazia. Destaque para a divulgação do IPCA de setembro, para o qual estimamos alta mensal de 0,32%, um pouco abaixo do consenso de mercado (0,37%). Em relação à variação acumulada em 12 meses, projetamos aumento para 5,24% frente a 4,61% em agosto. 

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