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BBB – Bolhas, Bitcoin e Bolas de Cristal

O que o Bitcoin, Bolhas e Bolas de Cristal têm em comum? Fernando Ferreira, Estrategista-Chefe da XP decifra em sua coluna Sunday XPresso.

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Enquanto eu via propagandas e comentários inundando as redes sociais sobre um tal de BBB nessa última semana, os únicos 3 “B”s que passaram pela minha cabeça eram: Bolhas, Bitcoin e Bolas de Cristal. Vamos falar um pouco mais sobre cada um deles?

Bolhas: o cenário atual no mundo é extremamente propício à formação de bolhas especulativas de preços. Existem várias características para se definir uma bolha de preços, mas as 2 mais comuns são: 1) uma boa narrativa para se contar de um potencial enorme no futuro sobre o ativo e, 2) dinheiro barato, abundante e fácil. A definição de uma bolha mais clássica é quando os preços desse ativo em questão se descolam completamente de seus fundamentos, e os investidores entram em euforia comprando aquele ativo apenas por esperar vendê-lo por um preço mais alto para outra pessoa, em um puro movimento especulativo.

Existem várias formas de explicar e estudar uma bolha especulativa depois que ela estoura, o que é muito fácil quando se olha para o retrovisor. Porém, é muito difícil decifrar as bolhas enquanto elas ocorrem, e muito mais difícil ainda descobrir quando elas irão estourar. Muito se debate no mercado ao longo dos últimos meses sobre potenciais bolhas de preços no Bitcoin, nas ações da Tesla e de tecnologia (Nasdaq). Mas essa semana foi a vez das ações das Small Caps americanas.

Essas ações não só estavam “esquecidas” pelo mercado, como também estavam entre as maiores posições vendidas dos grandes fundos americanos (Hedge-Funds). O que começou com alguns posts em fóruns de discussão na internet visando a compra dessas ações por parte de pequenos investidores pessoas físicas, acabou gerando movimentos gigantescos nos mercados. Ações como a da varejista GameStop, a empresa de cinemas AMC Holdings, as de telefonia celular que estavam esquecidas, como Blackberry e Nokia, e várias outras subiram até mais de 1.000% nas últimas semanas, com investidores de varejo fazendo apostas na alta, visando assim forçar os fundos a recomprarem aquelas ações com prejuízo.

Esse efeito é mais um sinal de que há muito dinheiro farto no mundo, o que propicia efeitos de preços como esse. A melhor forma dos investidores em geral se protegerem é diversificar a carteira com bons ativos globais, controlar o seu risco e fugir de especulação – aliás manipulação de preços é crime”

Dessa forma, esses mesmos Hedge-Funds, que na maior parte do tempo operam alavancados, foram forçados a reduzir o risco da sua carteira e vender posições no mercado em geral. O resultado foi um forte aumento da volatilidade, a maior queda diária do S&P500 desde o ano passado na quarta-feira (>3%), e a pior semana para os mercados americanos em vários meses. Esse efeito levou a um tombo das Bolsas globais.

Esse efeito é mais um sinal de que há muito dinheiro farto no mundo, o que propicia efeitos de preços como esse. A melhor forma dos investidores em geral se protegerem é diversificar a carteira com bons ativos globais, controlar o seu risco e fugir de especulação – aliás manipulação de preços é crime (veja aqui).

Bitcoin e Bola de cristal: Os outros dois “B” vão em conjunto, e eu vou tentar explicar. Um fenômeno curioso aconteceu recentemente. Enquanto as Bolsas continuavam subindo, os preços do Bitcoin começaram a cair vertiginosamente, chegando a cair mais de 22% do pico de US$40.000 do começo de janeiro. Fiquei intrigado com aquilo, pois se a razão dessa alta estrondosa do Bitcoin era justamente o dinheiro farto e fácil, que continua firme e forte, então por que os preços passaram a cair fortemente? Será que o Bitcoin está nos indicando algo que não estamos vendo?

Estudando isso mais a fundo, descobri que o Bitcoin antecedeu (ou “previu” pra quem acredita em Bolas de Cristal e cartomantes) 100% das últimas grandes correções no S&P500. Veja abaixo.

Desde 2017 – o ano em que o Bitcoin se tornou mainstream – todas as vezes que a moeda digital corrigiu mais de 20% de preço do pico, isso precedeu o pico de preços no S&P500 em uma média de 16 dias. Os retornos médios do S&P500 após esse pico foram de -11% 1 mês após o pico e -8,3% nos 3 meses seguintes ao pico de preços.

Fonte: XP Investimentos, Bloomberg

Esse sinal pode ser apenas uma grande coincidência, dado que a amostra de número de eventos ainda é pequena, apenas 4 eventos desde 2017. Porém, analisando mais a fundo, faz sentido pensarmos que essa correlação exista.

Dado que o Bitcoin é o ativo “mainstream” com a maior volatilidade e grau de especulação nos mercados globais, e seus preços negociam 24 horas por dia e 7 dias na semana – ao contrário das ações que negociam apenas de segunda a sexta – inversões de sentimento e movimentos abruptos de quedas de preço do Bitcoin podem estar relacionados à mudanças de humor nos mercados de forma geral.

Veremos se essa “Bola de Cristal” funcionará dessa vez. A verdade é que o Bitcoin fez um pico de preços no dia 08 de janeiro de 2021, enquanto o S&P500 chegou na sua máxima no dia 23-de janeiro, exatos 15 dias após!

Coincidência? Saberemos nas próximas semanas.

Bitcoin vs. o S&P500 – Picos no Bitcoin precederam correções no S&P
Fonte: XP Investimentos, Bloomberg

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