Spread: entenda este conceito usado no mercado financeiro

Saiba o que significa o spread, termo tão usado no mercado financeiro e especialmente no Brasil por causa da cultura bancária


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Spread: entenda este conceito usado no mercado financeiro

Se você já esteve rodeado de alguns analistas, economistas ou investidores mais experientes, certamente ouviu a palavra spread. É um conceito muito básico dentro do mercado financeiro mas que pode ser aplicado e entendido a diversas áreas de formas levemente diferentes. Mas antes de explicar as questões mais técnicas, vamos ilustrar com um exemplo bem simples e objetivo sobre o significado de spread.

O que é spread? Entenda o conceito

Pense na seguinte situação de um pequeno empresário do varejo. Então, para lucrar nesse negócio, ele precisaria vender as mercadorias no seu comércio por um preço mais caro do que foi pago ao fornecedor, certo?

Mais ainda: para que o negócio de fato prospere, o valor das mercadorias vendidas deve ser suficiente para manter toda a estrutura, como o pagamento de funcionários, despesas fixas e variáveis, como aluguel, contas básicas e manutençao e, claro, ainda obter o seu lucro.

Portanto, o spread nada mais é do que a diferença entre o preço da compra e o preço da venda de uma transação financeira.

Como funciona o spread bancário?

Nos últimos anos, muito tem se falado do spread bancário. Mas o que é isso e como os bancos se inserem nesse contexto?

O spread bancário é a lógica básica utilizada pelos bancos para obter lucro. Utilizando a definição que citamos, o spread bancário é a diferença financeira entre o que o banco paga a um investidor para obter os recursos e o que ele cobra para emprestar esses mesmos recursos. Em termos mais técnicos, é a diferença entre a taxa de empréstimo e a taxa de captação.

Funciona mais ou menos assim: imagine que você é um investidor e que investiu na poupança a uma taxa de 3% ao ano. Aí o banco, que pega o seu dinheiro e te paga esses 3% ao ano, empresta para financiar uma outra atividade econômica e cobra de quem toma esse empréstimo a uma taxa de 23% ao ano.

Então, nesse caso, o spread bancário é de 20% (23 – 3 pontos percentuais = 20%). Então, nesse negócio entre o banco, que tomou o empréstimo, e você, que ganhou rentabilidade de 3% ao ano, o banco lucrou 20% ao ano só nessa simples operação.

Por que o Brasil tem um spread bancário tão alto?

O Brasil tem um dos spreads mais altos do mundo, e uma das principais justificativas que os bancos usam é que eles correm um alto risco de crédito, diz o Head de Educação Financeira da XP, Thiago Godoy.

Os altos juros cobrados são calculados por uma série de variáveis, como a taxa de inadimplência, os custos administrativos, os tributos, o depósito compulsório, além, é claro, do lucro que os bancos cobram para realizar essas transações.

Mas outras questões também entram nessa conta e influenciam os valores tão elevados do spread bancário brasileiro. Veja outros motivos elencados pelo especialista em investimentos e educação financeira da XP:

Os motivos para o alto spread bancário no Brasil

Thiago Godoy, Head de Educação Financeira da XP

Primeiramente, no Brasil o setor bancário é oligopolizado: possuímos uma das maiores taxas de concentração bancária do mundo. Os cinco maiores bancos brasileiros ainda respondem por mais de 80% de todo o mercado financeiro do País. Para se ter uma ideia, países como China e Estados Unidos tem uma taxa de concentração em torno de 40%.

Além da concentração bancária, a tributação e o depósito compulsório são altos demais, além das incertezas macroeconômicas e problemas estruturais em nosso país. A inadimplência aqui também é muito alta e é justamente o alto preço dos juros uma justificativa que empresas e pessoas usam para tal inadimplência. É uma espécie de círculo vicioso.

Para reduzir o spread bancário algumas medidas podem ser adotadas, como a redução da carga tributária, da necessidade de depósitos compulsórios, uma maior eficiência judiciária para a recuperação de crédito dos inadimplentes e um sistema de análise de crédito mais sofisticado, além de políticas de incentivo do Banco Central para a entrada de novos concorrentes no sistema bancário.

O termo em outros contextos

De forma genérica, assim como falamos, o spread refere-se à diferença entre duas medidas comparáveis e geralmente é um conceito associado ao mercado financeiro e a negociações. 

Spread na Bolsa

No mercado de ações, o spread refere-se à diferença entre o menor preço de venda e o maior preço de compra de uma ação. Por exemplo, se o preço de venda mais baixo para uma ação de uma empresa lista na Bolsa brasileira for R$ 10,00 e o preço de oferta mais alto for R$ 9,00 o spread será de R$ 1,00.  

Spread na Renda Fixa

Em títulos de renda fixa, o spread costuma ser usado como diferença de rentabilidade entre dois títulos dessa classe e com o mesmo vencimento. Por exemplo, se uma debênture com um vencimento de 10 anos estabelecer que o pagamento será em IPCA (inflação oficial do Brasil) + 5% ao ano e um hipotético Tesouro IPCA com vencimento de 10 anos paga IPCA + 3%, pode-se dizer que o spread, neste exemplo, é de 2%. Ou seja, esta debênture tem um spread de rentabilidade de 2% em relação ao título público mencionado.

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